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INDÚSTRIA COREANA PODE SER O INÍCIO DAS NOVAS RELAÇÕES CORÉIA-BRASIL (PARTE 2: ALÉM DO SETOR AUTOMOBILÍSTICO)

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Junto com as grandes marcas, empresas especializadas em pequenos componentes também ganham mercados e novas oportunidades de investimentos. É o caso das empresas “Myong Shin”, Hwashim, Hanil, THN e Doowon. Estas fabricantes de componentes e acessórios juntas com o “Banco Dymos”, podem chegar a investir o equivalente a US$ 250 milhões e gerar mais de mil oportunidades de empregos.

 

Os fabricantes de maquinas também investem pesado, atento às transformações e aos projetos de infra-estrutura, devido aos “Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro”, em 2016, e à “Copa do Mundo de Futebol”, em 2014, que serão sediados no Brasil. O maior conglomerado sul-coreano do setor de maquinas e equipamentos inaugurou na semana passada a sua primeira fábrica no país.

Segundo dados divulgados durante a Cerimônia de inauguração na cidade de Americana-SP, ele já tem planos de investimentos avaliados em R$ 100 milhões para a produção de escavadeiras para a construção civil. Sua fábrica deverá contribuir para a geração de 300 oportunidades de emprego. Atualmente, o Grupo atua com produtos importados e espera iniciar a produção no Brasil em no final de 2012. As instalações deverão fabricar 2 mil máquinas ao ano e atender ao mercado brasileiro e sul-americano.

Segundo executivos da empresa, o “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC) e o “Pré-Sal” são os responsáveis por algumas das grandes apostas que fazem no país, pois estes programas e projetos estimularão grandes obras de infra-estrutura e a empresa pretende estar preparada para concorrer com a Hyundai e com a chinesa Sany, concorrentes diretas no setor. Destas, a empresa chinesa já tem fábrica recém inaugurada em São José dos Campos –SP, o que a deixa na frente de seus concorrentes sul-coreanos.

Apresentando algumas das principais empresas sul-coreanas do ramo automobilístico e de maquinas no mercado brasileiro, percebe-se que elas tem pontos comuns ao escolherem onde abrir as fábricas no Estado de São Paulo: a mão de obra, serviços, no “carro verde e no etanol”.

O motivo pela escolha de São Paulo, para alguns está no Etanol. As empresas da Coréia do Sul estão interessadas neste tipo de energia, mas ainda “existe a falta do interesse brasileiro para trabalhar com coreanos para o desenvolvimento da tecnologia no etanol”. Desta forma, a Hyundai escolheu Piracicaba, mesma região onde se localiza a COSAN, maior produtor de etanol do mundo e também cidade natal da Dedini, que é especializada na montagem de projetos de usinas de açúcar e álcool.

A mão de obra qualificada também é importante e nas regiões escolhidas, ou próximo a elas, existem Universidades especializadas em pesquisa e desenvolvimento agrícola, como é o caso da “Universidade de São Paulo” (USP), que tem em Piracicaba a “ESALQ”, um dos principais centros de pesquisa agrícola do Brasil.

Com a entrada da Hyndai, Pedro Luiz da Cruz, secretário de “Desenvolvimento Econômico” da Prefeitura de Piracicaba, citado pelo canal IG, afirmou: “Estamos vivendo o ‘momento Piracicaba’(…) e está tudo ligado à energia limpa”.

As localidades também são de fácil acesso para as empresas que fazem intermediação dos negócios entre os locais e os coreanos, assim como os escritórios de advocacia e serviços. “Piracicaba está formando um cinturão de investimentos com Campinas, com muitas empresas coreanas”, afirmou De Luca Drago, sócio do “Demarest & Almeida”, um dos principais escritórios de advocacia do país.

Para o Brasil este interesse vindo dos asiáticos por ser um país com economia mais estável do que das nações vizinhas e apresentar infra-estrutura a nível mais alto do que as demais é muito positivo, pois faz com que ele seja a porta de entrada e possibilita absorver a gama maior de investimentos estrangeiros. A construção das fabricas está levando o desenvolvimento do setor imobiliário e comercial das cidades escolhidas, para atenderem à demanda dos futuros funcionários destas empresas.

Embora o Brasil se beneficie com a atração do investimento sul-coreano, os investidores têm a mesma reclamação dos empresários de outros países: a falta de interesse brasileiro em investir na Coréia do Sul. Como disse Doo Young Kim, diretor-geral da Kotra, no jornal “O Estado de São Paulo”, “Os brasileiros também precisam olhar mais para a Coréia, que tem grande interesse no carro verde e no etanol”.

Este foi um alerta para os empreendedores brasileiros explorarem mais de alguns recursos que despertam interesses estrangeiros, para fomentar novos negócios dentro e fora do país, passando de empresários passivos para empreendedores ativos.

As relações comerciais entre coreanos e brasileiros serão fundamentais para aumentar as relações diplomáticas entre Brasil e Coréia, e vice-versa. Atualmente, não tem como comparar as relações destas duas nações com seus parceiros comuns: Estados Unidos, China e Japão. Três importantes Estados nas relações comerciais e diplomáticas de ambos, mas  Brasília e Seul poderão traçar outros rumos, indo a caminho de fortes laços em um futuro próximo.

Segundo o “Plano de Trabalho”, apresentado pelo “Mistério das Relações Exteriores e Comércio da  República Federativa da Coréia” (MOFAT), o país tem amplo interesse em aprofundar as relações comerciais Coréia-Brasil em diversos setores de suas economias, mas no campo diplomático, as prioridades definidas para o ano de 2011 são: (1) aprofundamento da aliança entre Coréia – Estados Unidos; (2) fortalecimento das relações estratégicas e cooperação com os países chaves, sem descrição de quais países; (3) progresso substancial na questão da desnuclearização da Coréia do Norte; 94) ampliação da Cooperação entre  Coréia, China e Japão e (5) criação de consensos globais para a reunificação pacífica.

Através destes pontos percebe-se as prioridades da política externa de Seul para este ano. Embora a América do Sul e o Brasil não estejam encaixados como prioridades no “Plano de Trabalho” citado, o empresariado sul-coreano está vendo um mundo de oportunidades e negócios e elegeram esta região como fundamentais para seu futuro. Desta forma, com um planejamento adequado do governo brasileiro junto com o sul-coreano e com o crescimento da comunicação empresarial entre os dois lados, as relações Coréia-Brasil crescerão de forma gradativa em prol de benefícios mútuos.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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