LOADING

Type to search

Invocação pela Paz, no Vaticano, a favor do Oriente Médio

Share

No último domingo, 9 de junho, aconteceu a histórica reunião no Vaticano entre o Papa Francisco, o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I de Constantinopla e os Presidentes Shimon Peres, de Israel, e Mahmoud Abbas, da Autoridade Nacional Palestina.

O encontro aconteceu na sequência da viagem do Sumo Pontífice ao Oriente Médio, no mês passado. A reunião entre os quatro líderes é uma possibilidade do retorno ao diálogo entre israelenses e palestinos após terem fracassado em abril as negociações de paz mediadas pelos EUA. Contudo, o Vaticano deixou claro que a intenção é contribuir para o fim das “eternas” negociações, mas não pretende se envolver na política do Oriente Médio[1].

A presença dos governantes de Israel e da Palestina no Vaticano aconteceu no momento em que Shimon Peres se prepara para deixar a Presidência de seu país no próximo mês, aos 90 anos de idade, e quando Mahmoud Abbas conseguiu reunificar a Palestina através de um Governo de Unidade entre o Fatah e o Hamas. Israel não é favorável à união entre os movimentos Fatah e Hamas, que é considerada por Peres como contraditória e de curta duração. Segundo ele, “um deles é a favor do terror e o outro é contra. Isso não vai funcionar. Você não pode ter água e fogo no mesmo copo[2]. Independentemente do momento de tensão que paira em ambos os lados em virtude da nova etapa política da Palestina[3], a determinação dos dois líderes permitiu dar um passo adiante em direção à reabertura do diálogo político.

Pela primeira vez na história do conflito israelo-palestino, registrou-se uma iniciativa incomum em nome da paz no Oriente Médio. Em entrevista ao jornal romano La Repubblica, Mahmoud Abbas afirmou que o “convite do Papa foi corajoso” e acrescentou: “Com esta invocação, estamos enviando uma mensagem para os crentes das três religiões e outros: o sonho de paz não pode morrer[4]. Os quatro líderes, cientes das dificuldades que envolvem as negociações de paz entre Israel e a Palestina, não afirmaram a reabertura das negociações, demonstrando apenas flexibilidade e coragem para ir em busca de uma hipótese de abertura de mais uma porta para futuras conversações. Como afirmou o Papa aos dirigentes Israelense e palestino, “o processo de paz exige coragem muito mais do que a guerra[5].

Os jardins do Vaticano foram escolhidos para o encontro entre os dois líderes políticos por serem considerados neutros e, assim, protagonizaram um evento singular que reuniu os representantes políticos acompanhados pelo Pontífice e pelo Patriarca Bartolomeu, em torno de orações e meditações individuais em nome da paz. Este encontro entre Peres e Abbas representa mais do que o contato de um judeu e um muçulmano, mas, sim, dos líderes de todos os cidadãos judeus, cristãos e muçulmanos.

Segundo o Custódio da Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, um dos organizadores da reunião, o objetivo foi daruma pausa na políticae a estrutura da oração foi preparada de modo idêntico para mostrar que eles sãofilhos do mesmo Deus[6].

O aspecto político da reunião entre o Papa Francisco, o Patriarca Bartolomeu, Peres e Abbas cedeu espaço, também, aos valores culturais comuns aos dois povos. O plantio de uma oliveira nos jardins do Vaticano representou o respeito às tradições e às culturas israelense e palestina, cujo significado se reporta à paz. A oliveira, ligada à identidade de ambos os povos, é um elemento cultural comum a judeus e palestinos[7].

O desdobramento do encontro entre Shimon Peres e Mahmoud Abbas, promovido pelo Papa Francisco, ainda é incerto mas, num primeiro momento, é possível verificar a posição de imparcialidade por parte do Vaticano no tratamento para com as duas culturas e os dois representantes políticos. Somente os elementos que os unem poderão contribuir positivamente para a reabertura do diálogo e para resgatar, junto aos israelenses e palestinos, a esperança do fim do conflito.

——————————————————-

Imagem Shimon Peres, Mahmoud Abbas, Papa Francisco e Bartolomeu I, Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma e Patriarca Ecumênico, plantam uma oliveira nos jardins do Vaticano” (Fonte):

http://www.todayonline.com/sites/default/files/styles/photo_gallery_image_lightbox/public/2014-06-09T040704Z_1_LYNXMPEA5803S_RTROPTP_4_POPE-MIDEAST.JPG?itok=_XadMWFx

——————————————————-

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.597369

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.597560

[3] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=703016

[4] Ver:

http://www.repubblica.it/esteri/2014/06/08/news/papa_francesco-pentecoste_medio-oriente-88378615/?ref=HRER3-1

[5] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.597667

[6] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.597369

[7] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/oliveiras-israelenses-e-palestinas-tradicao-apuro-e-resistencia/

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!