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Geoeconomia: a coesão nacional e a projeção global da estratégia chinesa

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A geoeconomia consiste no uso de recursos econômicos para atingir fins geopolíticos, ou metas correspondentes ao interesse nacional. Este é um importante conceito para compreender a atuação da China. Em outras palavras, a geoeconomia pode ser vista como a continuação da geopolítica por outros meios.

Bandeira estilizada da China e dos Estados Unidos

A coesão da China no plano político e institucional advém do regime de governança que se define como uma burocracia autoritária. A centralização do controle do Partido Comunista permite que o mesmo consiga traçar estratégias nacionais de médio e longo prazo além de poder utilizar-se de suas empresas estatais para avançar objetivos geopolíticos a nível global.

De forma concreta, alguns países recorrem a instrumentos de força e pressão para tentar avançar seus objetivos. Este tem sido o caso dos Estados Unidos (EUA) nas últimas décadas. Por outro lado, a China recorre a instrumentos (geo) econômicos, projetando sua influência nos mais diversos tabuleiros regionais através de suas finanças.

As principais ferramentas da geoeconomia incluem: 1) compra de títulos de dívida nacional de outras nações; 2) decisão de mudança nos parceiros comerciais, sobretudo no caso de recursos estratégicos; 3) uso de investimento estrangeiro direto ou de capital de curto prazo, podendo desestabilizar economias nacionais de menor porte, ou mesmo contribuir para o desenvolvimento econômico de outros Estados, ou ainda aumentar a sua inserção em determinada região; 4) o uso do tamanho do mercado doméstico como fator de negociação para a transferência de tecnologia; 5) o estabelecimento de embargos comerciais, entre outras.

Projeção geográfica da Eurásia

Os investimentos chineses nas economias africanas e europeias, por exemplo, já foram utilizados para influenciar o voto destes Estados em instituições internacionais, sobretudo no âmbito da ONU, no sentido angariar apoio em relação aos avanços no Mar do Sul da China e igualmente para atenuar as críticas da comunidade internacional em questões de direitos humanos.

O estabelecimento de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, tal como o Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (AIIB) e o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD-BRICS) podem ser enquadrados neste arcabouço. O esforço para a internacionalização da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi), é um meio para o aumento do poder brando do país, além de contribuir para a sua estabilidade financeira. Já a Nova Rota da Seda (“Belt and Road Initiative”) se consolida como o quadro mais amplo e que engloba o conjunto das iniciativas e da estratégia geoeconômica da China.

Mesmo com o ritmo de crescimento mais lento, com uma média de 6% a 7% nos últimos três anos, previsões apontam que o PIB da China deverá superar o tamanho da economia dos EUA no ano de 2029. Por fim, visando sintetizar esta narrativa, é possível afirmar que a continuidade da projeção global da economia chinesa depende da capacidade do Partido Comunista de continuar estendendo os benefícios do desenvolvimento econômico para o conjunto de sua população. Em suma, a coesão nacional e a aceitação da opinião pública sobre o capitalismo de Estado na China são elementos vitais para a manutenção do poder centralizado do Partido Comunista e para a continuidade de sua grande estratégia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A moeda chinesa, Yuan (Renminbi) ” (Fonte):

http://maxpixel.freegreatpicture.com/Rmb-Bank-Note-Chinese-Yuan-Asia-Money-China-938269

Imagem 2 Bandeira estilizada da China e dos Estados Unidos” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4a/FlagUSA_FlagPRC_crash.svg/1000px-FlagUSA_FlagPRC_crash.svg.png

Imagem 3Projeção geográfica da Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg/2000px-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg.png

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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