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Futebol e Política no Peru

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Diante das investigações sobre as operações ilegais da empreiteira brasileira Odebrecht, da oposição e da pressão para indultar o ex-presidente Alberto Fujimori, o presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK) tem encontrado no futebol uma válvula de escape dos problemas que o enfraquecem politicamente, demonstrando ser um torcedor apaixonado e otimista com a seleção de seu país.

Logo após a definição de que o time peruano iria para a repescagem, ou seja, que disputaria uma vaga para a Copa do Mundo de Futebol de 2018, na Rússia, em partida contra a Nova Zelândia, ele profetizou: “Felicitações à equipe peruana por este imenso esforço, exitoso esforço para nos mantermos com possibilidades de ir ao mundial, teremos que passar por Nova Zelândia, está bem, é um país belo, mas vamos ganhar da Nova Zelândia. Viva Peru!!! Gracias à equipe peruana!!! Gracias ao treinador Gareca!!! Gracias a Todos!!!!”.

No dia da viagem da seleção para a primeira partida, em território neozelandês, o Presidente foi pessoalmente se despedir. Conversou com os jogadores dentro do avião, que decolou minutos depois. Na segunda e decisiva partida, pelo retorno, agora em Lima, no dia 10 de outubro de 2017, decretou meio feriado para que todos pudessem acompanhar a disputa.

PPK se despedindo da seleção peruana de futebol

Durante a reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em Da Nang, Vietnam, tirou uma foto com a Primeira-Ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, e indicou que assistiriam ao jogo, juntos. Após a vitória de sua seleção por 2 a 0, comemorou em sua página no twitter, escrevendo: “Viva o Peru, ganhamos hoje, todos somos guerreiros! Arriba Peru!!!”. Embaixo da declaração, o Presidente se encontra trajado com a camisa da seleção, branca com uma faixa vermelha, ladeado pela Primeira Dama Nancy Lange Kuczynski e assessores, todos a caráter.

A relação entre política e futebol sempre ocorreu. No Brasil, o tricampeonato da seleção brasileira no mundial do México, em 1970, foi usado politicamente pelo Governo militar (1964-1985) para “confirmar” que vivíamos o “milagre brasileiro” e que o Brasil estava fadado a se tornar uma potência mundial.

O mesmo se deu na Copa da Argentina, em 1978. Em Olimpíadas isto também ocorreu. Em 1980, os Estados Unidos não enviaram seus atletas para os jogos de Moscou em protesto contra a invasão do Afeganistão por forças soviéticas. Este foi o boicote dos Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, nos jogos de Los Angeles, foi a vez da União Soviética dar o troco e ocorreu o Boicote soviético.

Parece consensual entre grande parte dos cidadãos peruanos que a administração Pedro Pablo Kuczynski é fraca politicamente e sofre oposição dos fujimoristas. Até a poucas semanas, as atenções estavam voltadas para a decisão sobre o indulto a Alberto Fujimori, ex-Presidente do país, condenado por assassinato e sequestro de opositores políticos e que, supostamente, se encontra doente na prisão. No entanto, neste momento, o foco foi desviado para os jogos que definiram a classificação peruana para o mundial da Rússia, em 2018.

Desta maneira, conforme vem sendo observado, PPK vai se equilibrando, tentando ter um destino diferente de seus antecessores: dois presos (Alberto Fujimori e Ollanta Humala), um foragido (Alejandro Toledo) e outro investigado (Alan Garcia). Assim, ele tenta fugir da máxima de que o Peru devora seus ex-Presidentes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Diário Oficial do Peru El Peruano’, com manchete sobre a PPK e a Odebrecht” (Fonte):

https://twitter.com/DiarioElPeruano/status/930770226316111873

Imagem 2 PPK se despedindo da seleção peruana de futebol” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/927409775889010689

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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