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[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

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Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para a internacionalização das empresas, reiterando que o conceito de internacionalizar uma organização não é apenas a realização de uma transação internacional (comércio exterior), mas um processo de adaptação da mesma para sua inserção no mercado internacional.

Desenvolver uma estratégia de mercado é fundamental nesse processo, além de preparar a empresa em todas as suas esferas. Desde o produto aos recursos humanos, toda a infraestrutura da empresa deverá se adaptar a essa nova realidade, mas muitas corporações não sabem quais são os primeiros passos que devem realizar e como devem proceder perante essas mudanças.

Cabe ressaltar que a aprendizagem empresarial é algo fundamental para o processo de internacionalização e que as empresas devem estar dispostas a realizar as mudanças necessárias, ao mesmo tempo que devem adaptar suas atividades, seus valores e seus objetivos à realidade internacional. Aquela que não realiza essas adaptações está condenando o futuro de todos seus projetos e limitando suas próprias possiblidades.

Atuar no mercado internacional é como começar do zero. Um novo mercado, uma nova legislação, padrões de consumo distintos, uma nova realidade. Nesse sentido, a informação se transforma em um recurso importante, assim como a capacidade de absorção das empresas.

Certo é que cada setor possui suas próprias características e que muitas delas irão se refletir ao longo do processo de internacionalização, porém existe uma série de passos que toda empresa pode realizar para facilitar o processo, dentre os quais podemos destacar:

– Definir metas e objetivos: uma empresa que deseja desenvolver uma estratégia internacional deve ter muito claro quais são seus objetivos. Embora seja importante a busca de novas oportunidades ao redor do mundo, ela deve manter sempre o controle de seus objetivos e, dessa forma, não ceder aos ditados do mercado internacional.

– Buscar orientação e assessoria: A empresa dificilmente irá conseguir realizar o processo de internacionalização sem a orientação de um profissional especializado ou de uma assessoria externa. Existem organismos tanto públicos quanto privados que lhes auxiliam durante todas as etapas do processo de internacionalização.

– Adaptação da empresa: Uma organização que deseja se internacionalizar deve se adaptar à realidade internacional. Precisa disponibilizar sua página web, catálogos e apresentações em um segundo idioma, pois é algo prioritário para se apresentar ao mundo; tem de capacitar seus recursos humanos na aprendizagem de uma nova língua, ou realizar a contratação de novo pessoal; deve avaliar os processos internos e como estes serão afetados pela internacionalização da empresa; além disso, adaptar seus valores, objetivos e a missão da empresa a nova realidade; bem como de ampliar sua rede de informações e networking.

– Benchmarking: Conhecer a atuação de outras empresas do setor no mercado internacional pode ser importante. Da mesma forma, é fundamental conhecer a atuação das empresas do setor nos países ou nos mercados que deseja acessar. A corporação não pode se alimentar somente das informações cedidas pelas assessorias e por órgãos oficiais, ou por publicações, é necessário que a mesma realize diversas prospecções de mercado – que podem ser orientadas pelo consultor ou assessor que está lhe auxiliando no processo de internacionalização – sendo esta uma forma de obter uma perspectiva personalizada do mercado internacional.

Essa ferramenta será importante não somente na adaptação da empresa, mas também no processo de reconhecimento do mercado e das especificidades da demanda. As missões empresariais realizadas por algumas empresas, consultorias e agências públicas são eficientes nesse sentido, já as feiras de negócios possuem um caráter mais comercial, embora também sejam uma fonte importante de conhecimento de mercado.

– Buscar orientação jurídica: Uma empresa deverá realizar uma série de adaptações para poder atuar no mercado internacional. Cada país possui suas próprias exigências, assim como as autoridades brasileiras possuem ferramentas próprias destinadas às empresas que operam no exterior. Desde a exportação, à remessa de dividendos, todos esses conceitos supõem uma nova realidade para a corporação.

– Aprendizagem interna e externa: Muitas empresas falham no processo de internacionalização devido a uma má assessoria ou a falta de adaptação de sua estrutura. Várias não concluem o processo e acabam se transformando em “aventureiras internacionais” que vivem na busca contínua de oportunidades de mercado, permanecendo sob as rédeas das oscilações do mercado global, das divisas e das mudanças geopolíticas.

É importante para empresa promover um sistema de aprendizagem tanto interno quanto externo. Interno no que se refere a adaptação da mesma e a sua capacidade de resposta e definição de uma estratégia; externa no que se refere aos próprios desafios da internacionalização e aos atores que atuam no processo.

Entre todos esses passos talvez seja importante reiterar que as empresas saibam, desde já, que, mesmo solicitando assessoria, existem perfis diferentes de profissionais e poucas são as firmas ou organizações que oferecem uma assessoria completa. A corporação necessita de pessoas que conheçam o processo de internacionalização (consultores internacionais e assessorias especializadas), em alguns casos que dominem conhecimentos sobre o processo de exportação e importação (profissionais experientes em comércio exterior), e pessoas com competência para atuar no direito internacional (advogados e consultores jurídicos). Infelizmente, o que muitas acabam fazendo é concentrar todo o projeto em apenas um profissional, algo pouco funcional e por vezes arriscado.

Embora à primeira vista possa parecer um projeto complexo e demorado, na verdade se trata de um processo contínuo, uma forma de promover um maior controle estratégico para a organização e consequentemente melhores resultados. Do contrário – que infelizmente ainda acontece com muitas ocasiões – o que temos são empresas pouco preparadas que devem sobreviver não somente às oscilações do mercado nacional, como também do mercado internacional. No caso brasileiro, essa situação é numerosa e faz com que o número de casos de êxito de empresas brasileiras internacionalizadas seja ainda pouco expressivo, se comparado com outros países em desenvolvimento, como a China ou a Índia.

O Brasil está classificado no ranking internacional realizado pelo Banco Mundial como um dos países mais burocráticos do mundo, sendo assim, se as empresas conseguem sobreviver a este mercado, sem dúvidas, com preparação, orientação e adaptação certamente vão conseguir conquistar o mercado internacional.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Internacionalização Compondo o Mundo” (Fonte):

https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/Image/ascom/noticias/internacionalizacion.jpg

Imagem 3 Internacionalização Processo” (Fonte Autor):

Slide próprio

Imagem 4 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro uma poucas as empresas brasileiras que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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