LOADING

Type to search

Insegurança no “Canal de Suez” inquieta Comunidade Internacional

Share

O “Canal de Suez”, que liga o “Mar Vermelho” ao “Mar Mediterrâneo”, foi inaugurado em 1869 e transformou-se, desde logo, numa das mais importantes rotas marítimas mundiais. Durante os 144 anos de existência, o Canal foi encerrado apenas em cinco ocasiões. Ao longo dos anos, ele tornou-se referência no transporte petrolífero e é, hoje, o responsável pelo escoamento de aproximadamente 2,2 milhões de barris de petróleo e gás natural por dia, na rota que sai do “Golfo Pérsico” com destino à Europa e à “América do Norte[1]. Esta é uma via imprescindível para o comércio mundial e de energia, pois corresponde a 7% do transporte de petróleo mundial e 12% do tráfego marítimo do mundo. Em 2013, a maior companhia de navegação da atualidade, a “Maersk Line”, deixou de operar no “Canal do Panamá” em virtude do aumento do pedágio e transferiu-se para o “Canal de Suez”, o que eleva a importância dessa via hidroviária[2].

Contudo, o Canal encontra-se sob a ameaça de ataques terroristas, a partir de grupos insurgentes no Egito. As “Brigadas al-Furqan”, um grupo irregular ativo em todo o Egito, que acusa as “Forças de Segurança” do país de serem “apóstatas e descrentes”, tem se destacado em ataques a navios no “Canal de Suez”. O primeiro ataque aconteceu em 29 de julho de 2013, seguido de um outro, no dia 31 de agosto do mesmo ano, contra o navio porta-contentores “Cosco Asia[3]. Não houve danos quer no navio, quer na carga por ele transportada. Embora os atos cometidos até agora contra os navios não tenham causado grandes prejuízos, eles conseguiram gerar uma situação de insegurança.

No momento, há preocupação quanto à vulnerabilidade do “Canal de Suez” frente a futuros ataques terroristas. As “Brigadas al-Furqan” ameaçaram com novos atos e, embora alguns especialistas as considerem “um grupo jihadista desorganizado[4], os riscos de futuras ações terroristas é uma hipótese a ser tida em conta. A situação de instabilidade no Egito e a violência dos grupos insurgentes na “Península do Sinai[5] propiciam a presença de organizações irregulares em pontos estratégicos do país, debilitando a segurança.

Para Kevin Doherty, presidente da “Nexus Consulting”, uma empresa de segurança que monitora as ameaças marítimas, as “Brigadas al-Furqan” têm capacidade de empreender um evento de magnitude significativa. Kevin Doherty fez o seguinte comentário: “Nós sabemos que eles não são mártires suicidas, sabemos que eles são tecnologicamente mais experientes, e sabemos que eles têm capacidade, como já provaram por duas vezes[6].

A situação atual do Egito em relação à presença de grupos irregulares e à dificuldade em manter a estabilidade no país justificam as apreensões em relação ao “Canal de Suez”. Tais fatos elevam a insegurança a nível nacional e colocam em risco uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, podendo comprometer o fornecimento energético ocidental. Um possível ataque terrorista que venha a interromper o fluxo de navios no “Canal de Suez” poderá trazer sérias consequências a nível global e agravar ainda mais a situação da economia mundial, em crise desde 2008.

——————–

Imagem (Fonte):

http://gcaptain.com/wp-content/uploads/2013/02/398153_459928840729174_707370354_n.jpeg

——————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.ctc.usma.edu/posts/attacks-in-the-suez-security-of-the-canal-at-risk

[2] Ver:

http://www.ctc.usma.edu/posts/attacks-in-the-suez-security-of-the-canal-at-risk

[3] Ver:

http://www.longwarjournal.org/threat-matrix/archives/2013/09/al_furqan_brigades_claim_two_a.php

[4] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/02/03/egypts_real_security_worry

[5] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/vaga-de-atentados-assola-a-peninsula-do-sinai/

[6] Ver:

http://www.ctc.usma.edu/wp-content/uploads/2014/01/CTCSentinel-Vol7Iss1.pdf

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!