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Governo do Chade anuncia a retirada de suas tropas da “República Centro-Africana”

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Na última quinta-feira (3 de abril), o “Governo do Chade anunciou a retirada de suas tropas da República Centro-Africana (RCA)[1]. As Forças chadianas compunham parte do “Exército da União Africana (MISCA) presente na RCA, desde que o conflito entre o grupo armado cristão Anti-balaka e a minoria mulçumana se acentuou nos últimos meses.

Controvérsias sobre a atuação das Forças chadianas na RCA vieram à tona após a morte de 30 civis em uma operação dentro de um mercado público no bairro PK12, na capital Bangui[2]. Segundo o relatório das “Organização das Nações Unidas” (ONU), testemunhas locais afirmam que não houve nenhuma provocação por parte dos civis que explicasse o início dos disparos, que ocasionaram, em sua maioria, a morte de crianças e mulheres[3].

Tal acontecimento acentuou as opiniões contrárias à presença do “Exército Chadiano” como forças pacificadoras na RCA. Nesta última quinta-feira, mediante a emergência de severas críticas a esta atuação, o “Ministério de Relações Internacionais do Chade” veio a público afirmar a sua insatisfação com as acusações e, por isso, retirará suas tropas da RCA nas próximas semanas. Fez a declaração: “Apesar dos sacrifícios que fizemos, o Chade e os Chadianos estão sendo acusados em uma campanha desnecessária e maliciosa que os culpam de todo o sofrimento na RCA[4].

Entretanto, a ausência das tropas chadianas é considerada por alguns como um fato preocupante[5], tendo em vista que um contingente adicional de tropas de pacificação da ONU retarda em ser liberado. O número de unidades militares da “União Africana” presentes é tido como insuficiente para a defesa da população mulçumana e a retirada do Exército chadiano tende a acentuar a vulnerabilidade deles.  Em um ano onde os conflitos em Ruanda celebram 20 anos, muitos consideram a situação centro-africana atual uma repetição daquele acontecimento, quando a lenta resposta de órgãos internacionais exerceu papel crucial para o expressivo derramamento de sangue naquela ocasião[6].

Além do mais, especialistas afirmam que o conflito tende a se acentuar nos próximos meses, quando começa o período em que grupos pastoris mulçumanos do Chade, devidamente armados, começam a migrar para o sul da RCA em busca de pastagens – local onde milícias cristãs são a maioria[7]. Tendo isto em vista e a acentuação dos conflitos étnicos, o Governo da presidente interina Samba-Panza espera ansiosamente pela intervenção internacional, a fim de evitar episódio similar ao de Ruanda, ocorrido em 1994.

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ImagemInternational Committee of Red Cross” (Fonte):

http://www.icrc.org/eng/index.jsp

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Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/04/05/us-centralafrica-idUSBREA340NU20140405

[2] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/04/04/world/africa/as-leaders-meet-report-describes-chaos-in-central-african-republic.html?ref=africa&_r=0

[3] VerOrganizações das Nações Unidas”:

http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=14471&LangID=E

[4] Traduzido da Agência Reuters, ver:

http://www.reuters.com/article/2014/04/03/us-centralafrica-idUSBREA320YT20140403 

[5] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/03/04/world/africa/un-debates-the-breadth-of-a-mission-in-the-central-african-republic.html?ref=centralafricanrepublic

[6] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/apr/04/20-years-genocide-rwanda-central-african-republic

[7] VerInternational Crisis Group”:

http://www.crisisgroup.org/en/publication-type/media-releases/2014/africa/the-security-challenges-of-pastorialism-in-central-africa.aspx

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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