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Indonésia ganha nota de investimento da agência de rating Standard and Poor’s

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No último dia 19, a Indonésia teve seus títulos de longo prazo em moeda estrangeira e local reavaliados pela agência de rating estadunidense Standard and Poor’s, que concedeu ao país BBB-, a menor nota de investimento da agência. Dessa forma, a S&P se junta às outras duas maiores empresas de rating, a Fitch e a Moody’s, que haviam concedido aos títulos indonésios o grau de investimento em 2011 e 2012, respectivamente. A Indonésia é a maior economia do sudeste asiático, mas era a única entre os países de maior peso econômico do leste asiático a não possuir o grau de investimento das três agências. A  Bolsa de Valores de Jacarta respondeu imediatamente à ação de S&P, com seu índice aumentando em mais de 3%.

Logo da Standard and Poor’s Global. Fonte: Site Standard and Poor’s

Em seu relatório oficial, a Standard and Poor’s justificou o aumento da nota a partir de medidas adotadas pelas autoridades indonésias ao longo do último ano (2016) com o objetivo de estabilizar as finanças públicas, a partir de cortes nos gastos governamentais e a diminuição da dívida pública. A independência do Banco Central da Indonésia e a flexibilização da rúpia, moeda do país, também foram políticas destacadas pela agência. Em relação a fatores políticos, foi apontada a estabilidade que o atual governo atingiu a partir da conquista de uma maioria parlamentar, dado que a história da Indonésia é marcada por instabilidades que dificultam políticas econômicas de longo prazo. O relatório elogia posteriormente a escolha de indivíduos capacitados para ministérios relacionados à economia.

Ministra das Finanças da Indonésia, Sri Mulyani Indrawati. Fonte: Wikipedia

Esse último comentário provavelmente está se referindo à mudança no Ministério das Finanças da Indonésia. Quando, em junho do ano passado (2016), a S&P avaliou a nota da Indonésia e não a aumentou, o atual Presidente do país, Joko Widodo, fez mudanças no Ministério, delegando sua chefia para Sri Mulyani Indrawati, ex-diretora do Banco Mundial. A ministra, desde então, elaborou uma série de medidas para melhorar as contas governamentais, como um amplo programa de anistia fiscal, e focou os investimentos públicos na melhora da infraestrutura do país. Em uma fala para a Reuters, Indrawati afirmou que “A Indonésia tentará atingir suas metas de desenvolvimento sem ter que recorrer a um orçamento insustentável”.

O país se manteve com um crescimento do PIB em volta dos 5% nos últimos anos, um número alto quando comparado a outros países emergentes. Formulou-se um cenário de restrição dos gastos do governo e baixa inflação combinado com investimentos públicos em grandes obras de infraestrutura; demanda estimulada pelo consumo privado; e diminuição do desemprego e da pobreza no país. Dessa forma, políticas econômicas pouco convencionais, que misturam medidas de austeridade com estímulos governamentais, estão gerando frutos no país. Especialistas calculam que o alcance do grau de investimento venha ao encontro do fortalecimento desse cenário no futuro, pois, em um país cuja dívida externa líquida aumentou nos últimos anos, novos fluxos estrangeiros de investimento e de capital vão adentrar no país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Jacarta à noite” (Fonte Ecal saputra):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Category:Jakarta&uselang=pt-br#/media/File:Panoramic_view_of_Jakarta_skyline.jpg

Imagem 2Logo da Standard and Poors Global (Fonte):

https://www.standardandpoors.com/en_US/web/guest/home

Imagem 3Ministra das Finanças Sri Mulyani Indrawati(Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Finance_Ministry_Sri_Mulyani_Indrawati_2016.jp

Livi Gerbase - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Economia Política Internacional pela UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela UFRGS. Ex-pesquisadora do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais e do Centro Brasileiro de Estudos Africanos. Atualmente é estagiária do the South-South Exchange Programme for the Research on the History of Development (SEPHIS). Se interessa por assuntos relacionados aos países em desenvolvimento e recentemente tem focado no sistema financeiro internacional.

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