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Indústria mexicana pretende rever regras do NAFTA

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De acordo com o Jornal Reuters (dia 14 de julho), o setor industrial mexicano está buscando rever algumas regras do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) para garantir que as partes (México, Canadá e Estados Unidos) saiam satisfeitas.

Um mês antes do início das negociações, a preocupação maior das autoridades mexicanas é tentar agradar os interesses do presidente Donald Trump, pois ele já ameaçou abandonar o NAFTA caso não enxergasse vantagem no Acordo. Trump argumenta que os Estados Unidos (EUA) têm alimentado um déficit comercial durante os últimos anos e acusa o México por dificultar a retomada do crescimento dos postos de trabalho no seu país.

Gráfico do desemprego no EUA. Em verde, a força de trabalho disponível e em azul o número de empregados

O crescimento do emprego nos EUA desacelerou em maio de 2017, além disso a abertura de novas vagas nos dois meses anteriores (março e abril) não foram tão fortes como se esperava. Estes fatos levam alguns analistas a crer que o mercado de trabalho pode estar perdendo força, apesar da taxa de desemprego ter caído para 4,3% em maio (uma das mais baixas em 16 anos). Segundo o Departamento do Trabalho norte-americano, durante o mês referido, as folhas de pagamento dos empregos urbanos aumentaram, fazendo com que o setor manufatureiro, público e varejista, perdesse vagas.

Nos bastidores, à véspera das negociações, as autoridades mexicanas acreditam que a reformulação do NAFTA pode integrar ainda mais a região. Resta agora saber os objetivos estadunidenses, que serão divulgados em breve. Para José Antonio Meade, Ministro da Fazenda mexicano, o futuro da negociação é difícil de prever, por isso ainda existe um clima de grande incerteza para a economia.

A crença no fortalecimento da integração regional está alicerçada no setor automobilístico, onde os insumos dos Estados Unidos compõem cerca de 40% do valor dos produtos importados do México, enquanto as exportações chinesas contêm apenas 4%, de acordo com o Centro de Pesquisa Automotiva estadunidense.

Para Jaime Serra, ex-ministro do Comércio mexicano que liderou as negociações iniciais do NAFTA, se o nível de integração aumentar, o México se tornará mais competitivo em relação à China e, mesmo que as exportações mexicanas aumentem, os empregos norte-americanos aumentarão, devido à intensidade do comércio entre ambos.

O comércio dos EUA com o México entre 1992 e 2015, em bilhões de dólares

Um dos pontos principais da negociação são as regras de origem*. As regras de origem do NAFTA, por exemplo, estipulam que 62,5% do carro mexicano deve ser fabricado com componentes (motores e transmissores) originários de um dos membros do Grupo. O interessante é que o fato de simplesmente aumentar essa porcentagem não necessariamente aumentará a produção norte-americana, porque as empresas mexicanas podem expandir a própria capacidade de produção. Pensando nisso, as autoridades mexicanas imaginam que a equipe econômica de Trump deseja criar regras de conteúdo nacional, para induzir o México a consumir mais componentes.

Por outro lado, segundo Cesar Castro, vice-presidente da indústria eletrônica Canieti, o México quer aumentar a produção regional de alguns componentes para reduzir a dependência da Ásia. Cerca de 70% das peças em produtos eletrônicos exportados pelo México para os Estados Unidos é proveniente do Continente asiático, fabricados por empresas americanas. Para impulsionar a produção estadunidense, a Canieti está considerando uma proposta que poderia aumentar o conteúdo regional de 5% para 50% ao longo de 10 anos.

Entretanto, se os argumentos do México não se sustentarem e Trump ameaçar impor tarifas punitivas sobre os bens mexicanos, o superávit americano em serviços com o vizinho pode acabar e vir a dificultar parte da barganha. Todavia, isso poderia intensificar os esforços mexicanos para atingir o excedente agrícola que a administração Trump já está pressionando para preservar.

Segundo, Andres Rozental, ex-vice-ministro das Relações Exteriores, os mexicanos poderiam insistir em trabalhar com empresas como Amazon e servidores de compilação da Netflix no país. O México é o segundo maior consumidor de serviços norte-americanos, podendo isso ser outro elemento para fortalecer o Acordo.

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Notas:

* As regras de origem são regulamentos negociados entre países signatários de acordos preferenciais de comércio, cujo objetivo principal é assegurar que o tratamento tarifário preferencial se limite aos produtos extraídos, colhidos, produzidos ou fabricados nos países que assinaram os acordos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do NAFTA” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_the_North_American_Free_Trade_Agreement_(standard_version).svg

Imagem 2Gráfico do desemprego no EUA. Em verde, a força de trabalho disponível e em azul o número de empregados” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Unemployment_in_the_United_States

Imagem 3O comércio dos EUA com o México entre 1992 e 2015, em bilhões de dólares” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/NAFTA%27s_effect_on_United_States_employment

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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