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Hackers atacam Conferência Internacional de Segurança Cibernética

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A Conferência Internacional de Conflitos Cibernéticos, ou CyCon, a ser realizada em Washington, nos dias 29 de maio a 1o de junho de 2018, já se tornou alvo de ataques cibernéticos. O evento, organizado pelo Exército norte-americano e pelo Centro de Excelência de Defesa Cibernética Cooperativa (CCDCOE, na sigla em inglês), da OTAN, representa uma das mais importantes Conferências mundiais na área de segurança cibernética.

Ele irá reunir palestrantes como o general Paul Nakasone, atual diretor do Centro de Defesa Cibernética do Exército Americano; e o senador Martin Heinrich, que vêm criticando o Governo russo nas investigações que estão sendo feitas a respeito de um suposto envolvimento de hackers financiados pelo Kremlin.

Banner da conferência CyCon

Além destas personalidades, também participarão de especialistas de diferentes instituições, vindas de setores civis e militares de diversos países, como Warren Mercer, do grupo de inteligência Talos, que foi o responsável pela identificação do ataque que ocorreu neste momento, e declarou que “esta conferência tem muitos participantes interessantes, incluindo membros militares atuais. (…) O ataque a esses tipos de indivíduos poderia gerar informações extremamente sensíveis (…) é isso provavelmente que os atores esperavam neste caso”.

Os convidados para o evento em 2018 foram alvos da invasão através de um e-mail contendo um panfleto do evento na forma de um documento do Word, intitulado “Conference_on_Cyber_Conflict.doc”. O documento contém os logos, particionadores e o texto copiado do site da Conferência. Porém, dentro dele também existem links que realizam download e instalam um malware chamado “Seduploader”, que é essencialmente um software malicioso para permitir aos hackers o reconhecimento da vítima, fazendo capturas de tela e reunindo informações básicas a respeito do alvo, para então decidir se o mesmo deve ser monitorado a longo prazo.

De acordo com o relatório da Talos, o método utilizado na ação corresponde às mesmas técnicas utilizadas pelo grupo Fancy Bear, que suspostamente é o responsável pelo envolvimento russo nas eleições de 2016, questão amplamente discutida na grande mídia e também observada aqui. Empresas de segurança e agências governamentais norte-americanas de inteligência e segurança alegam que o grupo faz parte da GRU, agência de inteligência militar russa.

Seguindo as acusações, por meio de uma publicação da embaixada russa nos Estados Unidos, a Rússia voltou a negar qualquer envolvimento, afirmando: “Nós declaramos repetidamente em todos os níveis: a Rússia não interferiu nos assuntos internos dos Estados Unidos” (…) “Desde novembro de 2015, Moscou sugeriu a realização de consultas bilaterais sobre ameaças cibernéticas, mas Washington não mostrou disponibilidade para isso”.

Além da evidente ironia em se realizar ataques cibernéticos contra uma Conferência de segurança cibernética, o ocorrido mostra como a espionagem e a sabotagem que sempre permearam as relações entre os países confirmam essa nova face, muito mais intrusiva e de fácil acesso, na medida em que as atividades humanas se aprofundam no espaço cibernético. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Documento falso usado no ataque” (Fonte):

http://blog.talosintelligence.com/2017/10/cyber-conflict-decoy-document.html

Imagem 2 Banner da conferência CyCon” (Fonte):

http://aci.cvent.com/events/2017-international-conference-on-cyber-conflict-cycon-u-s-/event-summary-004d598d31684f21ac82050a9000369f.aspx

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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