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Hillary Clinton: da nomeação à salvação do establishment

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Com as primárias dos partidos republicano e democrata próximas do fim, a contenda eleitoral envolvendo os dois tradicionais partidos da política estadunidense tem definido, ao menos matematicamente, os candidatos para o sufrágio que definirá o 45º Presidente deste país.

Com a vitória de Hillary Clinton nas Primárias da Califórnia, a ex-Primeira-Dama, ex- Senadora pelo Estado de Nova Iorque e ex-Secretária de Estado na primeira gestão de Barack Obama não pode mais ser alcançada em números de delegados por seu opositor, o senador por Vermont, Bernie Sanders, tornando-se, assim, a primeira mulher na história do país a garantir a nomeação como candidata presidencial.

No âmbito das eleições gerais, de acordo com cientistas políticos, os entendimentos quanto às plataformas políticas que adotarão os candidatos democrata e republicano ficarão mais claros, possibilitando compreender as vertentes e as interpretações que cada um terá, a julgar em áreas sensíveis e de grande interesse, dentre as quais a econômica, questões sobre imigração, emprego, salário mínimo, política externa, previdência social, bem como outros projetos dessa matriz.

Ao focar o recorte na quase consolidada nomeação da candidata democrata, fica possível entender que, ao contrário do que declara Donald Trump, sua plataforma política, bem como suas estratégias de governança focam na manutenção do establishment, tradicional modelo que estrutura as relações políticas em Washington. Por sobreviver à onda populista de Trump e também de Sanders, cada qual impondo agendas e interpretações distintas em suas respectivas declarações, Hillary Clinton, como a única “insider” do tradicional sistema político, automaticamente ganha o apoio deste movimento oculto nas eleições gerais fazendo dela virtualmente favorita a assumir a Casa Branca em 2017.

Contudo o caminho será árduo, inicialmente Clinton terá que convencer os eleitores de Bernie Sanders, que não acreditam em sua inclinada à esquerda e no tom progressista dos últimos discursos. Terá também que buscar o apoio da comunidade dos falcões da segurança nacional, do livre mercado e de conservadores pró-diversidade que estão em tese sem ter quem apoiar. Nesse sentido, o refúgio poderá ser na candidata democrata, simpática à manutenção do status quo em Washington e contra a vertente populista que provavelmente será o modus operandi do rival de campanha, o magnata republicano.

Outro fator que deve ser inserido no cálculo é o apoio já declarado do presidente Barack Obama à candidatura de sua ex-Secretária de Estado. Obama goza, segundo recente pesquisa do Institute Gallup, de boa avaliação entre os liberais, entendido nos Estados Unidos como mais a esquerda do espectro político e também entre os moderados, deste modo, ao final do seu mandato, Obama testará a solidez dos números das últimas pesquisas que o colocam em uma boa posição, para dar a Clinton uma margem de manobra com as diferentes correntes votantes do país, assim como dar o nome de consenso que será apoiado pelo establishment.

Após a formalização de sua candidatura, provavelmente durante a Convenção Democrata, os trabalhos serão focados em balancear essa linha tênue que separa seu passado mais à direita com as demandas muito bem trabalhadas por seu opositor na corrida pela nomeação, Bernie Sanders, e até por Obama, que conduziu o país a um período mais latente de bem-estar social. A prioridade desta nova fase na campanha poderá ser de tentar unir os democratas tecnocráticos, com os republicanos de livre mercado, especialistas em segurança nacional, os CEOs das grandes corporações, que consequentemente também são grandes doadores, enquanto tenta afinar o discurso mais à esquerda para atrair os potenciais votantes do senador de Vermont.

Os resultados ainda são pouco claros, mas é certo que a corrida terá um candidato “franco-atirador”, contra outro melhor preparado e mais alinhado com as demandas de um sistema que oligárquico e bem estabelecido.

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Imagem (Fonte):

http://www.politico.com/magazine/story/2016/06/hillary-clinton-nomination-barack-obama-establishment-213947

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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