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INDÚSTRIA COREANA PODE SER O INÍCIO DAS NOVAS RELAÇÕES CORÉIA-BRASIL (PARTE 1)

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A indústria automobilística sul-coreana vem estudando novos meios de entrar no mercado latino-americano e vê o Brasil como porta de entrada de seus produtos e serviços. A presença destas empresas na região está servindo como um atrativo para outras investirem fora de seu país.

 

Observando a história recente das relações Coréia-Brasil, percebe-se que nunca houve grandes eventos desde a área comercial até a diplomática. Nos últimos 20 anos, a área comercial cresceu a níveis “tímidos” e no “pós-crise financeira mundial”, com o aumento dos investimentos no Brasil e na América latina, os empresários sul-coreanos aumentaram de forma “chamativa” seus investimentos na região.

Segundo dados do “Banco Central do Brasil”, os investimentos da Coréia aumentaram de 0,4% para 2 %, comparados os anos fiscais de 2009 e 2010. O processo de internacionalização sul-coreano está gerando oportunidades de negócio entre empresas coreanas e empresários de outros países, fora das tradicionais relações comerciais com os Estados Unidos e Ásia.

Com a rápida internacionalização da Coréia, os investimentos já estão transbordando da Ásia para a América Latina”, afirmou Luiz Afonso Lima, presidente da “Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica” (Sobeet), citado pelo jornal “O Estado de São Paulo”.

A “Divisão Comercial do Consulado da Coréia em São Paulo” (Kotra), divulga dados e informações positivas sobre o crescimento das relações comerciais entre os dois países, através do crescimento das missões empresariais realizados pelos responsáveis do Kotra, proporcionando oportunidades de negócios entre investidores. Através do canal de comunicação deste Órgão, em coreano, percebe-se o aumento de informações sobre o Brasil, em relação às opções de investimentos e importação de produtos.

Os investimentos coreanos em solo brasileiro cresceram de forma significativa através da montadoras automobilísticas e pelas montadoras de máquinas sul-coreanas, como a Hyundai e a Doosan. Ambas já haviam anunciado ao final do ano passado o interesse de expandir seus negócios no país, substituindo a utilização de fábricas em conjunto com outras empresas, para montar suas próprias fábricas e atender a demanda local e sul-americana.

A Hyundai, empresa coreana do setor que mais cresceu no Brasil nos últimos dois anos, já iniciou a construção de sua primeira fábrica na América do Sul, estando localizada na cidade de Piracicaba, interior do Estado de São Paulo. A empresa está em operação desde o ano de 2007, em Anápolis, GO, mas sua montadora de veículos utiliza uma unidade que pertence ao grupo CAOA, que é sua distribuidora oficial de carros no Brasil.

Para os responsáveis do investimento, o R$ 1 bilhão que será gasto terá um retorno ainda maior na região. A fábrica da montadora coreana já traz rumores para a cidade sede de sua fábrica, onde está sendo estudada uma série de investimentos no município, envolvendo infra-estrutura e a criação de hospitais para atender os funcionários e os cidadãos.

Para Seong-Bae Kim, presidente da Hyundai no Brasil, não estão definidos todos os investimentos nos arredores da nova fábrica da empresa, mas eles serão feitos apenas para “estreitar os laços de amizade” entre a montadora e os piracicabanos.

A fábrica espera gerar 1500 novos empregos. Seus projetos de investimentos paralelos para dar suporte aos funcionários pode contar com uma pequena cidade-satélite com capacidade para 250 mil pessoas, número próximo ao de habitantes da cidade, que é de 360 mil. A fábrica tem previsão para sua conclusão no próximo ano.

O sucesso da maior montadora de automóveis coreana no Brasil chamou a atenção de outras empresas de sua área, como a montadora Ssangyong, a quarta maior montadora da Coréia do Sul. No Brasil ela não é tão conhecida pelo consumidor como a Hyundai e já passou por momentos difíceis no mercado brasileiro, sendo que, em 2009, teve que demitir dois mil funcionários e para não decretar falência. O governo sul-coreano investiu US$ 300 milhões para manter a empresa em funcionamento.

Em janeiro do ano passado (2010) o presidente da Ssangyong, Suk-Ho Lim, esteve presente no Brasil para ratificar a recuperação da marca e firmar seus interesses no país. A montadora tem foco no mercado de veículos 4×4 e, desde 2009, fabrica modelos focados no mercado brasileiro e chinês, que são considerados os dois mais importantes para a empresa.

Seguindo os avanços desta marca, além de outras empresas coreanas como a Daewoo, novos investimentos feitos por coreanos do seguimento podem se tornar realidade, já que o mercado brasileiro de automóveis é um dos maiores e mais atrativos do mundo, perdendo para a China e para os Estados Unidos.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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