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Após a saída unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), governo Trump anunciou a aplicação de novas sanções ao país persa. Além disto, solicitou que nenhum aliado seu importe petróleo do Irã e pressionou os Estados do Golfo Árabe para aumentarem a produção de petróleo. O presidente iraniano Hassan Rouhani, em resposta, declarou na sua página oficial que “os estadunidenses têm apoiado sobre a completa paralização das exportações de petróleo iraniana. Mas eles não entendem o real significado dessa declaração porque não existe nenhum motivo para o petróleo iraniano não ser exportado, enquanto os outros países da região o fazem”, por isso também ameaçou fechar o Estreito de Ormuz.

Mapa do Estreito de Ormuz

A importância geoestratégica desta região é essencial para o equilíbrio do comércio de petróleo no mundo. O passo entre o Golfo Persa e o de Omã é responsável por cerca de 30% a 35% da exportação marítima do produto a todos os continentes. Aproximadamente 17 milhões de barris por dia atravessam o estreito. Embarcações do Iraque, Kuwait, Bahrein e Catar, bem como de alguns portos dos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita saem diariamente. Portanto, conforme reiteração do observador de mercado global de energia, Cyril Widdershoven, sendo a ameaça do governo de Rouhani um blefe ou não, inevitavelmente são gerados impactos e incertezas quanto a passagem segura dos barcos carregados de petróleo e gás natural.

De acordo com especialistas em Oriente Médio, o fechamento de Ormuz seria a última opção da administração Rouhani. Por um lado, a tentativa poderia causar um possível confronto entre Irã e Estados Unidos, além de provocar um rompimento com o Conselho de Cooperação do Golfo, que busca preservar a livre circulação de navios e cargueiros pelo estreito. Por outro lado, reduziria o seu poder de negociação nas tratativas de mitigação das sanções estadunidenses e afastaria a União Europeia, China e Índia da sua esfera estratégica de parceria. Ademais, caso os aliados norte-americanos suspendam suas importações de petróleo, o país reduziria a venda de cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd). Atualmente, a exportação da commodity alcança 2,28 milhões/bpd, resultando em consideráveis perdas na sua receita.

Especialistas pelo mundo apontam que dificilmente o Irã irá obstruir a travessia no local, porém é possível que o Governo central utilize sua expertise em cyberwar* contra os aliados estadunidenses na região, podendo importunar suas frotas militares e embarcações de petróleo no Golfo Pérsico.

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Nota:

* Conhecida como Ciberguerra ou Guerra Cibernética, é uma modalidade de guerra na qual o conflito não ocorre com o uso de armas físicas, mas através da confrontação com meios eletrônicos e informáticos no chamado ciberespaço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hassan Rouhani reeleito nas eleições de 2013 (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Hassan_Rouhani_press_conference_after_his_election_as_president_14.jpg

Imagem 2 Mapa do Estreito de Ormuz(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/92/Strait_of_Hormuz.jpg

Tamara Sopelsa - Colaboradora Voluntária

Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES). Dentre as área de interesse estão Segurança Internacional, Geopolítica e estudos sobre o Oriente Médio. Escreve no CEIRI Newspaper sobre o Oriente Médio, particularmente sobre Irã e Iraque.

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