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Investir um euro no refugiado pode resultar em dois euros, dentro de cinco anos

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Em meio à maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) destacou que, em média, 24 pessoas foram forçadas a fugir a cada minuto de 2015, número quatro vezes maior do que na década de 1990, quando seis pessoas eram forçadas a se deslocarem a cada minuto.

O número de deslocados forçados subiu de 59,5 milhões em 2014 para 65,3 milhões no ano seguinte, superando, pela primeira vez, a marca de 60 milhões na história da organização. Atualmente, tanto países desenvolvidos quanto países em desenvolvimento têm analisado cuidadosamente os prós e contra de aceitar refugiados em seus respectivos países. Para Justin Trudeau, Primeiro-Ministro canadense, a política de receber refugiados é um investimento para o país e que a composição populacional homogênea do Canadá contribui para aceitá-los. Além disso, Trudeau confia que os refugiados que chegarão vão trabalhar duro para construir um país melhor.

Em meio às polêmicas, foi lançado um estudo pela Tent Foundation e pela Open Political Economy Network que defende a incorporação de refugiados e o empoderamento deles na força de trabalho dos países, levando a um crescimento econômico significativo, a um aumento na produtividade e nos salários, na criação de novos negócios e postos de trabalho e no aumento da inovação e do comércio internacional. Nele, considera-se que o investimento de um euro na assistência ao refugiado pode produzir, aproximadamente, dois euros em benefícios econômicos, no prazo de cinco anos.

O Relatório Refugees work: a humanitarian investment that yields economic dividends destaca que gastos adicionais da União Europeia com refugiados, na ordem de 0,09% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015, e de 0,11%, em 2016, poderia elevar em 0,13% as projeções do PIB, em 2017. Consequentemente, o impacto da força laboral dos refugiados na economia poderia aumentar o PIB em 0,23% até 2020, resultando em um aumento total de 0,84%, entre 2015 e 2020.

De acordo com o Relatório, o investimento em receber os refugiados pode gerar sete tipos de dividendos. O primeiro consiste nos trabalhos pouco apreciados pelos cidadãos locais, que envolvem tarefas difíceis, relativamente perigosas e pouco apreciadas, como faxineiros, babás ou cuidador de idosos. Dessa maneira, os cidadãos locais poderiam se especializar em tarefas de maior valor agregado. Em segundo lugar, os refugiados com habilidades avançadas podem suprir ou complementar postos de trabalhos que carecem dessa mão de obra especializada. O terceiro tipo de refugiados se enquadra na categoria de empreendedores. O relatório cita o caso de Sergey Brin, que chegou aos Estados Unidos como refugiado da União Soviética e é co-fundador da Google. Na Grã-Bretanha, migrantes tem duas vezes mais chances de abrir um negócio do que os britânicos; na Austrália, os refugiados constituem o grupo mais empreendedor do país.

Em quarto lugar, o contato com novas experiências e perspectivas culturais potencializa novas ideias e tecnologias. Dessa forma, isso geraria um dividendo relacionado à diversidade. Por exemplo, mais de três quartos das patentes geradas em 2011, nas dez maiores universidades produtoras de patentes nos Estados Unidos, tinham pelo menos um migrante entre seus inventores.

Em média, os refugiados tendem a ter menos de 20 anos, fornecendo, assim, um dividendo demográfico. A Alemanha seria um país que poderia se beneficiar da chegada de refugiados jovens para complementar as técnicas e os postos de trabalho dos trabalhadores mais experientes.

Em sexto lugar, um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que os migrantes tendem a contribuir para as redes de previdência social, gerando um retorno financeiro dos gastos públicos.

Por último, os refugiados fornecem um dividendo para o desenvolvimento, ao enviar remessas financeiras para seus pais, filhos – e indiretamente para o seu país. Por exemplo, as remessas para Libéria, um país que tem enfrentado muitos problemas e gerado uma quantidade relativa de refugiados pelo mundo, representam 18,5% do seu PIB.

Mediante a diversidade de exemplos e de projeções, o Relatório reforça que a aceitação de refugiados não deve ser vista apenas como uma obrigação legal ou humanitária, mas como um investimento que pode produzir muitos dividendos econômicos e contribuir para a melhoria do comércio e das finanças nacionais e global.

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Imagem (Fonte):

https://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/wp-content/uploads/2015/12/Acnur9.jpg

João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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