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Impasse na Síria torna situação mais próxima de “Guerra Civil” e possível “Guerra Regional”

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Domingo, dia 20 de novembro, se encerrou o prazo dado pela “Liga Árabe” para que o Governo sírio pusesse fim à repressão no país e aceitasse o envio de uma Missão da Entidade para tornar possível a continuidade do que denominam “Mapa do Caminho Sírio”. 

 

O “Governo Assad” aceitou receber a Missão, mas impôs condições que foram consideradas inaceitáveis pela Liga, pois, de acordo com seus representantes, altera os fundamentos da proposta e evita que seja buscado o esclarecimento do processo em que o país está mergulhado, algo que permitiria criar condições para que sejam implantadas as medidas exigidas pelos árabes: retiradas das tropas das ruas, libertação dos presos políticos, diálogo com a oposição, encerramento imediato da repressão e negociação para a transição do regime político do país.

Segundo o chanceler sírio, Walid Muallem, o planejamento dos árabes para a Síria “fornece aos emissários da Liga Árabe prerrogativas tão amplas que podem permitir a violação da soberania nacional”*. Apesar de aceitar a presença dos representantes da Liga, o Governo sírio impôs que o número de membros da Missão fosse reduzido de 500 para 40 observadores, além de serem acompanhados de grupos enviados pelo próprio Governo.

A razão para tal exigência se deve às acusações dos governantes de que partes da “Liga Árabe” estão sendo usados pelas potências ocidentais para aproximá-la do “Conselho de Segurança das Nações Unidas” (CS da ONU), criando condições para a invasão, algo que geraria uma “Guerra Civil” imediata com conseqüências mundiais, pois, de acordo com o Governo, desestabilizaria toda a região, provocando um “terremoto”*, posição compartilhada pela quase totalidade dos analistas internacionais.  Nas palavras de Muallem: “Uma intervenção militar desestabilizaria toda a região e afetaria todos os países”*.

Diante do impasse que foi criado, os árabes mantiveram a suspensão da Síria na Entidade e ameaçam adotar medidas rígidas contra o Governo, com sanções que provavelmente serão aprovadas e apoiadas pelas potências européias e pelos EUA. O Governo sírio considerou irrelevante a suspensão, bem como a ameaça e mantém o estado de confronto com a Oposição, da mesma forma que recusa retirar das ruas os militares para enfrentar o que o presidente Bashar Al-Assad alega serem “Gangues Armadas”**, referindo-se aos grupos rebeldes nos quais constam desertores do Exército.

A “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN / NATO, em inglês) está pedindo paciência à “Sociedade Internacional”, alegando que qualquer processo de mudança de regime e de reforma política exige tempo e “paciência”***, pois se deve “oferecer o apoio onde podemos, não podemos impor”***. Analistas acreditam que a OTAN está receosa dos desdobramentos de uma “Guerra Civil” que poderá ocorrer, no caso de este processo não ser gerido adequadamente, já que tende a gerar mais violência.

Por isso vêem que a tendência será uma intervenção estrangeira, mesmo com o posicionamento russo de impedir que se repita na Síria o mesmo que ocorreu na Líbia. Os russos, por sinal, estão manifestando descontentamento com as ações ocidentais, bem como com os membros da “Liga Árabe

Nas palavras do ministro dos “Negócios Estrangeiros” da Rússia, Serguei Lavrov, “Os jogadores externos procuram intensificar o incremento da confrontação na Síria, (…) eles necessitam de argumentos complementares a fim de justificar a sua intromissão nos assuntos sírios. Moscou quer muito evitar a repetição do roteiro líbio na Síria. Propomos a todos os Estados que estão a favor da solução pacífica da crise política da Síria apoiar a exigência de cessar a violência. Esta exigência é endereçada não somente a autoridades sírias mas também a grupos oposicionistas. Isto deve ser feito também em nome da Liga de Estados Árabes e em nome dos Estados, do (sic) cujo território atua a oposição síria”****.

Os franceses já admitem a invasão e os russos estão cada vez mais certos de que ocorrerá a guerra, algo que vem sendo respaldado pela última medida do “Governo Assad” de criar o “Supremo Poder Militar”****, com o objetivo de lutar pela manutenção do Regime até às últimas conseqüências.

A condição de impasse está cada vez mais consolidada. Por isso, os observadores confluem para a certeza de que o gerenciamento das Crises na região está construindo as condições da Guerra que está sendo anunciada pelos observadores, diante dos posicionamentos na “Crise Síria” e da situação no Oriente Médio em relação ao Irã, ao Egito, às tensões no Yemen, no Bahrein, ao contencioso entre Israel e os “palestinos”, além ainda da questão da Líbia, no norte da África, sendo esta possível “Guerra Civil” síria apenas mais um componente de um processo geral.

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Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5479264-EI294,00-Siria%20acusa%20paises%20de%20usar%20Liga%20Arabe%20como%20instrumento%20da%20ONU.html

** Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11/111120_siria_rc.shtml

*** Ver:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5hSv7V59s4r6zJ8MQO8xze6veOOHA?docId=CNG.e38b91f7b34b2d138dc4877a52372efe.161

**** Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2011/11/20/60718934.html

Ver também:

http://pt.euronews.net/2011/11/19/siria-nao-respeitou-ultimato-arabe/ 

Ver também:

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15544867,00.html?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

Ver também:

http://noticias.terra.com.br/noticias/0,,OI5479856-EI188,00-Desavencas+com+Liga+Arabe+bloqueiam+envio+de+observadores+a+Siria.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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