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A importância russa na geopolítica internacional: o caso da Síria

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A Rússia é um país com população de 143,8 milhões de habitantes; Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,798 pontos; e Produto Interno Bruto (PIB), em 2014, no valor de 1,4 trilhão de euros (aproximadamente, 1,584 trilhão de dólares), com crescimento de 0,6%, registrado neste ano, posicionando-a como a 10a economia do mundo.

A Federação Russa adquiriu a responsabilidade de atuar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), após o fim da União Soviética, em 1991, por ser considerada a sua herdeira, contudo, sofreu pressões políticas e econômicas ao longo dos anos por causa do processo de reestruturação estatal. Com o advento do ataque terrorista de “11 de Setembro de 2001”, os russos passaram a ter maior projeção no sistema internacional e fragilizou-se a ideia de um mundo unipolar.

Atualmente, os russos demonstram sua influência na geopolítica global, por meio do envio de forças militares à Síria, sendo esta uma ação realizada em resposta ao pedido de apoio do presidente Bashar al-Assad, pois, desde 2011, a Síria permanece em guerra civil devido a revoltas populares que objetivam a mudança do Regime e a defesa da Democracia, as quais culminaram na fragmentação social, de modo a dividir o país em duas forças gerais: o Governo e os Rebeldes, que envolvem grupos diversos. A Este apoio ao Governo Assad, soma-se o enfrentamento dos problemas que a Síria e toda a área enfrentam com a atuação do grupo Estado Islâmico (EI), o qual assola a região com a intenção de formar um Califado, razão pela qual os russos também combatem diretamente os militantes fundamentalistas do EI.

Em sua atuação em território sírio, a Rússia realizou quase 9.000 missões, libertou 400 assentamentos e tornou-se ator importante no estímulo de acordos de cessar-fogo, por meio de uma série de ataques aéreos no país, que contribuíram para a diminuição do poderio do EI e para a manutenção da estabilidade do Regime de Assad, logo, do seu Governo. Conforme destacou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin: “Estas ações retratam fundamentalmente a situação. Passamos uma grande quantidade de trabalho para fortalecer a autoridade legítima e soberana da Síria. O mesmo acrescenta: “Espero que a decisão de hoje seja um bom sinal para todos os lados do conflito, e que aumentará significativamente a confiança dos envolvidos neste processo”.  

No tocante as relações entre Rússia e Estados Unidos, as opiniões sobre o caso sírio tendem a divergência, porém o cenário apresenta-se otimista quanto ao futuro. Como afirma o especialista do Instituto de Países da Comunidade de Estados Independentes (CEI), Vladimir Ievseiev: “A Rússia realizou consultas com os Estados Unidos e começou a retirada depois de ter a promessa de que o envolvimento turco na Síria seria reduzido”. Complementarmente, para o editor-chefe da revista Russia in Global Affairs, Fiódor Lukiánov, “O principal objetivo da operação das tropas aéreas russas não foi só lutar contra militantes do EI, mas também virar a maré da guerra civil”.

Conforme se pode apreender de analistas, observadores internacionais e disseminações na mídia, existem dois fatores relevantes na questão síria: a resolução do conflito e o futuro do Estado. No primeiro fator observa-se o papel russo, cuja diretriz visa a estabilidade de Damasco e a desestabilização do EI, o que se considera viável, no tangente a extinção da dor de milhares de pessoas contra o flagelo da guerra; no segundo fator, entende-se que é possível um acordo político com o Estado Sírio no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, em busca de uma solução pragmática que respeite a soberania do país e a vontade da população.

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ImagemPutin e Assad” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ab/Bashar_al-Assad_in_Russia_%282015-10-21%29_09.jpg

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Leituras Adicionais:

[1] Putin expressou os custos da operação na Síria à Rússia (17.03.2016):

http://www.pravda.ru/news/world/17-03-2016/1295428-cost_syria-0/

[2] Relatório do Centro Russo Para a Reconciliação de Lados Opostos na República Árabe Síria (17.03.2016):

http://eng.mil.ru/en/news_page/country/[email protected]

[3] Putin ordena retirada de Forças Armadas russas da Síria (17.03.2016):

http://gazetarussa.com.br/politica/2016/03/14/putin-ordena-retirada-de-forcas-armadas-russas-da-siria_575633

[4] Rússia inicia retirada de suas tropas aéreas da Síria (17.03.2016):

http://gazetarussa.com.br/siria/2016/03/15/russia-inicia-retirada-de-tropas-aereas-da-siria_575879

[5] Caminho livre para o golpe final contra o EI (17.03.2016):

http://gazetarussa.com.br/siria/2016/03/16/caminho-livre-para-o-golpe-final-contra-o-ei_576247

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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