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Global Energy Interconnection: a resposta da China para o aquecimento global

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A Gobal Energy Interconnection (GEI, na sigla em inglês) consiste em um projeto visando à produção e distribuição mundial de energia advinda de fontes sustentáveis. Anunciado oficialmente pela China, a GEI pretende contribuir para a redução na emissão de poluentes advindos da utilização de combustíveis fósseis, através do estabelecimento de fazendas solares nos países situados ao longo da linha do Equador e de parques eólicos no Polo Norte.

Consumo Global de Energia no ano 2015

O planejamento estratégico da GEI inclui inicialmente a construção de infraestrutura de energia renovável na China e em outros países da Ásia, que seriam posteriormente conectados a uma rede inteligente intracontinental que se estenderia pela macrorregião da Eurásia. A terceira e última fase do projeto incluiria o estabelecimento de uma conexão transcontinental chegando até a África e as Américas. 

Para isto, foi criada a Global Energy Interconnection Development and Cooperation Organization (GEIDCO, na sigla em inglês), uma organização internacional na qual participam Estados, empresas, universidades, centros de pesquisa, entre outros. A GEIDCO possui escritórios na América do Sul, América do Norte, na África, na Europa, na Rússia, no Japão e na Austrália.

A China vem enfrentando o desafio de reforma do seu próprio modelo energético doméstico. Geograficamente, as regiões com maior potencial para a produção de energia renovável do país se encontram no Oeste, sendo que a costa Leste é a principal fonte de demanda devido à concentração populacional e industrial. Por estas razões, ela vem desenvolvendo grandes inovações em redes de energia de alta voltagem (UHV, na sigla em inglês), um método barato para a transmissão de eletricidade, que seria internacionalmente difundido com a GEI.

Capacidade de geração de energia sustentável da China

Através destas ações os chineses reafirmam o seu comprometimento com o Acordo de Paris* e apresentam uma visão para o combate ao desafio representado pelo aquecimento global. Pretende-se consolidar a rede nacional de energia sustentável do país até o ano de 2020, estendendo-a para a Ásia até o prazo de 2030. O ano de 2050 é o marco para a conexão intercontinental da iniciativa, ponto no qual espera-se que 50% do consumo global de hidrocarbonetos sejam substituídos pelo uso de recursos provenientes de fontes renováveis.

A GEI segue a tradição chinesa de construção de grandes obras de infraestrutura e apresenta diversos desafios, como a magnitude do financiamento necessário para sua consolidação e a dificuldade de cooperação entre os diversos países envolvidos. Não obstante, sob a perspectiva chinesa sobressaem as questões dos valores e o plano simbólico representado pelo projeto: o aumento da conexão entre as diversas regiões do planeta; o investimento em tecnologia e desenvolvimento sustentável; além de apresentar uma visão de longo prazo para o futuro da comunidade internacional no aspecto da energia.

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Notas:

* O Acordo de Paris visa lidar com a redução e a adaptação da emissão de gases que contribuem para o aquecimento global. Espera-se que o Acordo entre em vigência no ano de 2020. Até o momento, 194 países assinaram-no, sendo que 133 deles já o ratificaram no âmbito de suas jurisdições internas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Paisagem demonstrando a produção de energia através de fontes renováveis” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Renewable_Energy_on_the_Grid.jpg

Imagem 2Consumo Global de Energia no ano 2015” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/de/World_energy_consumption_by_fuel.svg/512px-World_energy_consumption_by_fuel.svg.png

Imagem 3Capacidade de geração de energia sustentável da China” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/eiagov/28560300414

                                                                         

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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