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Intercâmbio social na África: da ação solidária ao oportunismo orçamentário

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Anualmente, jovens do mundo todo buscam ampliar os horizontes através de intercâmbios, ora com o intuito de aprender e/ou dominar uma língua estrangeira, ora como forma de compreender a diversidade cultural de outros povos. Nos últimos anos, a modalidade intercâmbio social tem tomado relevância, ao unir a busca pelo desconhecido dos jovens e, ao mesmo tempo, a oportunidade de contribuir com a vida de grupos mais necessitados.

Os intercâmbios sociais, ou voluntários, reproduzem a ida desses jovens para regiões fora das principais rotas turísticas e que carecem de recursos humanos para prover assistência em serviços básicos. Os objetivos vão além do aprendizado de uma língua, pois o foco está em ajudar terceiros[1]. Como o intercâmbio é voltado para o trabalho, então a duração é de aproximadamente três meses[1]. Entre os benefícios do trabalho voluntario no exterior está a valorização do currículo, por demonstrar características como autonomia, proatividade e interesse social[1].

No plano internacional, o príncipe Harry, do Reino Unido, anunciou que sairia do Exército Britânico ainda em 2015 – após servir duas vezes no Afeganistão – para se concentrar em projetos pessoais para promover atos beneficentes no continente africano[2]

Apesar do efeito benéfico contagiante em unir a experiência internacional com a vontade de ajudar, alguns especialistas em cooperação na África tem criticado Organizações Não Governamentais (ONGs) que estão criando um negócio a partir desse voluntariado na África. Várias ONGs detectaram um lucrativo negócio nesta crescente necessidade de ajuda, e agora fomentam um voluntariado disposto a pagar para financiar seus projetos perante a diminuição de ajudas públicas[3].

De acordo com Laura Carmona, especialista em cooperação internacional para o desenvolvimento na África Subsaariana, “elas (ONGs) se voltaram a captar voluntários, a criar projetos em torno deles e se financiar com as cotas que são cobradas[3]. Além disso, adicionou: “o voluntariado se transformou em um negócio que nada tem a ver com a cooperação internacional. Parece que só importa o dinheiro e que, portanto, é dirigido a pessoas que podem pagar[3]

Apesar desta visão, os voluntários assimilam o cenário com outro olhar, visto que eles entendem que os gastos são justos para arcar com custos relacionados ao alojamento e à manutenção. Assim, seria uma forma justa de garantir condições mínimas para desempenhar um trabalho profissional voluntário nessas regiões carentes[3]. Por exemplo, a Children of Africa cobra 350 euros por mês de cada voluntário, o que inclui taxa de inscrição e manutenção, além da passagem de avião e dos gastos com o visto. O orfanato queniano Chazon cobra 75 euros por semana para cobrir os gastos com alojamento e a dieta do voluntário[3].

Outra modalidade que surgiu são as “férias solidárias”, uma combinação de visitas turísticas ao país acompanhadas de um trabalho voluntário nos projetos de ONG que são organizados. Para Vanesa Lozano, da ONG Africa Sawabona, “o simples fato de viajar é uma escola. Conhecer outros estilos de vida te enriquecem como pessoa[3].

Enquanto a indefinição orçamentária de várias ONGs na África poderia causar constrangimentos nas estratégias de curto e médio prazo, a solidariedade embutida no intercâmbio social cria as condições necessárias para a criação oportuna de um novo mercado, seja como mão de obra, seja como fortalecimento de um network internacional. Até o momento, a única preocupação dos críticos reside na devida implementação das ações, isto é, na efetiva implantação de estratégias para mitigar o sofrimento humano e salvaguardar os direitos humanos das populações vulneráveis e necessitadas.

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Imagem (Fonte):

http://www.pauloreis.info/wp-content/uploads/2015/07/O-Dia-Nacional-do-Voluntariado_POST-_LINDO-ESTE-Primeiro_POST…..jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Zero Hora”:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/educacao/noticia/2015/06/intercambio-voluntario-da-destaque-ao-curriculo-4788336.html

[2] Ver Terra”:

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/principe-harry-deixara-exercito-e-sera-voluntario-na-africa,9ab9f49a45ccb410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

[3] Ver Época Negócios”:

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2015/07/voluntariado-vira-negocio-na-africa.html

João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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