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Nos dias 7 e 8 de junho de 2015, o panorama político internacional ganhou um novo registro na história com a Cúpula Anual do G7, um encontro cuja retórica nos discursos, os debates pouco abrasivos e inconclusivos, aliado à necessidade latente de ostentar uma política de prestígio para seus opositores, permite análises e reflexões acerca da névoa que circula hoje o sistema internacional.

A Alemanha, que assumiu a presidência do Grupo dos Sete (G7) após a Cúpula de 2014, em Bruxelas, escolheu o Schloos Elmau (Castelo Elmau, em tradução livre do alemão), ao sul de Munique, um local onde campos verdes, rios azuis e picos de neve destoam do atual cenário de desequilíbrio e tensões, mas que almeja ofertar uma mensagem de unidade e cooperação entre Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Japão na condução da política internacional.

No hotel na Baviera escolhido para receber os Chefes de Estado e de Governo das sete economias mais industrializadas do pósSegunda Guerra, a proposta é trazer à luz dos debates temas cujos desafios são preponderantes para a manutenção ou não do atual sistema político, herdado da segunda metade do século passado e que apresenta na segunda década desse novo século alguns desgastes profundos e oportunidades de reordenamento estrutural nas esferas política, econômica, comercial e militar.

O lema desse ano, “Pensar no futuro. Agir em conjunto”, exprime uma tendência político-diplomático como estratégia implícita voltada para Oriente, em especial China e Rússia que ao longo dos últimos anos estreitaram e aprofundaram laços de cooperação e passaram a atuar em conjunto sobre variados espectros na tentativa de reverter, ou ao menos constituir na outra metade do hemisfério terrestre, zonas de influência sólidas e intransponíveis capazes de restabelecer novos critérios na balança de poder das Relações Internacionais.

Aliada a essa mensagem direta a Vladimir Putin e Xi Jinping, o seleto grupo de nações ocidentais, acrescidas do Japão, tem ainda na agenda discussões quanto aos rumos da economia global, segurança energética e segurança internacional, com foco para a Crise na Ucrânia, à expansão do autoproclamado Estado Islâmico no Oriente Médio, bem como as tensões no Mar Meridional da China.

Aos olhos do mundo, um encontro dessa envergadura traz muito mais crítica do que esperança por uma agenda mais equilibrada e justa. Nesse sentido, o grande desafio dos defensores das políticas de matriz ocidental, mesmo sem qualquer legitimidade para decidir os destinos do mundo, é reverter os estigmas de exploração, pobreza, epidemia, fome, degradação ambiental, segregação, xenofobia e bloqueio imigratório, assim como inibir maior influência de novas potências, blocos econômicos e grupos alternativos tais como o G-20 e BRICS que podem ameaçar o ainda influente Grupo dos Sete.

Para anos vindouros, a mensagem que a Cúpula deixará é de que Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Japão ainda podem ser o centro do mundo, os mantenedores da ordem e propulsores da reforma da governança global.

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Imagem (Fonte):

https://www.dw.de/image/0,,18489625_303,00.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

https://www.g7germany.de/Content/EN/StatischeSeiten/G7_elmau_en/texte_en/2014-10-08-ankuendigung-gipfel-elmau_en.html

Ver:

http://blogs.cfr.org/patrick/2015/06/03/the-g7-summit-an-exclusive-club-but-a-global-role/

Ver:

http://www.cfr.org/international-organizations-and-alliances/group-seven-g7/p32957

Ver:

http://www.theglobeandmail.com/globe-debate/why-the-g7-summit-must-go-beyond-crisis-diplomacy/article24751260/

Ver:

http://www.dw.de/us-faces-europe-in-disarray-at-g7-summit/a-18480016

Ver:

http://www.dw.de/g7-se-re%C3%BAne-com-agenda-cheia-mas-sob-pouca-expectativa/a-18498957

Ver:

http://www.dw.de/merkel-compartilhamos-os-mesmos-valores-no-g7/a-18499232

Ver:

http://blogs.cfr.org/patrick/2014/06/04/learning-to-compartmentalize-how-to-prevent-big-power-frictions-from-becoming-major-global-headaches/  

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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