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Integração de serviços e criação de espaços inteligentes nas Smartcities

“Nas cidades brasileiras temos centenas de exemplos de sistemas isolados de informações cujo único resultado na maioria das vezes é o desperdício de recursos por um lado, ou a falta do mesmo pelo outro.”

Wesley S.T Guerra
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Um dos maiores desafios que enfrentam as cidades do Brasil e do mundo é a dificuldade de integrar as diferentes informações que compõe o cenário urbano e que ajudam no planejamento, gerenciamento e na tomada de decisões para a prestação de serviços. 

É bastante comum que pequenas ações e intervenções sejam atrasadas ou não realizadas devido ao desencontro de informações, ao número de instituições envolvidas e à dificuldade de definir prioridades e responsabilidades. Assim, um simples problema com um poste elétrico pode demorar mais do que o necessário por não haver um protocolo eficiente capaz de comunicar qual é a empresa ou órgão público responsável por resolver essa avaria.

Em 2017 o SUS desperdiçou mais de R$ 16 milhões em medicamentos de alto custo

A gestão eficiente das informações que circulam a cidade proporciona maior controle sobre as diferentes dinâmicas do espaço urbano, gerando uma integração entre os setores público, privado e a sociedade como um todo capaz de produzir um espaço inteligente que serve de guia para o próprio desenvolvimento econômico e social. Por isso, de nada serve possuir sistemas isolados de informação, incapazes de interagir com a informação de outros atores, ou possuir informação, mas que a mesma não seja amplamente divulgada. 

Nas cidades brasileiras temos centenas de exemplos de sistemas isolados de informações cujo único resultado na maioria das vezes é o desperdício de recursos por um lado, ou a falta do mesmo pelo outro. De nada serve possuir um centro de distribuição de remédios comum sistema de controle de estoque se o mesmo não está integrado com outros centros, hospitais e postos de saúde da rede pública.

Por outro lado, também não tem serventia alguma possuir todo esse sistema quando as informações que ele gera não são utilizadas nas tomadas de decisão da Secretaria de Saúde durante a compra e distribuição de insumos, ou durante a elaboração do orçamento do próprio município.

Outra situação muito comum nas cidades brasileiras é a divisão das responsabilidades e obrigações, principalmente devido aos diferentes atores e níveis de poder público e também ao incremento da participação do setor privado em projetos de Parceria Público-Privado (PPP), dificultando, assim, a transmissão de informações. 

A Integração pode utilizar informações da IoT

Por esse motivo, muitos projetos nos quais intervém esses diferentes atores, tais como obras de infraestrutura ou intervenções em zeladoria, sofrem diversas alterações que impactam na própria prestação do serviço, no tempo de entrega e na qualidade do mesmo. Muitas dessas alterações seriam desnecessárias caso houvesse uma melhor gestão na etapa de criação do projeto.

É necessário promover uma maior integração dessas informações, gerando cadeias lógicas de comandos e protocolos de funcionamento interligados. Assim, quando houver uma intervenção em uma rua por exemplo, é necessário saber qual é o prazo de cada empresa, a função de cada uma, a origem dos recursos, do material, da mão de obra, quando deve ser feita a interdição do trânsito ou desligar a rede elétrica e, após finalizar a intervenção, quando devem ser restaurados os serviços. Cada processo é importante e todos geram uma dinâmica que deve ser assimilada pela cidade junto a outros processos.

Todos os setores urbanos podem e devem ser integrados de modo a formar um grande mecanismo logístico onde a informação é o principal elemento, agindo como a “inteligência” deste grande ente urbano que forma a cidade.

O tratamento das informações é o principal fator para gerar um espaço inteligente em uma Smartcity, já que não adianta realizar grandes investimentos, implementar novas tecnologias, contratar diversos funcionários ou diversificar a economia utilizando de modo isolado ou setorial as informações que circulam em cada uma dessas dinâmicas. Por exemplo, se uma cidade implementou um sistema de iluminação a led, ela deve recompilar não somente as informações referentes ao consumo de energia, como também saber o impacto no valor do m² da região, na redução dos crimes e violência noturna, no bem-estar das pessoas etc., e também deve ter que essas informações sejam divididas com outros setores implicados, formando uma base de conhecimentos desde um projeto simples. 

Setores SmartCity

Somente o conjunto de informações interligados fornece uma visão integrada de como funciona a cidade por inteiro, e fornece também a imagem de como fazer com que projetos de Smartcity não sejam apenas intervenções locais e setoriais, mas processos que modificam a dinâmica de uma cidade, promovendo o desenvolvimento da mesma de forma mais homogênea e equilibrada.

Fazer com que a dinâmica de cada setor de uma cidade se transforme em um processo dentro de um espaço inteligente promove a inovação de todos os setores implicados, tanto públicos como privados e dos segmentos sociais. Ou seja, não se trata somente de inovar em um setor, mas fazer com que graças a integração gerada, a inovação em um determinado setor seja perceptível em todo o sistema.

Por esse motivo, muitas das Smartcities estão implementando novas tecnologias com o intuito de gerar sistemas integrados de informação. Entre elas podemos destacar:

– Telecomunicações (WIFI, 3G, Digital TV)

– E-Government

– E-Health

– Economia criativa

– Smartgrids

– BIGData

– IoT (Internet das coisas)

– IA inteligência Artificial

A implementação dessas tecnologias varia conforme a cidade e o próprio projeto de Smartcity, não havendo um padrão a seguir, nem a necessidade de utilização de todas, porém são ferramentas importantes na integração das dinâmicas urbanas e na consolidação de uma cidade inteligente e de uma rede de informações integradas.

Uma boa gestão das informações de um espaço urbano é o que possibilita os projetos de Smartcity, dessa forma, tanto grandes cidades quanto pequenos municípios podem gerar espaços inteligentes, somente o volume das informações e suas dinâmicas serão diferentes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Mundo em Conexão” (Fonte):

https://marketingland.com/wp-content/ml-loads/2017/10/social-media-1920-ss-800×450.jpg

Imagem 2Em 2017 o SUS desperdiçou mais de R$ 16 milhões em medicamentos de alto custo” (Fonte):

https://leismunicipais.com.br/noticias/wp-content/uploads/2014/11/201411171-1.jpg

Imagem 3A Integração pode utilizar informações da IoT” (Fonte):

http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2017/09/cidades-monitoradas.jpg

Imagem 4Setores SmartCity” (Fonte):

https://smartcitiesworld.net/AcuCustom/Sitename/DAM/007/news-gov-apr17-Frost_Sull_smart.jpg

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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