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Em meio ao caos político e econômico que enfrenta o sistema internacional, uma revolução silenciosa, porém de elevada importância, está acontecendo nos principais polos tecnológicos do mundo: a quarta revolução industrial. A diferença das outras revoluções que foram marcadas pelo ruído das máquinas à vapor, das fábricas, das cadeias de produção, das turbinas dos novos meios de transporte, a indústria 4.0 nasce em meio à tecnologia de ponta e de alta performance.

O impacto dessa revolução ainda é ignorado por várias nações que continuam discutindo seu atual alinhamento político e econômico, presas na polaridade de modelos ultrapassados e que já não se adaptam aos novos desafios do mundo globalizado. Mas alguns países já são cientes de que esta nova revolução pode não somente significar um novo passo no processo de desenvolvimento tecnológico como também em uma nova concepção política, social e econômica do mundo, um novo passo na própria evolução humana.

Ainda pairam muitas dúvidas sobre a quarta revolução industrial, não somente quanto ao seu resultado produtivo, como também na divisão de poder após sua conclusão, assim como sobre quais são os autores capacitados para implementar tais mudanças. A indústria 4.0 é a base da quarta revolução industrial e a mesma consiste na aplicação dos últimos recursos tecnológicos na cadeia produtiva e nos processos diários da vida humana. Tecnologias como BIG DATA, Internet of Things, integração de sistemas, computação em nuvem e supercomputação, robótica, impressões 3D, cibernética, entre outras aplicações, podem mudar completamente a produção industrial como a conhecemos, além de outros processos como a própria maneira de formular e executar políticas, além das relações econômicas e interações sociais.

Com a aplicação da tecnologia da quarta revolução industrial, paradigmas e desafios do mundo contemporâneo podem ser resolvidos de forma inédita. Por exemplo, o aumento da necessidade de mão de obra de uma determinada nação, devido a um ciclo de expansão econômica, poderá ser resolvido com a utilização de recursos robóticos. Outro exemplo que pode ser citado é a aplicação da tecnologia em determinadas camadas da população, tais como na educação, reduzindo a falta de professores em algumas áreas, ou até mesmo eliminando tal demanda, e também na população mais idosa, ampliando sua capacidade de participação econômica em países cujo processo demográfico esteja avançado.

Devido ao potencial que existe atrás dos recursos da indústria 4.0 em lidar com os desafios do mundo atual e futuro, algumas nações começaram a investir e estimular o processo. O Japão, por exemplo, investe em robótica com o objetivo de reduzir sua demanda de mão de obra e garantir sua produtividade e capacidade técnica. A Alemanha investe na integração de processos com o objetivo de alcançar um novo patamar produtivo e, dessa forma, aumentar sua competitividade frente aos mercados asiáticos. Os Emirados Árabes investem em tecnologia, com o objetivo de se consolidar como centro financeiro e reduzir sua dependência dos recursos petrolíferos.

Nem todas as nações, no entanto, possuem a capacidade de investir ou estimular a próxima revolução industrial, seja pela falta de recursos, pela falta de capacidade técnica ou pela falta de infraestrutura. Países com baixa integração digital, com baixa formação, ou com o sistema econômico baseado em cadeias produtivas de baixo valor agregado, são incapazes de gerar os estímulos necessários para que essa revolução seja homogênea, ou até mesmo que venha a acontecer. Algumas nações estão mais preocupadas em garantir o incremento de sua produção e captação de recursos do que investir e implementar novas tecnologias, não sendo este um panorama propício para o desenvolvimento da indústria 4.0, além do mais, o processo pode gerar o aumento do desemprego e da desigualdade social.

A democratização da evolução tecnológica é a base da nova Revolução Industrial e sem ela dificilmente uma nação terá capacidade de completar o processo, ou apresentará a longo prazo problemas maiores que aqueles enfrentados durante o processo, devido à criação de polos específicos isolados da realidade do país.

Nesse sentido, as smartcities, ou cidades inteligentes, são uma ferramenta importante para as nações que desejam promover a quarta revolução industrial, já que a integração gerada pelas cidades e sua capacidade de permear todas as camadas sociais ajudam a gerar uma rede de desenvolvimento que atua como vetor da mudança. O desenvolvimento da paradiplomacia é outro ponto chave no processo, uma vez que através delas as cidades possuem a capacidade de promover acordos de transferência tecnológica com outras que reúnam características parecidas.

Em relação ao Brasil, podemos dizer que já existem pequenos projetos focados na Indústria 4.0, porém a realidade do país é outra. O sistema industrial brasileiro se caracteriza por levar uma média de 30 anos sem receber grandes investimentos. A falta de infraestrutura é outro desafio que enfrenta o país, com setores básicos ainda deficientes – mais de 52% dos brasileiros não tem acesso ao saneamento básico – a falta de formação e integração digital é outra barreira, além da desigualdade social e econômica. Neste caso, o país deve aos poucos resolver suas mazelas e implementar mudanças pontuais para não gerar um abismo social, político e produtivo maior do que o já existente.

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Imagem 1 Industria 4.0” (Fonte):

https://www.industriahoje.com.br/wp-content/uploads/2016/03/Inova%C3%A7%C3%A3o-Industrial-01.jpg

Imagem 2 Uma impressora 3D ORDbot Quantum” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Impressão_3D

Imagem 3 Um robô humanoide da Toyota, robôs são sempre associados aos estudos da robótica” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Robótica

Imagem 4 Desigualdade de renda no mundo medida pelo Coeficiente de Gini de acordo com dados do Banco Mundial (2014)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Desigualdade_social

Imagem 5 Roda da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_da_cidade_inteligente

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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