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Aviões de guerra britânicos começaram a bombardear a Síria nesta quinta-feira, 3 de dezembro. A decisão se deu apenas algumas horas após legisladores britânicos terem votado em apoio ao plano do primeiro-ministro David Cameron de adesão à campanha de bombardeio liderada pelos Estados Unidos, apresentando uma decisão em que 397 votaram a favor e 223 contra. O Secretário de Defesa, Michael Fallon, declarou que os ataques atingiram campos de petróleo no leste da Síria que são controlados pelo autoproclamado Estado Islâmico. Os ataques começaram depois de um debate acalorado de 10 horas no Parlamento, ocorrido na quarta-feira, dia 2, o qual dividiu o Partido Trabalhista, que é de oposição e liderado por Jeremy Corbyn. Com a decisão, a Grã-Bretanha estende suas operações contra o Estado Islâmico do Iraque para a Síria.

Após os ataques por homens armados e bombardeios que mataram 130 pessoas no mês passado, em Paris, a França havia feito um chamado de solidariedade as demais principais potências militares europeias pela expansão da ação militar. Na ocasião, Cameron argumentou que a recusa seria uma “negligência de responsabilidade”. Cumprimentando o resultado deliberado pela Câmara dos Comuns, o Secretário de Relações Exteriores, Philip Hammond, declarou que a Grã-Bretanha estava “mais segura por causa das ações tomadas pelos deputados hoje”, conforme reportou a BBC londrina. Este cenário parecia longe de possível há algumas semanas, mas, após os ataques de Paris, a perspectiva de estender os bombardeiros do Iraque à Síria tomou uma espécie de inevitabilidade. A opção pelos ataques é a terceira grande intervenção inglesa, após a Líbia e o Iraque.

Quatro caças Tornado atacaram seis alvos no centro petroleiro de Al Omar, região do leste da Síria, próxima à fronteira do Iraque.Os caças britânicos partiram da base de Akrotiri, no Chipre, de onde o Reino Unido também dispara suas operações para o Iraque. Com respeito aos campos de petróleo na Síria controlados pelo autoproclamado Estado Islâmico, o secretário de defesa britânico Michael Fallon declarou que “há muitos mais desses alvos por todo o leste, norte da Síria, que esperamos atacar nos próximos dias e semanas”, conforme reportado pela Reuters.

A Grã-Bretanha iria enviar oito aviões de guerra adicionais ao Chipre para se juntar às missões. Desde o ano passado (2014), as contribuições britânicas formam “apenas uma pequena parte” da operação liderada pelos Estados Unidos denominada “Operation Inherent Resolve”, que vem bombardeando o Estado Islâmico no Iraque e na Síria há mais de um ano com centenas de aeronaves. Anteriormente, o pequeno contingente britânico participara de ataques no Iraque, mas não na Síria.

Os Estados Unidos, que juntamente com a França, Arábia Saudita e outros países realizam missões em território sírio, parabenizaram a votação e declararam estar ansiosos por “terem as forças do Reino Unido voando ao lado da coalizão sobre a Síria”, conforme foi noticiado pela BBC. Atualmente, mais de 50 países se comprometeram com apoio na luta contra o ISIS, de acordo com o Departamento de Estado norte-americano, concedendo apoio financeiro, equipamentos e Inteligência. Isso inclui desde fortes aliados, como o Canadá e Grã-Bretanha, até países como Marrocos e Ucrânia. No entanto, apenas alguns deles têm participado ativamente em ataques aéreos no Iraque e na Síria, sobretudo França, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

Os ataques até agora não conseguiram desalojar os militantes de uma faixa de território, sobre o qual proclamaram um Califado, embora Washington e seus aliados afirmem ter ajudado a deter o avanço dos combatentes. Washington anunciou que vai enviar mais forças especiais para realizar incursões no Iraque e na Síria e ajudar a localizar alvos para ataques aéreos. O presidente Barack Obama afirmou em uma entrevista que isso não significa um ação em grande escala terrestre, como a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003.

Apesar das muitas potências mundiais promoverem missões de combate aéreo sobre os territórios iraquiano e sírio contra o Estado Islâmico, não parece haver consenso sobre como proceder em termos políticos sobre a Guerra Civil na Síria – que já dura quatro anos, matou 250.000 pessoas e deslocou outros 11 milhões. Atualmente, a Rússia bombardeia a Síria fora da coalizão liderada pelos Estados Unidos. Moscou e Teerã apoiam o presidente sírio Bashar al-Assad, enquanto os Estados Unidos e seus aliados europeus, árabes e turcos querem sua derrocada e apoiam seus opositores, sob o custo de apoiarem os próprios grupos jihadistas radicais.

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Imagem Caça Tornado britânico chega à base de Akrotiri, em Chipre, após atacar campos de petróleo na Síria” (FontePavlos Vrionides / Associated Press):

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/12/1714386-reino-unido-ataca-area-petrolifera-em-seu-1-bombardeio-ao-ei-na-siria.shtml

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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