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General do Exército dos EUA faz declaração tomando a Ciberguerra como Guerra Convencional

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Durante entrevista a um grupo de jornalistas na base de Fort Hood, no Texas, Estados Unidos, o general do Exército britânico, Doug Chalmers, adjunto do Comandante Geral do 3º Corpo de Blindados dos EUA*, comentou a respeito do ciberespaço e de ameaças híbridas, considerando que os mesmos já são enquadrados no ponto de vista da guerra convencional.

Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, declarando que agressões cibernéticas poderiam acionar o artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte

O General declarou:  “Já ponho isso [o combate a ameaças híbridas e ciber] na caixinha da guerra convencional. Foi dessa forma que o mundo mudou. No Centro Nacional de Treino [do Exército dos Estados Unidos] já o incluímos no treino das brigadas. Eu já lhe chamo [guerra] convencional”.

As ameaças híbridas são entendidas da seguinte forma: “um adversário que emprega de forma simultânea e adaptável uma combinação de meios políticos, militares, econômicos, sociais e de informação, e métodos convencionais, irregulares, catastróficos, de terrorismo e de conflito/conflito criminal. Pode incluir uma combinação de atores estatais e não estatais”. Respeitando essa consideração, observa-se que as ameaças no domínio cibernético podem ser interpretadas como ameaças híbridas a partir do momento em que se apresentam como métodos irregulares de conflito.

Na medida em que vem sendo disseminado o receio do Governo norte-americano de um ataque cibernético de grandes proporções, na forma de um “cyber Pearl-Harbor”*, em conjunto com “ataques cibernéticos globais, como o NotPetya, e acrescido do temor de interferências cibernéticas em eleições, como se deu na suspeita de intervenção russa nas eleições de 2016”, o domínio cibernético vem se tornando palco de novas ameaças, tanto que seu valor estratégico foi enaltecido “mais recentemente na Estratégia de Segurança Norte Americana”, publicada em dezembro de 2017.

A multiplicidade de atores no ciberespaço, tanto estatais quanto particulares, vem estimulando um crescente “clima de insegurança global no ciberespaço”, porém, sua legitimação como domínio de guerra, tanto teórica (nos documentos de defesa), quanto prática (por meio do posicionamentos de militares e autoridades, como o do general Doug Chalmers), legitimam o domínio cibernético como plataforma  de ameaças significativas no século XXI.

O posicionamento do General em relação às ameaças cibernéticas vem ao encontro da consideração do ciberespaço como mais um domínio da guerra moderna, a partir do momento em que o mesmo é utilizado como plataforma de Comunicação, Comando e Controle, e pode ser alvo de ataques, espionagem e sabotagem. Essa postura é corroborada pelo posicionamento da OTAN, “que considera que ameaças e atos no ciberespaço podem acionar o Artigo nº5” do Tratado do Atlântico Norte, podendo resultar em retaliação com meios militares tradicionais.

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Nota:

* O general Chalmers fez sua carreira no Exército britânico e após a promoção ao generalato, foi para Washington, como Oficial de Ligação ao Chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, ocupando o Quartel General Britânico e, mediante nova promoção, se tornou o adjunto do Comandante Geral do 3º Corpo de Blindados dos EUA.

** Uma analogia ao ataque surpresa realizado pelos japoneses no Havaí, na base de Pearl-Harbor.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1General Doug Chalmers” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2f/Douglas_M._Chalmers.jpg

Imagem 2Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, declarando que agressões cibernéticas poderiam acionar o artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte” (Fonte):

https://nato.usmission.gov/june-29-2018-nato-sec-gen-press-conference-nac/

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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