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Localizada numa península ao sul da Ucrânia e banhada pelo Mar de Azov, a leste, e pelo Mar Negro, ao sul e oeste, a atual República Autônoma da Crimeia foi palco dos mais variados episódios político-econômicos desde sua antiguidade. Povoada pelos cimérios já no século 12 a.C., esse espaço geográfico se desenvolveu cinco séculos depois com o reinado do povo Cita, que era formado por nômades provindos do leste do continente asiático e que fundaram fortes relações comerciais com a Grécia, a qual ensinou a eles o ofício da construção de navios, além do cultivo de azeitonas e uvas.

Localização geográfica da Crimeia

Com o tempo, a região passou por diversas formas de dominações, sendo elas: romanos (séc. I), hunos (séc. III), bizantinos (séc. VI) e, a partir do séc. IX d.C., começam a surgir as primeiras tribos russas que mais tarde iriam comercializar com os genoveses no intuito de fortalecer a rota da seda na região. Em 1774, com o fim da guerra entre Rússia e Turquia, o que causou o desmantelamento do Império Otomano, a Crimeia foi anexada ao Império Russo e, mais tarde, em 1954, foi cedida pela República Socialista Soviética Russa à República Socialista Soviética Ucraniana, devido um acordo de melhor administração na construção da  Hidrelétrica de Kakhovka, que, mais tarde, passaria a utilizar a água de seu reservatório, não para geração de energia elétrica, mas, sim, para irrigar terras áridas no sul da Ucrânia e da própria Crimeia, no intuito de amplificar sua produção agrícola.

Posto isso, a Crimeia foi considerada uma região estratégica do ponto de vista econômico, devido ao fácil escoamento comercial de produtos como vinho e grãos que saem pelo Mar Negro e chegam a países da Europa e à Rússia, assim também como ponto receptor das importações que abasteciam a região, principalmente do gás russo.

Ponte da Crimeia

Com a anexação da Crimeia pela Federação Russa, em março de 2014, após um referendum que teve quase 97% de aprovação da população local, o presidente russo Vladimir Putin inicia um processo de estabilização da área com a construção de gasodutos que fornecerão energia de forma ininterrupta para a região. Um outro ponto importante tomado pelo Presidente é a sua revitalização econômica com o desenvolvimento do turismo e principalmente com o aprimoramento fiscal na cobrança de impostos, o que acarretou em 2016 em um crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 17%, segundo informações do Chefe do Conselho Supremo da região russa, Vladimir Konstantinov.

Após 4 anos da anexação, vários investimentos em infraestrutura estão a pleno vapor como é o caso da construção da ponte da Crimeia no estreito de Kerch, que ligará, com seus 19km de extensão, a península à região russa de Krasnodar, com vias rodoviária e ferroviária, representando um desenvolvimento no transporte de pessoas e de mercadorias do setor alimentício que está se desenvolvendo em grande proporção na região. A intenção do Governo da Rússia é cada vez mais desenvolver a Crimeia como uma extensão da hegemonia russa, com a construção de autoestradas, aeroportos e até um túnel submarino que ligará as duas regiões, sendo que este projeto já despertou o interesse de investidores chineses.

A garantia da continuidade dos investimentos direcionados ao desenvolvimento econômico da Crimeia exigirão, por parte da Federação Russa, não só um grande dispêndio financeiro, mas também um enorme comprometimento político-militar devido as sanções por parte da comunidade internacional, acarretadas pelo processo de anexação do território crimeniano e que ainda é considerada indevida e passível de retroação, principalmente para o Governo ucraniano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Brasão sobre Bandeira da Crimeia” (Fonte):

http://www.1zoom.me/ru/wallpaper/409125/z1230.9/

Imagem 2 Localização geográfica da Crimeia” (Fonte):

https://zap.aeiou.pt/wp-content/uploads/2016/10/3c19b8b02b375a5ff2b4a1db3f1dcebd.jpg

Imagem 3 Ponte da Crimeia” (Fonte):

https://www.kyivpost.com/wp-content/uploads/2017/08/DJI_0022.2e16d0ba.fill-1200×795-800×520.jpg

Edson José de Araujo - Colaborador Voluntário

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia de Empresas pela FEA-USP. Especialista em finanças (FP&A) com mais de 20 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Planejamento Financeiro e Controladoria com certificação 6Sigma Green Belt. Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional.

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