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Governo do Brasil tenta contornar situação de brasileiros na Bolívia

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De acordo com disseminação na mídia, desde a eleição de Evo Morales para “Presidente da Bolívia”, a situação dos brasileiros que vivem em território boliviano próximo à fronteira entre os dois países tem sido de insegurança, com atos de violência e expulsão das terras por eles ocupadas.

 

De acordo com observadores, as ações impetradas tiveram a autorização do “Governo Morales”, apesar das afinidades programáticas e ideológicas entre os Governos brasileiro e boliviano e do apoio dado pelo Brasil às decisões de Evo Morales ao longo de seu mandato.

A situação denunciada é de que os maus tratos, invasões de casas, violência e matança do gado decorreram de ordens dadas por militares do Exército para o cumprimento de uma Lei aprovada durante o primeiro mandato de Evo Morales, a qual proíbe os estrangeiros de possuírem terras numa faixa de 50 quilômetros da linha de fronteira boliviana com qualquer dos países vizinhos. 

Há vários anos que produtores do Brasil se instalaram na região fronteiriça entre os dois países, gerando recursos à Bolívia, mas, segundo denúncias de organismos internacionais, eles vêm sendo segregados em função das necessidades de “Segurança Nacional” do país. 

O Governo boliviano tem negado que tenha dado ordens para o uso de violência contra os brasileiros, principalmente a ocorrida ao longo de abril deste ano (2012), mas o fato levou novamente o Brasil a acompanhar a situação e a exigir explicações do bolivianos (já o tinha feito em 2009, 2010 e 2011), embora a atitude brasileira seja de buscar uma maneira de retirar de forma pacífica os produtores que ocupam estas terras, significando em perdas para eles e gastos para o Brasil, já que, conforme foi divulgado ao longo de 2011, os brasileiros estavam sendo deslocados para o Acre, onde receberiam compensações, provavelmente dadas pelo Brasil. 

No momento, a preocupação divulgada tem sido evitar os maus tratos, razão pela qual o “Ministério das Relações Exteriores” (MRE / Itamaraty) do Brasil está acompanhando a situação e solicitando explicações das autoridades bolivianas, que não avançaram muito nas justificativas, segundo se pode inferir da declaração do porta-voz do “Ministério das Relações Exteriores” do Brasil, Tovar Nunes: “O que nos foi dito é que a ordem não foi dada por La Paz [em uma referência ao gabinete presidencial] e que as autoridades investigam de quem partiu a determinação para o ataque. (…). Também é importante informar que temos dados que [indicam que]  a situação está mais tranquila”*. De acordo com o Itamaraty, os vice-ministros das “Relações Exteriores” boliviano e brasileiro realizaram encontro para tratar do assunto, tendo o boliviano se comprometido investigar a situação.

Analistas apontam que os brasileiros afetados não sentirão muitos progressos nessas negociações, pois, além de existir a Lei que trata do assunto, algo que funciona em benefício da Bolívia (ou seja, justificando o seu comportamento) há vários interesses envolvendo os dois países no que tange a região amazônica, onde há investimentos do Brasil para a construção pela brasileira Odebrecht da estrada que atravessa a Reserva Indígena” (“Território Indígena y Parque Nacional Isiboro-Secure” / TIPNIS) com dinheiro do “Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social” (BNDES) do Brasil.

A construção da estrada vem ao encontro dos interesses econômicos e comerciais do Brasil e vem gerando manifestações contra o Governo de Morales. Como há interesses brasileiros maiores no desfecho dessa situação, acreditam os analistas que o outro problema, a situação dos produtores brasileiros instalados na Bolívia na linha de fronteira, tende a ter desfechos demorados, ou desfavoráveis a eles.

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Fontes:

* Ver:

http://www.rondoniadinamica.com/arquivo/evo-morales-nega-ordem-para-ataques-a-brasileiros-que-vivem-na-bolivia,35145.shtml

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Ver também:

http://www.rondoniaovivo.com/noticias/maes-expulsas-do-rio-mamu-sao-atendidas-pelo-projeto-etica-e-cidadania/87820

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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