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Grupos Irregulares Palestinos executam ações militares coordenadas contra Israel

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Diferentemente de outros momentos da história recente do conflito israelo-palestino, nos quais os embates, na maioria das vezes, envolveram diretamente Israel e o Hamas, hoje, ele é marcado por uma nova estratégia do Partido islâmico. As ações executadas pelos palestinos não têm como único responsável o Hamas e sim os vários grupos que formam a resistência palestina. As ações são coordenadas e eficazes, o que tem dificultado a Israel a obtenção, a curto prazo, de resultados mais precisos, à semelhança do que aconteceu no passado.

Nos enfrentamentos anteriores com Israel, o Hamas sofreu significativas perdas de seus líderes, situação que não está se repetindo neste momento devido ao elevado nível de coordenação adotada, que tem contribuído para a redução do número de novos mártires[1]. Em Gaza, as facções armadas evitam chamar a atenção e os locais de lançamento de rockets, bem como os depósitos de armas têm sido mantidos em segredo e longe do alcance dos Serviços de Inteligência israelenses.

Outra parte desta estratégia é a existência de uma divisão interna das atividades no combate a Israel. Enquanto o Hamas e a Jihad Islâmica são os responsáveis pelo lançamento de rockets de médio alcance, as demais Brigadas[2] oferecem cobertura aos dois principais grupos islâmicos, lançam os morteiros e os rockets de curto alcance, monitorando a movimentação dos israelenses nas fronteiras[3].

Há indícios da existência de uma indústria militar em Gaza que produz mísseis de médio e de longo alcance. De acordo com reportagem do jornal Yediot Ahronoth, publicada em 14 de julho, “desde a Operação Pilar Defensivo há quase dois anos, o número de mísseis de longo alcance do Hamas em Gaza aumentou vinte vezes, praticamente sem nenhum contrabando do Sudão ou do Irã[4]. Esta situação, para alguns analistas, implica no fato de que nas negociações para o cessar-fogo deverá estar incluída a desmilitarização da Faixa de Gaza, pois, ao contrário, em breve terão início outros enfrentamentos[5].

É fato que o Hamas conseguiu atingir um patamar mais sofisticado de seu arsenal bélico pois, pela primeira vez, usou um aparelho não tripulado contra o território inimigo[6] e afirmou que a sua ala militar, as Brigadas Izz al-Din al-Qassan, enviaram vários drones para o território israelense. Porém, o único drone até agora confirmado é aquele que foi interceptado por Israel na passada segunda-feira, dia 14 de julho[7]. A ausência de um cessar-fogo imediato aproxima a possibilidade de uma completa incursão terrestre das tropas israelenses em Gaza.

Esta hipótese poderá se confirmar se a Força Aérea de Israel não conseguir paralisar as ações do Hamas e dos demais militantes no terreno. No entanto, conforme assinala a imprensa local, as Forças de Defesa de Israel, através de centenas de ataques aéreos, conseguiram destruir aproximadamente um terço do arsenal de rockets do Hamas e comprometer a infraestrutura do grupo através de ataques às instalações subterrâneas onde se encontravam os armamentos[8]

Segundo um oficial palestino, o Hamas e a Jihad Islâmica querem o fim das hostilidades em curso. De acordo com esse oficial, “o Hamas está desesperado por um cessar-fogo. Eles apelaram para o Catar, o Egito e a Turquia para ajudar a alcançar uma trégua com Israel[9], mas, até o momento, isto não se confirmou. Enquanto a trégua não for estabelecida, aumenta a apreensão em torno do crescimento das hostilidades e de embates mais fortes.

No momento, o número de vítimas cresce a cada dia e os palestinos com dupla nacionalidade estão abandonando a região. O estabelecimento de uma trégua eliminará a hipótese de uma incursão terrestre de Israel na Faixa de Gaza, que poderá ser catastrófica para ambos os lados. O fim dos combates amenizará os problemas no que se refere ao número de mortos e feridos e evitará, também, uma nova vaga de refugiados palestinos.

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Imagem Militante do Hamas exibe um drone (veículo aéreo não tripulado)” (Fonte):

http://mashable.com/2014/07/14/hamas-drones-real/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/gaza-exclusive-look-roles-al-qassam-brigades-and-islamic-jihad

[2] Devemos referir, neste grupo, as Brigadas Abu Ali Mustafa; as Brigadas al-Nasser Salah al-Deen; o Exército al-Asifa; as Brigadas da Resistência Nacional; as Brigadas Ayman Judah; as Brigadas al-Ansar e, também, as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa.

[3] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/gaza-exclusive-look-roles-al-qassam-brigades-and-islamic-jihad

[4] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4542549,00.html

[5] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4542549,00.html

[6] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4543164,00.html

[7] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/israel-derruba-drone-palestino-aumentam-esforcos-por-cessar-fogo.html

[8] Ver:

http://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/PA-official-Hamas-desperate-for-ceasefire-362768

[9] Ver:

http://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/PA-official-Hamas-desperate-for-ceasefire-362768

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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