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Independência do Curdistão Iraquiano poderia causar instabilidade na região

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O próximo dia 25 de setembro poderá ser decisivo para o futuro do Curdistão iraquiano. Nessa data será realizado Referendo para decidir se a região deve se tornar independente do Iraque. Apesar de tal Referendo apresentar significativa evolução nos processos democráticos daquele país, há questionamentos quanto às consequências que uma futura independência curda poderia trazer à área, principalmente com relação a uma provável instabilidade política.

Tais dúvidas se concentram em torno do líder curdo Massoud Barzani e do Partido Democrático do Curdistão (KDP, na sigla em inglês), os quais consolidaram grande poder. A concentração de força cresceu a tal ponto que a administração de tal Governo, que apesar de não ser independente goza de grande autonomia, passou a ignorar as minorias que constituem oposição política ao KDP e, automaticamente, a Barzani.

Líder curdo em evento na cidade de Erbil, onde discursou acerca da importância do referendo curdo

Confundindo o poder pessoal com o do Partido político que lidera, ele acaba por governar de uma forma que muitos críticos apontam como autocrática, promovendo supostos atentados contra os direitos humanos, à liberdade de informação (ao impedir o livre trânsito de veículos de imprensa), e contra outras instituições democráticas. Tais condições colocariam em cheque a estabilidade política do Oriente Médio, caso se confirme a fundação de um Estado curdo independente.

Em contrapartida, muitos observadores internacionais percebem o Curdistão iraquiano como uma referência no que diz respeito à forma como tem se desenvolvido a administração de seu governo. O fato de a região ser vista como um bolsão de paz e de prosperidade em meio ao caos político e à crise humanitária que se verifica atualmente no Oriente Médio acaba por fazer com que muitos vejam com bons olhos a possibilidade de que o Curdistão se torne independente. Tal Estado poderia ser referência pela área, onde a maioria dos países tem questões ligadas a diferenças étnicas, culturais e religiosas e acabam por promover cisões políticas com consequências danosas aos Estados e a suas populações.

Uma questão que pode ser consideravelmente favorável a Barzani é o fato de que este conta com o apoio do governo dos Estados Unidos, cujas corporações investem maciçamente no local, havendo, atualmente, pelo menos doze empresas petrolíferas americanas operando por lá.

Curiosamente, algumas fontes do Governo americano entendem que o momento atual não seria o melhor para se realizar o Referendo, considerando que o combate ao Estado Islâmico é prioridade. No entanto, verifica-se que os norte-americanos já contribuem com o poderio militar curdo há vários anos, tendo se tornado os principais responsáveis pela condição de o Curdistão iraquiano poder garantir sua segurança de forma ampla e eficiente. De qualquer maneira, independentemente do resultado da consulta, a administração de Barzani já enfrenta instabilidade política. Resta verificar se tal condição se estenderia também para além das fronteiras do lugar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Massoud Barzni com o Secretário de Defesa Americano, James Mattis(Fonte):

http://www.gettyimages.co.uk/license/837076040

Imagem 2 Líder curdo em evento na cidade de Erbil, onde discursou acerca da importância do referendo curdo” (Fonte):

http://www.gettyimages.co.uk/license/840922206

 

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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