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[:pt]Governo canadense taxará emissões de CO2[:]

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Recentemente, o Governo do Canadá anunciou que pretende impor uma taxa nacional para as emissões de Dióxido de Carbono (CO2), a partir de 2018. Segundo o discurso do primeiro-ministro Justin Trudeau, realizado na última segunda-feira, 3 de outubro, o Governo deverá estabelecer um preço mínimo de 10 dólares canadenses por tonelada para emissões de carbono daqui a dois anos e, a partir de 2022, a taxa deverá ser de 50 dólares por tonelada.

Ainda segundo pronunciamento de Trudeau, a taxa deverá ser imposta em todas as Províncias que não tenham adotado medidas para acompanhar os objetivos nacionais de redução de gases de efeito estufa, a fim de reduzir o aquecimento global. Essas localidades podem aderir ao preço mínimo estabelecido pelo Governo, ou definir preços mais altos para as emissões. No presente, duas Províncias já impuseram uma taxa à emissão de carbono, e outras estabeleceram um mercado de intercâmbio de cotas e tetos para as emissões.

As emissões de CO2 variam significativamente em cada região canadense, em função de fatores como base econômica do território, fontes de energia, população. Por exemplo, Províncias que dependem da extração de recursos tendem a ter níveis mais elevados de emissão do que aqueles territórios onde a economia é baseada em serviços.

Nesse sentido, de acordo com dados do Governo de 2014, Províncias como Ontário e Quebec, Saskatchewan, Alberta e British Columbia foram responsáveis pela emissão de 665 megatoneladas de CO2-e (Dióxido de Carbono equivalente, uma medida de CO2 combinada com outros gases de efeito estufa), o que corresponde a 91% das emissões do país, que naquele ano foram de 732 megatoneladas.

Ontário é um dos principais emissores, em razão da grande indústria de transformação; Alberta, devido à indústria de petróleo e gás; já Quebec e British Columbia, apesar de estarem entre as maiores Províncias poluentes, possuem índices mais equilibrados, em função dos seus recursos hidroelétricos; por fim, Saskatchewan, devido ao aumento do setor de transportes e atividades ligadas à indústria petrolífera.

O anúncio desta semana ocorreu em uma sessão do Parlamento, na qual começou a ser discutida a ratificação do Acordo de Paris, assinado em dezembro de 2015 por 195 países, com o propósito de estabelecer ações que possam vir a frear as mudanças climáticas. O Canadá se comprometeu a diminuir as emissões em 30% até 2030, levando em consideração os níveis de emissão de 2005. A expectativa é de que o Governo canadense ratifique o Acordo no decorrer dessa semana.

O Primeiro-Ministro canadense tem reforçado compromissos em torno da agenda climática. Para Trudeau, após anos de oportunidades perdidas, finalmente estão sendo adotadas medidas reais para a construção de uma economia mais limpa. Em março deste ano (2016), Justin Trudeau reuniu-se com Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), quando os dois países assumiram um esforço conjunto para que o Acordo de Paris fosse assinado o mais breve possível. Já em julho, Robert Glasser, chefe do Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNISDR), ressaltou a importância do novo programa ambiental “Clima da América do Norte, Energia Limpa e Parceria Ambiental”, anunciado por Canadá, Estados Unidos e México, que visa expandir em 50% a geração de energia limpa até 2025. Para Glasser, essa parceria é um grande avanço, um compromisso político sério que visa reduzir o risco de futuros desastres climáticos. Além da redução na emissão de carbono, o Programa tem entre seus objetivos a substituição de combustíveis fosseis, até 2020.

Tendo em vista que o Canadá é um dos países com maiores índices de emissão de gases de efeito estufa, alguns analistas assinalam que esse esforço exibe uma mudança política importante, particularmente porque quando sob o comando do primeiro-ministro Stephen Harpen, em 2012, o Canadá se retirou do Protocolo de Kyoto. O Protocolo foi assinado em 1997, entrando em vigor em 2005, nele os países-membros se comprometeram em reduzir as emissões de carbono. O Canadá havia se comprometido a reduzir em 6% as emissões, com base nos índices de 1990, mas, as ao invés de reduzirem, elas aumentaram consideravelmente.

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ImagemA poluição atmosférica, um dos grandes problemas ecológicos atuais” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Poluição_atmosférica

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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