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Hackers conseguem invadir e manipular os resultados de máquinas de votos

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No mês passado, em Las Vegas, Durante a conferência de cibersegurança Def Con, famosa por aglomerar hackers e interessados por tecnologia, os visitantes foram desafiados a hackear aparelhos de votação, em uma “vila das máquinas de eleição”, composta por cerca de trinta máquinas e equipamentos distintos voltados para registro e contabilização de votos, destacando-se que todas elas já haviam sido utilizadas em eleições anteriores e continuam a ser usadas. O desafio foi realizado com o intuito de mostrar as vulnerabilidades para os fabricantes.

Os visitantes conseguiram burlar os sistemas de segurança e acessar os comandos e conteúdos das máquinas em menos de 90 minutos. Como resultado dos ataques, os hackers assumiram total controle dos equipamentos e até mesmo transformaram uma em um dispositivo de música. Os visitantes conseguiram acesso direto ao conteúdo dos aparelhos, os quais ainda usavam o sistema operacional Windows XP, mesmo depois do mesmo ter se tornado obsoleto, sem atualizações de segurança.

Máquinas rodando sistemas operacionais obsoletos

Nos conteúdos acessados pelos hackers ainda havia os registros de votos de eleições anteriores. Dentre as máquinas hackeadas, a AccuVote TSX ainda é utilizada em 19 Estados norte-americanos e a Sequoia AVC Edge, é utilizada em 13. Um dos hackers conseguiu expor uma vulnerabilidade interna do sistema Express-Pollbook, o qual permitia a realização de ataques remotos e até mesmo a manipulação de resultados.

A atração da “vila das máquinas de eleição”, na qual hackers eram encorajados a evidenciar as vulnerabilidades existentes, ilustra uma crescente preocupação da população com elementos de cibersegurança, principalmente relacionados a eleições, levando em consideração às suspeitas de envolvimento de russos nas eleições estadunidenses de 2016.

Jake Braun, especialista da segurança cibernética da Universidade de Chicago, comentou: “Sem dúvida, nossos sistemas de votação são fracos e suscetíveis a ataques. Graças aos contribuintes da comunidade de hackers hoje, descobrimos ainda mais sobre exatamente como. (…). O assustador é que também sabemos que nossos adversários estrangeiros – incluindo a Rússia, a Coreia do Norte e o Irã – possuem a capacidade de hackeá-los também, no processo minando os princípios da democracia e ameaçando nossa segurança nacional”.

De fato, a possibilidade de que os aparelhos sejam invadidos sempre compôs os argumentos contra o uso de tais máquinas em eleições, favorecendo o uso de papéis. No entanto, a distribuição e contagem de cédulas de papel são geridas por sistemas computadorizados que também podem ser invadidos e manipulados, além do fator humano, o qual vem sendo cada vez mais explorado por indivíduos capazes de conseguir acesso a oficiais e eleitores.

Conforme o grau de inserção da sociedade no meio técnico-científico-informacional aumenta, e a população mundial digitaliza aspectos de sua vida, do mais trivial, como compras online, ao mais complexo, como bolsas de valores e eleições, a interação da sociedade no domínio cibernético também traz novos desafios, apesar de seus inúmeros benefícios.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Baner do DEFCON VotingVillage” (Fonte):

https://twitter.com/VotingVillageDC/media

Imagem 2Máquinas rodando sistemas operacionais obsoletos” (Fonte):

https://twitter.com/votingvillagedc

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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1 Comments

  1. AC Ferreira 3 de agosto de 2017

    Muito bom artigo. Uma leitura minuciosa e atenta, inclusive dos outros artigos de referência serve para desmistificar, pelo menos, 02 confusões e generalizações comuns: 1) a urna brasileira cujo processo é eminentemente off-line não pode ser acessada e invadida externamente durante a votação porque não está conectada à rede internet, as fragilidades são de outra natureza; 2) o fato de hackers acessarem informações e dados relativos a pesquisas de intenções de votos e outros similares, para subsidiar campanhas maledicentes não configura invasão de urna. Esse tipo de campanha já era feito antes mesmo da existência de internet e de urna eletrônica e até hoje a mídia e governos fazem manipulação de informações (omitir, distorcer, exagerar).

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