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Irã afirma ter abatido drone israelense perto da Usina de Natanz

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A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou no domingo passado, 24 de agosto,ter derrubado um drone israelense perto de uma usina de enriquecimento de urânio em Natanz[1]. A estação, localizada no centro do país, é o principal sitio de enriquecimento de urânio do Irã[2]. No passado, Israel ameaçou atacar instalações nucleares iranianas, acusando o Irã de tentar desenvolver armas nucleares. O país está em negociações com seis países, incluindo os Estados Unidos, sobre seu Programa Nuclear, que insiste ser pacífico[1]

Um drone espião do regime sionista foi interceptado por um míssil terra-ar[3], disse a Fars, agência semi-oficial de notícias da República Islâmica, citando um comunicado do Departamento de Relações Públicas da Guarda Revolucionária. “A reação vigilante do nosso sistema de defesa abateu este drone antes que ele pudesse alcançar os céus de Natanz[3]. Não foram apresentadas provas e as autoridades israelenses se recusaram a comentar o relatório[3]. “Este ato malicioso mais uma vez revela a natureza aventureira do regime sionista [de Israel] e acrescentou outra página negra para a história deste regime falso e belicista que está cheia de crimes[2], disse o comunicado da Guarda Revolucionária.  

Ainda de acordo com o comunicado, a aviação israelense era projetada para ser imperceptível aos radares e tinha a missão de espionar as atividades de enriquecimento do Irã. O IRGC, Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, advertiu ainda que “preserva o direito de reação e retaliação[4].  Ele também observou que o IRGC, ao lado de outras Forças Armadas da República Islâmica,está “completa e resolutamente pronto para defender a nobre nação e Estado iranianos[4].  

Natanz é a principal usina de enriquecimento de urânio do Irã, contendo mais de 16 mil centrífugas[5].  Outras 3.000 estão na fábrica de Fordo, enterradas dentro de uma montanha e difíceis de destruir[2]. Teerã insiste que quer manter sua capacidade nuclear para fins pacíficos, mas os críticos – incluindo muitos em Israel – afirmam ser uma fachada para produção de armas nucleares[5]. O incidente ocorre em meio às negociações do Irã com as potências mundiais sobre seu Programa Nuclear. Israel não descartou a possibilidade de uma ação militar contra as instalações nucleares do Irã caso sua capacidade de construir uma arma atômica progrida[6], mas tem sido relutante em fazê-lo sem o apoio ou participação dos EUA[2].

O incidente foi precedido por um anúncio feito pelo presidente Rouhani que revelou “novos mísseis e drones produzidos localmente, apenas para fins defensivos[3]. Nas últimas semanas, autoridades iranianas disseram que não desistirão dos extensos programas de mísseis do país. Estas, frequentemente apontam que nunca iniciaram uma guerra e que estão rodeadas por inimigos[3]. Apesar de o Irã muitas vezes se envolver em propaganda para fins domésticos, drones estrangeiros de fato sobrevoam o espaço aéreo iraniano[3]. Em 2011, a Guarda Revolucionária afirmou ter abatido um RQ-170 americano, obrigando-o a pousar no deserto. No entanto, autoridades americanas declararam que o drone tinha deixado de funcionar após uma avaria técnica[3].

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, tem dito repetidamente que o Programa Nuclear iraniano é uma ameaça existencial ao seu país. O Irã insiste que seu enriquecimento de urânio é para fins civis. Irã e as potências P5 + 1 (Grã-Bretanha, China, França, Rússia, Estados Unidos e Alemanha) chegaram a um acordo provisório de seis meses em que o Irã suspendeu parte de suas atividades nucleares em troca de um levantamento parcial das sanções internacionais[2].

Em julho, o Acordo foi prorrogado por quatro meses para dar aos dois lados mais tempo para negociação de um Acordo final. As partes continuam divididas sobre qual teor de enriquecimento de urânio deverá ser permitido ao Irã. Washington quer que Teerã reduza seu programa em três quartos, mas o Irã quer ampliar em dez vezes seu enriquecimento até 2021, principalmente para produção de combustível para sua usina nuclear de Bushehr. Israel opõe-se a qualquer acordo que permita que Teerã mantenha parte de seu programa de enriquecimento, visto que tal tecnologia ameaçaria diretamente a segurança de Tel Aviv[2].

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Imagem Na foto divulgada na última segunda-feira, 25 de agosto de 2014 pela Guarda Revolucionária Iraniana, foram expostos pretensos destroços de um drone israelense que o Irã afirma ter abatido perto de uma estação nuclear iraniana”(Fonte AP Photo/Sepahnews):

http://news.nationalpost.com/2014/08/25/iran-shows-off-israeli-drone-it-claims-it-shot-down-near-nuclear-site-but-story-doesnt-ring-true-experts-say/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/8/25/headlines#8255

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/aug/24/israeli-stealth-drone-nuclear-facility-iran-natanz?utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_term=%2AMideast%20Brief&utm_campaign=2014_The%20Middle%20East%20Daily_8.25.14

[3] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/08/25/world/middleeast/iran-says-it-shot-down-an-israeli-drone.html?ref=middleeast&utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_term=%2AMideast%20Brief&utm_campaign=2014_The%20Middle%20East%20Daily_8.25.14

[4] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=167254&cid=19&fromval=1

[5] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-28920361

[6] Ver:

http://www.nbcnews.com/news/world/israeli-drone-shot-down-over-iran-revolutionary-guards-say-n188226

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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