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Imigrantes processam Governo dos EUA por terem cidadania negada

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Cinco residentes de longa data nos Estados Unidos decidiram processar o Governo após terem o processo de naturalização atrasado em meses e a cidadania negada por razões de Segurança Nacional. Os cinco imigrantes são muçulmanos praticantes ou de países de maioria muçulmana: Ahmad e Reem Muhanna são palestinos e tentam cidadania desde 2007, Ahmed Hassan é refugiado da Somália e seu processo começou em 2006, já Neda Behmanesh e Abrahim Mosavi são iranianos[1].

Eles foram barrados sob o Programa de Revisão e Resolução Controlada de Solicitação (CARRP, na sigla em inglês). Segundo a União dos Americanos pelos Direitos Civis (ACLU, na sigla em inglês), grupo que está defendendo os imigrantes, o Programa permite que o Governo negue e atrase pedidos de cidadania de milhares de árabes, muçulmanos, asiáticos etc.,sem nenhuma outra justificativa além da Segurança Nacional, o que é considerado no mínimo vago, da sua perspectiva. Os critérios para criar a lista negra da imigração incluem automaticamente, por exemplo, toda e qualquer pessoa remotamente ligada à lista de terroristas do Governo americano, que tem mais de 1 milhão de nomes[2].

Segundo a ACLU, o CARRP foi criado com pouca supervisão do Congresso, quase nenhum debate público e em contradição com o Ato Nacional de Imigração. Além disso, as pessoas que tem o processo negado não recebem explicações suficientes para exercer seu “direito a um processo justo”, garantido pela Constituição. Há apenas um mês, o mesmo raciocínio foi usado pela Corte Suprema de Justiça para considerar inconstitucional uma lista negra de pessoas proibidas de pegar voos nacionais.

Assim como a lista de pessoas proibidas de voar, as pessoas não são avisadas que estão sujeitas ao CARRP, que elas foram rotuladas interesse de segurança nacional, e que são mantidas por esse processo. Elas precisam ser avisadas do porquê e dadas uma oportunidade de responder[3], afirmou Jennie Pasquarella, advogada do ACLU.

No entanto, alegam os observadores que essa não é a única esfera em que árabes e muçulmanos recebem tratamento diferenciado nos Estados Unidos. Segundo um relatório publicado na semana passada pela Al Jazeera, desde os atentados de “11 de Setembro de 2001” que o grupo é o alvo principal de medidas anti-terroristas, sofrendo com julgamentos injustos, truculência policial e sentenças mais duras que o necessário[4].

E o pior não é a justiça, é o apoio dado pelo resto da população a tais medidas vistas como preconceituosas. Segundo uma pesquisa do Instituto Árabe Americano, 42% dos 1.110 entrevistados acredita ser justo que a polícia e as leis mirem Árabes ou Muçulmanos americanos, enquanto apenas 27% dos respondentes tem uma opinião favorável ao grupo.

De acordo com analistas, esta é apenas mais uma pesquisa, dentre tantas, que mostra como a sociedade americana se comporta em relação à comunidade muçulmana após o “11 de Setembro”.

Nesse sentido, entendem que, enquanto a sociedade não entender que nem todo árabe é muçulmano, bem como que nem todo muçulmano é árabe, e, mais importante, que ambos não são necessariamente terroristas, as leis não vão mudar, tornando-se uma ameaça aos direitos civis, liberdades e inclusão de árabes e muçulmanos na sociedade.

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Imagem (Fonte):

http://christianreadsquran.wordpress.com/2012/01/19/my-final-thoughts/arab-americans-hold-signs-as-they-demonstrate-outside-the-federal-court-building-in-detroit-michigan/

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[1] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/us-muslim-residents-sue-government-over-citizenship-denials-1459383

[2] Ver:

http://rt.com/usa/177340-us-muslims-immigration-lawsuit/

[3] Ver:

http://www.worldbulletin.net/todays-news/141709/us-residents-sue-over-immigration-denials-targeting-muslims

[4] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2014/07/report-us-unfairly-targeted-arabs-muslims-201472711538316390.html

[5] Ver:

http://blogs.reuters.com/faithworld/2014/07/31/american-opinion-of-arabs-and-muslims-is-getting-worse-poll/

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Ver também:

http://www.huffingtonpost.com/james-zogby/arab-americans-and-americ_b_5644041.html

Taise Moreira - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Segurança Internacional com especialização no Oriente Médio e em Inteligência pela Sciences Po Paris. Graduada em Jornalismo pela PUC-Rio. Foi bolsista CNPQ para estudo do uso da mídia nas eleições municipais de 2012 no Rio de Janeiro.

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