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[:pt]Inédita explosão de drone do Estado Islâmico mata dois soldados curdos no Iraque[:]

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No último 2 de outubro de 2016, dois combatentes curdos foram mortos após a detonação de um drone do Estado Islâmico (EI) na cidade Erbil, norte do Iraque. O grupo já fazia uso de drones de vigilância e já havia lançado ao menos dois ataques anteriores com eles, mas sem quaisquer mortes reportadas. Acredita-se que esta tenha sido a primeira vez que um ataque de drone do EI tenha matado tropas inimigas. Militares norte-americanos alertam agora que os jihadistas podem fazer uso exitoso destes mecanismos contra as forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos na próxima batalha pelo controle de Mosul.

O drone carregado de explosivos e enviado pelo Estado Islâmico foi interceptado e derrubado por forças curdas no Iraque no início deste mês (Outubro). Contudo, o dispositivo explodiu matando dois combatentes curdos e ferindo dois soldados franceses. A informação somente foi confirmada no último 11, terça-feira passada, pelo Governo da França. Em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, tropas francesas têm lutado ao lado dos combatentes curdos contra soldados do EI. Cerca de 500 militares da França foram mobilizados para a luta contra eles no Iraque, ressaltando-se que o contingente inclui Forças Especiais que treinam combatentes Peshmerga curdos na parte norte do país, conforme  informa o International Business Times.

O primeiro uso do equipamento pelo EI foi para filmar ataques suicidas com carros-bomba, os quais eram divulgados online pelo grupo. Mas, no início deste ano (2016), comandantes americanos e iraquianos constataram que “[se] tornou claro que o grupo estava fazendo uso de drones para ajudá-los no campo de batalha”, além de vigilância e reconhecimento de território de bases norte-americanas e iraquianas, de acordo com notícia reportada pelo New York Times.

O uso de veículos aéreos não tripulados pelo EI tem preocupado as autoridades americanas. Relatos dão conta de que o grupo jihadista faz uso de drones comercialmente disponíveis que podem ser comprados na Amazon, como o DJI Phantom, ao contrário do Exército norte-americano que opera equipamentos do tamanho de um pequeno avião tripulado. A Agência Central de Inteligência e a Agência de Inteligência de Defesa estão examinando o esse tipo de ação pelo grupo jihadista e estudam como responder à ameaça emergente.

Nos campos de batalha no Iraque e na Síria, os Estados Unidos têm dedicado recursos para minar a capacidade desses equipamentos. Segundo comunicados de imprensa do comando militar americano em Bagdá, nos últimos 18 meses, o país lançou pelo menos oito ataques aéreos que destruíram drones do grupo no chão. Apesar dos esforços, analistas militares acreditam que tais “armas” continuarão a ser um problema no Iraque, na Síria e em outros lugares.

Um novo relatório do Centro de Combate ao Terrorismo de West Point aponta que, no futuro, dronesfora da casca” utilizados pelos grupos terroristas serão capazes de transportar cargas mais pesadas, voarem por mais tempo e fazerem empreendimentos mais longe de seu controlador, empregando links seguros de comunicação. De acordo com Don Rassler, diretor do centro de iniciativas estratégicas, nos próximos anos “o número e sofisticação dos drones utilizados também deve aumentar o alcance e gravidade da ameaça”.

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ImagemUm DJI Phantom UAV para fotografia aérea comercial e recreativa. O Estado Islâmico tem feito uso de drones como este para atividades de vigilância, filmagem de ataques e agora explosões” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Unmanned_aerial_vehicle#/media/File:DJI_Phantom_2_Vision%2B_V3_hovering_over_Weissfluhjoch_(cropped).jpg

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Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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