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[:pt]Investimentos decrescem na Etiópia com desestabilização social[:]

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Os crescentes protestos entre os Oromo e o Governo etíope – protestos que suscitaram a instauração de um estado de emergência no país – começam a ser sentidos não somente no cotidiano local, mas também nos indicadores de investimentos. Isto porque significativa parcela dos protestos mais recentes concentrou-se nos ataques a fábricas e pequenas manufaturas, despertando o temor entre o empresariado local.

Nos últimos anos, a Etiópia despontou como a principal economia da África Oriental, superando a magnitude da economia queniana. Segundo dados do Banco Mundial, nos últimos dez anos, a taxa de crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) etíope foi de 10,96%, sendo um valor pouco visto em outras nações do mundo.

Significativa parte deste crescimento veio da consolidação dos investimentos – públicos, privados e internacionais – no setor agrícola, à medida que este desponta como o principal setor produtivo do país. É intenção do Governo etíope, neste momento, concentrar-se na transição de sua pauta produtiva, rumo às atividades industriais, o que impulsionaria os ganhos de produtividade e a distribuição destes ganhos ao restante da sociedade.

O capital internacional, por sua vez, vem desempenhando papel crucial na sustentação das altas taxas de crescimento do PIB, não somente via doações, mas também via investimento estrangeiro direto. Em 2005, em valores reais, aproximadamente 265 milhões de dólares foram aportados na Etiópia, enquanto que, em 2015, a cifra de investimentos estrangeiros elevou-se para, aproximadamente, 2,16 bilhões de dólares.

No entanto, importante componente na sustentação dos investimentos – sejam eles privados ou internacionais – são as expectativas quanto aos ganhos futuros, as quais, por sua vez, estão atreladas à confiança dos investidores na estabilidade social, fato que auxilia na previsão de conjunturas futuras. Uma deterioração da paz e estabilidade da ordem social local, com os crescentes conflitos entre manifestantes e a polícia tende, no curto e médio prazo, a refrear os investimentos, o que colocaria em xeque o plano desenvolvimentista do Governo etíope.

Do outro lado, os protestos mostram que o desenvolvimento proposto pelos governantes pode não englobar todas as aspirações que emergem da sociedade civil etíope, à medida que geram violentas respostas como os protestos que vem povoando o país nos últimos meses. Isto porque, conforme relatam defensores dos direitos humanos, há relativa imposição por parte do Estado de seus projetos de infraestrutura e planos econômicos, cujos efeitos recaem na completa transformação na lógica de reprodução social de uma série de grupos étnicos.

Neste sentido, enquanto tais posicionamentos não forem englobados na formulação das políticas públicas, tende-se a observar um número crescente de conflitos, desafiando a manutenção do nível de investimento nos padrões que se observaram nos últimos anos.

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ImagemAddis Ababa” (Fonte – Commons):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Addis_Ababa_skyline.jpg

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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