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[:pt]Governo Trump busca fortalecer cooperação militar com o Egito[:]

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Ao longo da última semana, James Norman “Jim” Mattis, Secretário de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA) encontrou-se com alguns líderes de países aliados a Washington no Oriente Médio. O roteiro de Mattis visa estreitar relações já estabelecidas e amenizar tensões com tradicionais aliados, como é o caso da República Árabe do Egito. Assim sendo, no último dia 20 de abril, Jim Mattis reuniu-se com Abdel Fattah al-Sisi (Presidente do Egito), Sedki Sobhi (Ministro de Defesa) e outros funcionários do alto escalão do Governo egípcio. O encontro teve como pauta a cooperação militar e a segurança entre os dois países, além da luta contra a insurgência do Exército egípcio na Península do Sinai, onde atua um grupo ligado ao Estado Islâmico.

No início de abril, Donald Trump, Presidente dos EUA, já apontava a inversão das relações com o país, que após oito anos recebeu um Presidente egípcio. Em comunicado, a Casa Branca destacou o apoio contínuo na luta contra o terrorismo e também a importância de se aprofundar laços econômicos e comerciais, engajando suas economias, sobretudo após o ambicioso programa de reformas econômicas do Egito, que se ampara num acordo de 12 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional.

Há anos os Estados Unidos e o Egito mantêm uma forte cooperação, que em parte se respaldam nos Acordos de Camp David, firmados em 1979, que pôs fim ao conflito egípcio-israelense. Todo ano os Estados Unidos enviam cerca US$ 1,5 bilhão ao Egito, dos quais aproximadamente 1,3 bilhão tem fins militares. Em 2013, o governo de Barack Obama ameaçou congelar a ajuda, o que de fato não ocorreu, em virtude do lobby armamentista e ameaça aos interesses estadunidenses na região. O atual Presidente norte-americano, que propôs cortes massivos na ajuda externa, afirmou durante seu encontro com líder egípcio que o país continuará a receber a ajuda militar.

Desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011, resultado dos levantes da Primavera Árabe, os EUA têm uma série de dificuldades em encontrar um ponto de apoio estável no país. Compete destacar que o Egito é um país-chave para a estratégia estadunidense no Oriente Médio, tanto pelo seu peso, quanto pelo posicionamento geográfico. O Egito é o país mais populoso no contexto do mundo árabe e um dos poucos países árabes a manter relações diplomáticas e comerciais com Israel. Ademais, sua localização transcontinental, entre região nordeste da África e a Península do Sinai, no Oriente Médio, lhe confere posição geoestratégica, haja vista que o Egito controla o Canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e, consequentemente, ao Oceano Indico.

Em 2011, a onda de protestos que se alastrou no Egito refletia não apenas a crise política, mas também econômica que o país vivia e que foi potencializada pela crise econômica dos EUA e da Europa. Com receio de que a instabilidade egípcia pudesse desencadear um efeito dominó e afetar os demais Estados da região, os EUA e outras potências ocidentais pressionaram Mubarak a renunciar. No ano seguinte (2012), Mohammed Morsi, apoiado pela Irmandade Mulçumana, foi o primeiro Presidente eleito do país. No entanto, tensões entre apoiadores e opositores ao Governo Morsi levaram ao aprofundamento da crise, que culminou com o golpe militar comandando pelo general Abdel Fattah al-Sisi, Chefe das Forças Armadas, em julho de 2013.

As relações entre os dois países tornaram-se mais tensas nesse período. Os EUA, conforme mencionado anteriormente, não adotaram uma medida contrária concreta ao Governo Sisi, o que desagradou a Irmandade Mulçumana. Já Abdel Fattah al-Sisi e seus apoiadores condenavam abertamente o apoio de Obama ao Governo anterior. Desse modo, o encontro no início do mês de abril deste ano (2017) entre os Presidentes dos dois países e a recente visita de Mattis ao Egito objetivam estreitar novamente os laços dessa relação. Segundo declarações, Mattis se mostrou otimista quanto ao fortalecimento da cooperação militar e quanto às relações especiais que ligam os Ministérios de Defesa dos dois Estados.

Tal posicionamento já havia sido ressaltado por Donald Trump. Conforme destacou o Washington Post, o Presidente estadunidense assinalou que o líder egípcio tem nos Estados Unidos um aliado, e elogiou as ações do Governo Sisi no combate ao terrorismo. Para o Stratfor, contudo, as táticas pesadas do Governo egípcio não serão capazes de resolver a crescente tensão na Península do Sinai, especialmente porque o islamismo radical no país possui raízes históricas e muitos dos jihadistas presos durante o governo de Mubarak foram soltos após sua queda. Esses militantes têm formado novos grupos, tais como Ansar Beit al-Maqdis, assim, segundo pontuou o Stratfor, o combate a esses grupos deve pautar-se em uma abordagem de contra-insurgência, que leve em conta mais que ações militares, e compreender porque o Sinai é uma área de recrutamento jihadista.

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Imagem 1 Official DOD Photo as Secretary of Defense” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Mattis#/media/File:James_Mattis_Official_SECDEF_Photo.jpg

Imagem 2 Mapa do República Árabe do Egito” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Egito#/media/File:Egypt_-_Location_Map_(2013)_-_EGY_-_UNOCHA.svg

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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