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Grupos Insurgentes Sírios apelam à união contra a Rússia

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Os insurgentes sírios, oposicionistas ao presidente Bashar alAssad, pedem unidade entre as facções no combate à Rússia, que é considerada por eles como um ocupante ilegítimo da Síria. Os 41 grupos (excluindo o Estado Islâmico), a ala da alQaeda na Síria e a Frente alNusra, que uniu forças com a organização Ahrar alSham[1], conclamam a união na luta contra o que chamam de coligação russa-iraniana. A Frente alNusra, a Ahrar alSham e a Ajnad alSham formaram a aliança denominada Jund alMalahim (Soldados dos Épicos), tendo construído, conjuntamente, uma sala de operações na área rural de Damasco, para levarem a cabo as ações contra o Regime Sírio e a Rússia[2].

Apoiados pelo Exército Livre da Síria e sob a liderança do grupo salafista Ahrar alSham, que faz oposição ao regime de Bashar alAssad e ao Estado Islâmico, a aliança de insurgentes designou a Rússia como país inimigo. Com uma quantidade significativa de combatentes, eles pretendem unir forças em torno de um objetivo comum, que é a batalha contra os apoiantes do atual Governo. Os destaques desta coligação são Ahrar alSham e o preeminente Jaysh alFateh (Exército da Conquista), grupo  que, desde março deste ano (2015), passou a dominar quase que totalmente a Província de Idlib[3].

No momento, Ahrar alSham possui um número de guerrilheiros que oscila entre os 10.000 e os 20.000 ativos, contando com o apoio da Turquia e do Qatar. Juntas, estas facções formam a oposição armada na Síria que, apesar de terem alterado os seus laços durante os 4 anos de guerra, não reduziram o efetivo de combatentes que, hoje, ronda os 100.000 efetivos[4].

Os insurgentes alegam que a intervenção russa na Guerra Civil evitou o colapso de alAssad, que estava próximo de “uma derrota massacrante[5]. Os insurretos fizeram um comunicado conjunto na tentativa de conseguir a assistência de países como a Turquia, aArábia Saudita e o Qatar, que já apoiam as suas ações. Sob a justificativa de que a Rússia está atacando civis e não o Estado Islâmico, Ahrar alSham afirmou que “esta nova realidade requer que os países da região e os aliados, em concreto, acelerem a formação de uma aliança regional para enfrentar a aliança russo-iraniana que ocupa a Síria[6].

A decisão de unir forças entre os opositores de alAssad surgiu na sequência de um pronunciamento do Almirante Vladimir Komoyedov, no qual ele destacou que voluntários russos, em breve, poderão estar nos campos de batalha sírios. A assertiva doAlmirante ainda deu a entender que haverá a participação de mercenários, ao afirmar que “uma unidade de voluntários russos, veteranos de guerra, provavelmente aparecerá nas fileiras do Exército sírio. O que traz os voluntários para lá, além da causa? Claro, é provavelmente o dinheiro[7]. Segundo Alexander Golts, um militar independente e analista de Defesa, “o regime russo evitou cuidadosamente a questão [da utilização de mercenários], porque nunca falou sobre o dinheiro recebido por aqueles que lutam no leste da Ucrânia[8].

Recentemente, Moscou propôs a coordenação conjunta com os EUA e com os rebeldes. No entanto, os EUA e o Exército Livre da Síria rejeitaram a proposta sendo que o último alegou que, frequentemente, as suas posições são os alvos russos[9]. Para Sergey Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, a recusa por parte dos EUA é um erro pois, conforme afirmou, “estamos prontos para dar apoio aéreo à oposição patriótica, incluindo o chamado Exército Livre, mas temos de entrar em contato com as pessoas que têm autoridade para representar determinados grupos armados[10]. Uma outra tentativa russa para pôr fim à Guerra Civil Síria foi a sugestão de realização antecipada de eleições presidenciais e parlamentares no país, à qualalAssad se mostrou receptivo, dizendo concordar, se ela for aceite pelo seu povo. Porém, as alternativas oferecidas pela Rússia não satisfazem os rebeldes, que desconfiam das intenções do Governo Sírio e acreditam que os russos estão se utilizando de manobras políticas para manter alAssad no poder e defender os seus interesses no Oriente Médio[11].

Enquanto permanecem as hostilidades, os rebeldes se mantêm inflexíveis e, de certo modo, continuam conquistando apoio de seus pares. A Irmandade Muçulmana na Síria conclamou a Jihad contra a Rússia que, hoje, é considerada um país inimigo. Os insurgentes parecem ter ampliado a sua área de ação contra o triângulo formado pelo Regime Sírio, o Irã e a Federação Russa. Com a formação da coalizão entre os revoltosos islâmicos é provável o aumento da intensidade dos combates e Moscou terá de enfrentar, mais uma vez, a exemplo do que aconteceu no Afeganistão, as Forças Armadas nãoestatais, que poderão querer levar os combates para o solo, onde são maiores as possibilidades de vitória contra o adversário.

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Imagem Um insurgente do movimento Ahrar alSham reage ao lançamento de rockets Grad disparados na província de Idlib (Síria) contra forças leais ao presidente Bashar alAssad (25 de abril de 2015)” (Fonte):

https://static2.businessinsider.com/image/55dca7bd9dd7cc15008b5caa-3300-2200/rtx1a82e.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/10/syria-rebels-russia-151006003223222.html

[2] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/10/al-nusrah-front-ahrar-al-sham-form-anti-russian-alliance-in-damascus-countryside.php?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+LongWarJournalSiteWide+%28The+Long+War+Journal+%28Site-Wide%29%29

[3] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/10/al-nusrah-front-ahrar-al-sham-form-anti-russian-alliance-in-damascus-countryside.php?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+LongWarJournalSiteWide+%28The+Long+War+Journal+%28Site-Wide%29%29

[4] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/01/whos-who-syrian-conflict-russian-airstrikes

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/rebeldes-sirios-pedem-alianca-contra-russia-ira-17689861

[6] Ver:

http://www.timesofisrael.com/syrian-rebel-groups-unite-to-fight-russian-occupiers/

[7] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/05/syrian-insurgent-groups-vow-to-attack-russian-forces

[8] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/05/syrian-insurgent-groups-vow-to-attack-russian-forces

[9] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/10/russia-offers-coordinate-rebels-syria-free-syrian-army-usa-kerry-lavrov-151024220647655.html

[10] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/10/russia-offers-coordinate-rebels-syria-free-syrian-army-usa-kerry-lavrov-151024220647655.html

[11] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/10/25/us-mideast-crisis-syria-election-idUSKCN0SJ05R20151025

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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