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Imagem favorável sobre os EUA tem queda na América Latina

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Após a eleição do atual Presidente Donald Trump, a opinião sobre os Estados Unidos sofreu deterioração significativa na América Latina e ao redor do mundo, de acordo com pesquisa realizada pelo instituto Pew Research Center e publicada em 26 de junho deste ano (2017). O estudo tem como fonte consulta por amostragem realizada em 37 países em de todos os continentes. A partir destas, constatou-se que o índice de visão positiva sobre os EUA caiu de 64 para 49 por cento em 2017.

Os números relativos à confiança nas decisões internacionais do Presidente norte-americano tiveram queda ainda maior, de 64 para 22 por cento em âmbito global. Segundo a pesquisa, Trump é visto como arrogante por mais da metade do público mundial e o questionamento sobre sua capacidade de liderança é o problema mais citado.

Gráfico produzido a partir dos dados de pesquisa realizada pelo Pew Research Center

Esse tipo de pesquisa é realizado pelo centro desde 2002 e tem permitido monitorar global e regionalmente a popularidade da potência; além de mostrar as diferenças causadas pelas mudanças no Executivo. Logo após a eleição de Barack Obama (2008), também houve variação na imagem do país, contudo, naquele momento foi positiva. Durante seu Governo, houve melhora na imagem da potência entre os países do hemisfério ocidental e os níveis de confiança foram superiores aos de seu antecessor, George W. Bush.

Os dados de 2017 mostram que, paralelamente à mudança presidencial, houve queda da visão positiva sobre os EUA em todos os sete países latino-americanos consultados: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela. A menor variação foi na Venezuela, país que vive um cenário de intensa instabilidade interna. Já a mais aguda foi no México, onde houve queda de 36 por cento na quantidade de pessoas com opinião positiva sobre o vizinho do Norte. O importante declínio é decorrente da promessa eleitoral de Trump sobre construir um muro na fronteira entre os dois países. Segundo a mesma pesquisa, 94 por cento dos mexicanos se opõem a construção da barreira física.

Com a mudança na opinião pública, o México ultrapassou a Argentina no que se refere a visão mais negativa sobre a potência na América Latina. Até o presente ano (2017), o país platino possuía as mais baixas opiniões sobre os EUA na região. Em todas as pesquisas do organismo, a percepção positiva foi inferior a 50 por cento na Argentina, atingindo um mínimo de 16 por cento em 2007, o que se explica pela existência de um histórico de relações difíceis com os norte-americanos e pela retórica anti-imperialista que vem desde Juan Domingos Perón, figura chave na política argentina que influenciou os Governos de Néstor Kirchner (2007-2010) e Cristina Kirchner (2010-2015).

Gráfico produzido a partir dos dados de pesquisa realizada pelo Pew Research Center

No Brasil, houve queda significativa, de 23 por cento, com os resultados mostrando clara divisão da população. De acordo com a estimativa, metade dos brasileiros tem uma imagem negativa sobre a potência. Além disso, houve declínio expressivo no Chile, na Colômbia, no México e no Peru, países que possuem Tratados de Livre Comércio com os EUA, nos quais os índices de favorabilidade eram bastante elevados.

A variação na opinião pública com relação aos Estados Unidos não deve trazer alterações nas Políticas Exteriores dos países latino-americanos no curto prazo. De acordo com a pesquisa, a maioria dos entrevistados manifestaram não acreditar em mudanças nas relações bilaterais com os norte-americanos. Contudo, as políticas mais unilaterais da potência, assim como o questionamento a tratados de livre comércio multilaterais por Trump tende a afastar os governos mais liberais. Além disso, no longo prazo, também é possível que haja influência nas eleições locais, favorecendo candidatos mais nacionalistas e de retórica anti-imperialista. No México, por exemplo, houve queda na popularidade do presidente Enrique Peña Nieto e o candidato nacionalista López Obrador ganhou popularidade após a eleição de Trump.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Donald Trump fala ao público em Derry, New Hampshire, em agosto de 2015” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mr_Donald_Trump_New_Hampshire_Town_Hall_on_August_19th_2015_at_Pinkerton_Academy_in_Derry,_NH_by_Michael_Vadon_07.jpg

Imagem 2Gráfico produzido a partir dos dados de pesquisa realizada pelo Pew Research Center” (Fonte):

http://www.pewglobal.org/2017/06/26/u-s-image-suffers-as-publics-around-world-question-trumps-leadership/

Imagem 3Gráfico produzido a partir dos dados de pesquisa realizada pelo Pew Research Center” (Fonte):

http://www.pewglobal.org/2017/06/26/u-s-image-suffers-as-publics-around-world-question-trumps-leadership/

Livia Milani - Colaboradora Voluntária

Mestre e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais "San Tiago Dantas" (UNESP,UNICAMP, PUC-SP) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Participa do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP). Pesquisa principalmente nos seguintes temas: Segurança Regional, Política Externa, Integração Regional, Relações Brasil-Argentina, cooperação em Defesa na América do Sul, Relações Inter-americanas.

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