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Hisham Ali Ashmawi é o líder de Jama’at al-Murabitoon, novo Grupo Irregular Egípcio

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No Egito, a Primavera Árabe e a ascensão e queda do Governo islâmico despertaram o surgimento de vários grupos irregulares que ameaçam as autoridades e a segurança do país. Hoje, Jamaat alMurabitoon, o mais recente grupo insurgente egípcio, liderado por Hisham Ali Ashmawi, também conhecido como Abu Omar alMuhajir alMasri, contribui para tornar mais complexa a segurança e o combate ao terrorismo naquele território.

O foco deste grupo é o Egito, com especial destaque para o seu Presidente, Abdel Fattah elSisi, que é acusado de “torturar os muçulmanos[1]. Hisham Ali Ashmawi, o Emir do grupo, é um ex-oficial das Forças Especiais[2], onde serviu, provavelmente, entre os anos de 2009 e 2011[3], sendo demitido em virtude de suas ideias radicais. Ele é um dos homens mais procurados no país e, no seu currículo, acumula vasta experiência militar e conhecimento do mundo árabe, o que eleva os riscos em termos de segurança para o Egito e seus aliados estratégicos, como os EUA[4].

O líder de Jamaat alMurabitoon também participou na organização do Exército Livre da Síria e, segundo análises, num primeiro momento esteve vinculado a Ansar Bayt alMaqdis, grupo jihadista ativo na Península do Sinai que, em novembro de 2014, se desvinculou da alQaeda e jurou fidelidade ao Estado Islâmico[5]. Naquela época, ocorreu uma divisão interna dos insurgentes de modo que aqueles que não se submeteram à liderança do Califa Abu Bakr al-Baghdadi permaneceram fiéis ao Emir Ayman al-Zawahiri[6].

Foi neste contexto que surgiu Jamaat alMurabitoon, a mais nova instituição jihadista egípcia. Esta organização tornou-se conhecida por intermédio de uma mensagem de vídeo divulgada em 20 de julho de 2015, no sítio web Youtube. Na mensagem,Hisham Ali Ashmawi aparece em duas imagens com uniforme militar, identificado com seu nom de guerre Abu Omaral Muhajir alMasri[7].

Para Nabil Naim, ex-militante muçulmano e especialista em grupos islâmicos, Hisham Ali Ashmawi está apelando a uma Guerra Santa contra o Egito, com a finalidade de conseguir financiamento. Na mensagem, o líder de Jamaat alMurabitoon conclama os fiéis para combaterem o inimigo enfatizando que “todos vocês devem se unir para enfrentar o vosso inimigo. Não os temais, mas temei a Deus se vocês são realmente crentes[8].

Ele disse, ainda, que o Egito está dominado pelo “novo Faraó[9], acusando o presidente Abdel Fatah elSisi e “seus soldados[9] de combaterem “a nossa religião[9] e de matarem “nossos homens e mulheres[9]. O discurso de áudio do líder islâmico, na verdade, não é uma surpresa para as autoridades egípcias que o apontam como sendo o responsável pelo treinamento militar dos combatentes baseados na Província do Sinai, pelo ataque mais sangrento ocorrido no Egito nos últimos tempos, no qual morreram 33 membros das Forças de Defesa e de Segurança[10] e, ainda, pela morte do PromotorGeral do Egito, Hisham Barakt, num atentado à bomba, no Cairo, em finais de junho deste ano (2015)[11].

O grupo Jamaat alMurabitoon é, para o Egito, mais um desafio a ser vencido. Se, antes, a preocupação maior estava direcionada para o braço armado do Estado Islâmico, hoje há mais uma facção que, para além de ser uma ameaça interna ao país, também coloca em risco a segurança de seus aliados estratégicos.

Devido ao fato de estar ligado à alQaeda, Jamaat alMurabitoon adota a mesma estratégia daquela organização, que é a jihad global, ao contrário do Estado Islâmico, que combate os inimigos no terreno. Embora o novo grupo se encontre em fase de consolidação e esteja na dependência da captação de recursos econômicos, isto não significa fragilidade por parte de seus mujahideen, o que representa para o Governo de elSisi um longo processo de luta para desarticular todos os grupos insurgentes em território egípcio que, dependendo da estratégia adotada pelo Estado, poderá aguçar ainda mais o avanço e a determinação dos insurgentes.

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Imagem Hisham Ali Ashmawi é considerado o principal suspeito do atentado terrorista que vitimou Hisham Barakt, o ProcuradorGeral do Egito, em 29 de junho de 2015” (Fonte):

https://media3.s-nbcnews.com/j/newscms/2015_27/1098271/150629-cairo-0938_9d05780a562e25b1c1e01f898f413adb.nbcnews-ux-2880-1000.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/07/former-egyptian-special-forces-officer-leads-al-murabitoon.php

[2] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

 [3] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/07/former-egyptian-special-forces-officer-leads-al-murabitoon.php

[4] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[5] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/ansar-bayt-al-maqdis-e-doravante-o-braco-armado-do-estado-islamico-na-peninsula-do-sinai/

[6] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/07/former-egyptian-special-forces-officer-leads-al-murabitoon.php

[7] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2015/Jul-23/307870-wanted-egyptian-militant-urges-jihad-against-sisi-site.ashx?utm_source=Magnet&utm_medium=Entity%20page&utm_campaign=Magnet%20tools

[8] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[9] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[10] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[11] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/egito-aprova-lei-anti-terrorismo/

                

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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