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Governo russo prepara ingresso do país na OMC já no final de 2011

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O chefe da delegação russa para as conversações sobre a entrada da Rússia na “Organização Mundial do Comércio” (OMC), Maksim Medvevkov*, declarou que o processo de adesão do país ao grupo está na reta final, prevendo-se que o os russos se tornem membros daOrganização ainda no final deste ano, 2011, provavelmente em dezembro.

 

Na última semana a OMC aprovou os documentos que foram encaminhados e já fez as recomendações para a conferência ministerial que ocorrerá em dezembro, razão pela qual os russos acreditam que neste momento será oficializada a entrada do país.

Havia o entrave da Geórgia, que se constituía de um problema essencialmente político**, apesar de se apresentar como comercial, configurado em problemas alfandegários com a Abkházia e a Ossétia do Sul. No entanto, no dia 9 de novembro, quarta-feira, os dois países (Rússia e Geórgia) assinaram em Genebra um Acordo para a administração alfandegária e vigilância bilateral na questão do comércio, resolvendo o problema da mudança dos postos alfandegários russos na fronteira entre a Rússia e estes dois territórios separatistas da Geórgia que são aceitos pelos russos como regiões independentes.

Analistas apontam que foi cumprida uma das metas estipuladas pelo governo do presidente Medvedev no processo de modernização da economia, uma vez que se espera com a entrada da Rússia na “Organização Mundial do Comércio” que realmente haverá atração de investimentos e estímulo à inovação para que a economia se dinamize e se torne harmônica com padrão internacional, concordando eles com as declarações de Medvedkov.

No entanto, para os analistas, este ponto econômico e comercial é um dos aspectos da modernização e ele é frágil, pois depende da solução do principal entrave da “modernização russa” que está na esfera política.

Para muitos observadores, o sistema russo se configura numa espécie de reprodução adaptada aos novos tempos da estrutura e sistema político de partido único da antiga “Rússia Soviética”, já não permite muita expansão da sociedade, a rotatividade do poder, nem pluralismo.

Conforme havia sendo disseminado na mídia internacional ao longo dos últimos três anos, a modernização do sistema político era anunciada por Medvedev como um de seus principais projetos e tinha os sistemas políticos europeus e norte-americano como modelos, ao menos, em seus discursos.

Contudo, com a indicação e Vladmir Putin, atual “Primeiro-Ministro” e “Ex-Presidente da Federação Russa” por dois mandatos consecutivos, como candidato a sucedê-lo nas eleições presidenciais de 2012, os observadores passaram a considerar que neste tópico há três possibilidades acerca do projeto que era anunciado: (1) foi abandonado por não ser mais necessário; (2) na realidade constituía-se de discurso propagandístico; (3) Medvedev não teve força para mantê-lo; ou (4) os russos passaram a tomar como modelo, não mais os sistemas do Ocidente, mas sim o “sistema chinês”, com retoques e maquiagens do ocidentais.

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* Declaração de Medvedkov:

Nós cumprimos nossa tarefa de ingresso na OMC. A situação está como nós gostaríamos de vê-la. A Rússia é interessante para a OMC, porque nosso mercado é bastante grande e promissor – ela representa um sétimo do território alfandegário mundial. Esta foi a tese geral dos discursos dos vinte e cinco membros da OMC na reunião do grupo de trabalho. Cada país-participante da organização teve vantagem em grau maior ou menor, mas o fundamental é que agora jogam com regras comuns.

Além disso agora está aberto o caminho para a Organização de Cooperação Econômica e desenvolvimento e também para a revogação da famigerada emenda americana Jackson-Vanik. Justamente esta foi o principal freio no caminho da exportação russa aos EUA. A filiação da Rússia fortalecerá objetivamente as posições de Moscou no mundo, melhorará o clima de investimento a longo prazo e abrirá caminho a novas tecnologias (…).

A maior vantagem é que a OMC dá garantia de estabilidade ao sistema jurídico. E isto cria melhores possibilidades para a vinda de investidores estrangeiros à economia russa, em particular em seu setor de inovações. Correspondentemente através da adesão à OMC  também a Rússia obterá regimes de investimentos mais atraentes. No entanto nossos parceiros de diferentes países tinham exigências muito sérias em relação ao acesso a nossos recursos de matéria-prima. Nós não abrimos este acesso a ninguém.

Além disso a Rússia conseguiu entrar em entendimentos sobre concessões substanciais em primeiro lugar no plano de vantagens complementares no período de transição de sete anos. Como resultado durante o primeiro ano, depois do ingresso da Rússia na OMC, não será reduzida nenhuma taxa alfandegária do comércio exterior. Em diferentes grupos de mercadorias estão previstos períodos de transição de um a sete anos. Os compromissos da Rússia pela OMC não se referirão a programas de rádio e televisão e não exigirão mudanças na esfera dos órgãos de imprensa escrita.

(Fontehttp://portuguese.ruvr.ru/2011/11/16/60515357.html)

** Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2011/10/25/59338851.html

Ver também:

http://portuguese.ruvr.ru/2011/11/09/60120400.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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