LOADING

Type to search

Governo boliviano declara que processará a revista VEJA

Share

O Governo boliviano declarou na segunda-feira, dia 9 de julho, por intermédio da ministra de Comunicação, Amanda Dávila, que a revista brasileira VEJA será acionada juridicamente devido a reportagem na qual aponta as ligações entre o Narcotráfico e o Governo do país, por intermédio de contatos diretos entre Juan Ramón Quintana (“Ministro da Presidência” boliviana) e Jessica Jordan (diretora da Agência para o Desenvolvimento das Macrorregiões e Zonas Fronteiriças”Ademaf – em Beni), com Maximiliano Dorado Munhoz Filho, um dos principais chefes do narcotráfico no Brasil, o qual, no momento, encontra-se preso.

 

A Revista informa sobre encontros entre os três denunciados, nos quais há a possibilidade de envolvimentos de recursos vindos do narcotraficante, baseadas estas acusações em relatórios de “agentes de inteligência bolivianos”, juntamente com membros do partido governamental, o “Movimiento al Socialismo” (MAS), que estão descontentes com o andamento da política no país e entregaram os papeis a opositores no Congresso, que, por sua vez, ainda segundo as informações da VEJA, agora disseminadas em vários canais da mídia, informaram o “Presidente da Bolívia”, o qual não tomou quaisquer medidas para responder às informações recebidas.

A “Ministra da Comunicação” declarou pelo Portal de notícias governamental: “O governo anunciou a sua decisão de processar a revista Veja para que prove as afirmações contidas em um artigo que consideramos infamantes contra autoridades do governo”*, com acusações que “envolve o ministro da Presidência boliviana, Juan Ramón Quintana, e a diretora da Agência para o Desenvolvimento das Macrorregiões e Zonas Fronteiriças (Ademaf) em Beni, Jessica Jordán, com o convicto narcotraficante brasileiro Maximiliano Dorado Munhoz Filho”**

Os defensores do Governo boliviano têm mantido a estratégia de declarar uma articulação nacional e internacional para desestabilizar os líderes esquerdistas da America Latina e informam que tal procedimento vem sendo adotado neste momento também para acelerar a liberação do senador de oposição Roger Pinto Molina, que está no prédio da embaixada brasileira na Bolívia há algumas semanas, já recebeu o asilo político do Brasil e não lhe foi dado até o momento o salvo conduto pelo Governo boliviano para sair do país, tendo sido este senador um dos políticos de oposição no Congresso que informou o presidente Morales do que estava ocorrendo e do envolvimento do narcotráfico com grandes autoridades governamentais. O outro parlamentar, o senador Bernard Gutiérrez, que alega ter entregue juntamente com Molina o Relatório, afirmou que Evo Morales “tem essa informação”*** e “não fez absolutamente nada”***.

De acordo ainda com os defensores do “Governo Morales”, as denúncias foram feitas por um partido político conservador brasileiro (sem citar qual é este partido) que deseja o asilo de Molina, mas a VEJA tem declarado que as informações vieram especialmente de informes da polícia boliviana que foram dados por integrantes do próprio Partido do presidente Morales, os quais, de acordo com vários especialistas, além de estarem insatisfeitos com os rumos do Governo, sentem-se traídos.

Analistas têm afirmado que as manifestações contrárias a Morales não vêm apenas dos opositores tradicionais, mas especialmente de percentual expressivo de sua antiga base que não aceita mais as falhas apresentadas pelo Mandatário, os erros políticos, a mau uso do dinheiro público, os casos de corrupção, o uso político dos recursos e a falta de investimento adequado, não respeitando as reivindicações das camadas mais pobres da população que lhes alçaram ao poder.

Observadores estão apontando que o “Governo Morales” tem declarado exigir que sejam apresentadas pela Revista provas das acusações e vinculado as denúncias ao caso do asilo político do Senador. Consideram que esta é uma estratégia do Governo para anulá-las, mas ao tratar do caso Molina, acusam-no de crimes de corrupção e responsabilidade por mortes de manifestantes na Bolívia, quando este exercia cargo de governador, incorrendo, porém, no problema de não apresentarem provas das acusações que fazem e por isso tornam inócuas as estratégias que estão adotando, pela forma contraditória como esta vem sendo formulada e expressada.

Ademais, começam a destacar que a perda da base política do Governo tem sido maior que o divulgado e não será surpresa que a Revista brasileira apresente as provas, ou, caso não o faça, elas venham a ser confirmadas por outros canais, bem como que também seja demonstrado que as informações foram obtidas com os grupos de esquerda da Bolívia que se voltaram contra os rumos atuais da política no país, além dos tradicionais opositores de Evo Morales.

—————

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5886313-EI8140,00-Bolivia+processara+revista+Veja+por+reportagem+sobre+drogas.html

** Ver:

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/07/materia-da-veja-sobre-bolivia-rende-processo-para-a-revista.html

*** Ver:

http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/notiziari/bolivia/20120710155335441945.html

—————

Ver também:

http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=524247&Itemid=1

 

 

 

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!