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[:pt]Inteligência Cibernética e Contrainteligência da China[:]

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Na China não é fácil explorar as OSINT (Open Source Intelligence), ou Fontes abertas de Inteligência, que são as informações de domínio público (public domain information), dados e informações noticiadas (acessadas na imprensa escrita e falada), diários oficiais, páginas do perfil público de pessoas em sites de relacionamento virtual, sítios de busca, portais na Internet etc.[1]

Ultimamente, tem ficado ainda mais difícil realizar pesquisas na rede, utilizando palavras ou expressões-chaves como: 中国 (China), 北京 (Pequim), 香港 (Hong Kong), 动向 (Tendências), 经济 (Economia), 政策 (Política) 政府, (Governo), 战略 (Estratégia) 产业 (Indústria), 商标 (Marca), 破产 (Falência), 技术 (Tecnologia), 窍门 (Know-how), 未来 (Futuro) e outras em Chinês-Mandarim. Provavelmente, devido as ações de contrainteligência aplicadas pelo país.

O Projeto Escudo Dourado[2], mais conhecido como Grande Firewall da China, realiza o bloqueio de um IP (Protocolo de Internet, na sigla em Inglês) considerado invasivo, com filtragem e redirecionamento de DNS (Sistema de Nomes de Domínios), filtragem de URL (Localizador Uniforme de Recursos), filtragem de pacotes de palavras e expressões controversas, bem como com o bloqueio de conexão, com impedimento de reinicialização, e reconhecimento e identificação do tráfego VPN/SSH. Ressalte-se que essas ações também são feitas por outros países pelo mundo, especialmente no Ocidente, por meio do seus Órgão de vigilância.

Basicamente, sites são colocados em uma “lista negra”, impede-se o acesso por pessoas identificadas como suspeitas e são monitoradas as comunicações telemáticas delas após as tentativas de acesso ou consulta ao Google e outros buscadores, com a utilização das palavras-chaves “proibidas”.

A Organização Grande Firewall da China promete “Testar qualquer website e ver em tempo real se ele está sob suspeição na China!”, conforme a Organização assim afirma, sob o argumento de que o Governo quer impedir o acesso pleno às Fontes Abertas de Inteligência, especialmente a Internet, em sites e páginas suspeitos de estarem atuando para interferir nos assuntos chineses, em seu território.

No entanto, a filosofia dessas ações de contrainteligência cibernética e contraespionagem telemática da China remete à Sun Tzu (544 a.C. a 496 a.C.), considerado o pai da espionagem, porque foi o primeiro teórico da espionagem como estratégia de guerra, desenvolvendo o tema no 13º capítulo de sua magistral “A Arte da Guerra[2], sendo um pensamento que é estudado e aplicado em alguma medida no mundo todo, seja de forma ofensiva, como defensiva. Em suas “Regras Para a Subversão Política e Psicológica”, Sun Tzu teria esclarecido que: 

Não existe arte mais elevada do que a de destruir a resistência do inimigo sem uma luta em campo aberto. A tática direta da guerra está apenas necessariamente no campo de batalha, mas somente as táticas indiretas podem levar a uma vitória real e duradoura. Tudo que representa valor no país inimigo deve ser subvertido. Os emissários das grandes potências devem ser implicados em crimes comuns e suas posições devem ser solapadas e suas reputações destruídas também de outras maneiras ao mesmo tempo que são expostos ao ridículo perante seus concidadãos. Não evite a ajuda de outras pessoas, por mais baixas e desprezíveis que elas sejam. Perturbe o trabalho do seu Governo por todos os meios ao seu alcance. Espalhe a desunião e a disputa entre o povo do país inimigo. Jogue os moços contra os velhos. Use todos os meios para destruir suas armas, seus suprimentos e a disciplina das forças inimigas. Desmoralize as velhas tradições e os deuses que veneram. Seja generoso com promessas e recompensas para comprar informações e aliciar cúmplices. Envie agentes secretos seus em todas as direções. Não poupe dinheiro nem promessas pois trazem sempre grandes lucros[3].

A China parece adaptar as lições do velho general, estrategista e filósofo a esse campo de batalha contemporâneo, no caso, a Contrainteligência cibernética, para não permitir que os seus adversários usem contra si os instrumentos apresentados pelo seu grande pensador, evitando que “Perturbe[m] o trabalho do seu governo por todos os meios ao seu alcance”.

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] Ver:

MONTALVÃO, Marcelo de; Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa.

[2] Um sistema de vigilância eletrônica na internet do Ministério da Segurança Pública – MSP, do Governo de Pequim, ativado em 2003.

[3] Ver:

GEHLEN, Reinhard. O Serviço Secreto. Rio de Janeiro: Editora Biblioteca do Exército, 1972.

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Imagem1A Muralha da China Património Mundial da UNESCO ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Muralha_da_China

Imagem 2Gravura de Sun Tzu, o pai da espionagem” (Fonte):

https://simple.wikipedia.org/wiki/Sun_Tzu  

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Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

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