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Gaza: funcionários da ONU em greve contra Medidas de Contenção

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Em oposição às medidas de corte de custos nas Nações Unidas, cerca de 13.000 professores, trabalhadores da saúde e outros empregados de programas da ONU na Faixa de Gaza entraram em greve ao longo das últimas semanas[1]. Os manifestantes demandam que o ComissárioGeral da Agência de Socorro e Trabalho das Nações Unidas (UNRWA) cancele as medidas que permitiriam a Agência impor um ano de licença de pessoal, sem vencimento, e aumentar o número de alunos nas salas de aula gerenciadas pela ONU[1]. O protesto nos arredores da sede da UNRWA em Gaza, na última segunda-feira, 24 de agosto, convocado pelo sindicato de funcionários locais, foi o maior de uma série de manifestações nas últimas semanas. O porta-voz da organização, Adnan Abu Hasna, declarou que a medida de licença forçada sem pagamento já foi congelada[1].

Além de outras demandas como superlotação em escolas, férias não pagas, reduções e adiamento do ano letivo, os manifestantes criticaram a decisão de aumentar o número de alunos em cada sala de aula para 50 por professor, que, dizem, irá prejudicar a qualidade do ensino e da aprendizagem e deixar muitos professores desempregados. Contudo, Sami Mshasha, PortaVoz da UNRWA em Jerusalém, declarou que as exigências dos manifestantes já haviam sido cumpridas[2]. Mshasha afirmou que a Agência enviou cartas aos 30.000 funcionários no domingo, cancelando a proposta de licença sem vencimento. Ele também disse que a possibilidade de aumentar o número de estudantes para 50 foi considerada pela UNRWA devido a problemas financeiros, mas acrescentou que, eventualmente, o número de alunos em cada classe não seria superior a 38 alunos[2].

As escolas gerenciadas pelo Hamas em território palestino já começaram seu ano letivo, mas as escolas gerenciadas pela ONU estão sem aulas em virtude da greve[1]. A Agência anunciou no início de agosto que somente teria financiamento até o final deste mês, quando o ano letivo estava previsto para começar nos territórios palestinos e na Jordânia. Apesar de suas dificuldades financeiras, a UNRWA abriu suas 245 escolas em Gaza, como previsto, nesta segunda-feira, dia 24, mas muitas salas de aula permaneceram vazias em virtude dos protestos[2]. A Agência levantou a possibilidade de demissão de parte do seu pessoal por um ano devido a uma falta de contribuições de doadores internacionais. Mas um novo apoio financeiro permitiu que a UNRWA congelasse esses planos. Ainda assim, seus funcionários exigem que o plano seja descartado por completo[2].

Apesar do déficit de US$ 101 milhões, o ComissárioGeral da UNRWA, Pierre Krähenbühl, reafirmou o compromisso da Agência com suas escolas “pela centralidade da educação para a identidade e dignidade dos refugiados palestinos[3]. Cerca de 1,2 milhão de crianças palestinas retornariam à escola segunda-feira para o início do novo ano escolar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, informou o Ministério da Educação[3]. Segundo dados da ONU, em uma população de 1,8 milhão na Faixa de Gaza, cerca de 1,26 milhão são refugiados. A UNRWA supervisiona a educação para aproximadamente 225.000 crianças em 245 escolas – dezenas das quais foram danificadas e afetadas pela guerra ocorrida no verão passado entre militantes palestinos e Israel[3].

A UNRWA iniciou suas operações em 1950 e presta assistência e proteção para cerca de cinco milhões de refugiados palestinos registrados na sitiada Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada e na Jordânia, bem como no Líbano e na Síria[2]. A Organização foi fundada em 1949 “para ajudá-los a atingir seu pleno potencial de desenvolvimento humano[4]. Também na segunda-feira, a UNRWA publicou um relatório informando que enfrenta sua mais grave crise financeira de todos os tempos, acumulando um déficit financeiro de USD 366.6 milhões para atividades centrais em 2015, como operações de emergência em Gaza, abrigos de emergência e assistência alimentar urgente[4].

De acordo com o mesmo relatório, a Agência está em busca de fontes adicionais de financiamento ao mesmo tempo em que tenta implementar uma série de medidas de austeridade destinadas a diminuir os custos[4]. Ela informou ter exigido US$ 100 milhões para começar o ano letivo de 2015-2016 nas cerca de 700 escolas geridas pelas Nações Unidas para atender meio milhão de estudantes em todo o Oriente Médio[2].

Mais de US$ 1 bilhão foram prometidos por diversos governos até o final de 2014, e a UNRWA instou os doadores a agirem imediatamente, mas muitos ainda não cumpriram seus compromissos[2]. A UNRWA já havia informado que detinha dinheiro suficiente apenas para manter seus serviços para proteção da saúde pública até o final de 2015 – incluindo imunização de crianças, cuidados primários de saúde, saneamento e alguns programas de emergência[2]Ban Kimoon, SecretárioGeral da ONU, apelou a todos os doadores que garantissem urgentemente a disponibilização de um financiamento adequado e sustentável aos serviços vitais da Organização[2].

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Imagem Milhares de trabalhadores palestinos das Nações Unidas protestaram na Cidade de Gaza nesta segundafeira, 24 de agosto de 2015, contra as medidas que a organização tomou para superar uma aguda crise financeira. O protesto do dia 24 nos arredores da sede da Agência de Socorro e Trabalho das Nações Unidas (UNRWA) em Gaza foi o maior de uma série de manifestações nas últimas semanas, convocado pelo sindicato de funcionários locais” (FonteAP / Khalil Hamra):

http://news.yahoo.com/un-employees-gaza-strike-against-cost-cutting-measures-114112622.html?

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://news.yahoo.com/un-employees-gaza-strike-against-cost-cutting-measures-114112622.html?

Ver Também:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/employees-gaza-strike-cost-cutting-measures-33276233

Ver Também:

http://www.startribune.com/un-employees-in-gaza-strike-against-cost-cutting-measures/322664511/

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/08/classrooms-empty-gaza-strike-unwra-staff-bites-150824145417597.html

[3] Ver:

http://nsnbc.me/2015/08/25/unrwa-workers-strike-as-school-year-officially-begins-in-gaza/

Ver Também:

http://www.channelnewsasia.com/news/world/gaza-strike-shuts-first/2073608.html

[4] Ver:

http://www.rt.com/news/313260-un-protests-gaza-palestine/

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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