LOADING

Type to search

Irã: conversações nucleares podem ser estendidas por mais 6 meses

Share

A próxima rodada de negociações sobre o Programa Nuclear Iraniano está prevista para o próximo dia 16 de junho, em Viena. Com exceção da China e da Inglaterra, o Irã já vem mantendo conversações bilaterais antecipadas com os demais membros do chamado P5+1, o grupo composto pelos cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Inglaterra, China, França, Rússia e Estados Unidos) mais a Alemanha[1]. Em 24 novembro de 2013, após uma série de negociações em Genebra, o grupo P5+1 e o Irã estabeleceram um acordo provisório sobre o controverso Programa. O prazo limite para um Acordo final foi estabelecido para 20 de julho de 2014, porém, diversos atores, incluindo o Irã, já anunciaram a eventual necessidade de uma extensão de seis meses no prazo final[1].

Nesta quinta-feira, 12 de junho, a Rússia disse estar relativamente otimista após a realização de conversações bilaterais com o Irã antes das negociações da próxima semana entre as potências mundiais e Teerã sobre o programa nuclear. “Até onde podemos dizer, a delegação iraniana fez um trabalho importante com nossos colegas norte-americanos e franceses, nos últimos dois dias[1], disse o vice-chanceler russo Sergei Ryabkov. Washington e os outros Estados membros do grupo P5+1 estão buscando compromissos sólidos que garantam que o desejo declarado do Irã por um programa pacífico de energia atômica não seja uma tentativa velada para construção de uma bomba nuclear. Para o Irã, o objetivo é dar um salto através das negociações para encerrar as sanções internacionais, notadamente aquelas impostas pelos Estados Unidos, que têm agredido sua economia[1].

Autoridades iranianas e norte-americanas se encontraram no último dia 9 de junho em Genebra para buscarem formas de romper o impasse que elevou a probabilidade de que o prazo caduque sem um resultado. A rodada de negociações que já dura cinco meses entrou em dificuldades no mês passado com cada lado acusando o outro de fazer exigências irrealistas, semeando dúvidas sobre as perspectivas de um avanço no próximo mês.

Autoridades ocidentais dizem que o Irã quer manter uma capacidade de enriquecimento de urânio muito além do que é adequado para estações de energia nuclear civil[2]. Já o Irã afirma querer evitar a dependência de fornecedores estrangeiros de combustível para reatores nucleares planejados e rejeita as alegações ocidentais de que buscaria a capacidade de fabricar armas nucleares sob o disfarce de um programa pacífico de energia[2]. “O objetivo destas negociações era assegurar os direitos da nação iraniana na questão nuclear para fins pacíficos[2], afirmou o vice-chanceler iraniano Abbas Araqchi.

Em Genebra, ele mencionou a necessidade de uma possível extensão no prazo das negociações à margem de reuniões com autoridades norte-americanas de alto escalão e com o vice-chefe negociador da União Europeia. O diplomata número dois dos Estados Unidos, o vice-secretário de Estado Bill Burns, e o subsecretário de Estado Wendy Sherman, principal negociador dos EUA com o Irã, reuniram-se com uma delegação iraniana liderada por Araqchiem Genebra, nesta quinta-feira, 12 de Junho. “Esperamos chegar a um acordo final (até 20 de julho), mas, se isso não acontecer, então não temos escolha senão estender o acordo de Genebra por mais seis meses, enquanto continuamos as negociações[3], disse Araqchi. “Ainda é muito cedo para julgar se uma extensão será necessária. Esta esperança ainda existe de que seremos capazes de chegar a um acordo final até o final do período de seis meses em 20 de julho[3].

O Acordo Preliminar, negociado em 24 de novembro de 2013, sob o qual o Irã se comprometeu a arquivar alguns trabalhos nucleares sensíveis em troca do abrandamento limitado das sanções contra o país, previa a possibilidade dos seis meses de extensão, caso fosse necessário para alcançar um Acordo Final que eliminasse as sanções e removesse a suposta ameaça de guerra[2]. Mas Barack Obama, para evitar um conflito aberto com o Congresso dos Estados Unidos (onde os legisladores mais conservadores preferem sanções mais duras ao lidar com o Irã), deverá buscar a aprovação de seus congressistas para estender o alívio das sanções[2]

A recente rodada de negociações formais entre as seis potências mundiais e o Irã em Viena, com o objetivo de produzir um acordo abrangente, teve progressos escassos nos últimos meses[4]. Entre os obstáculos estão grandes divergências sobre qual a capacidade, se é que alguma, o Irã seria autorizado a ter para enriquecer urânio[4][5]. Muitos legisladores norte-americanos são céticos quanto as intenções iranianas[4], enquanto as potências do P5+1 querem que as suas atividades nucleares sensíveis sejam reduzidas permanentemente para garantir que o país não possa produzir uma arma nuclear[5]. Mas o Irã diz que seu Programa Nuclear, que ele insiste ser pacífico, vai continuar e quer o fim das sanções que debilitam sua economia. Teerã está ansiosa para ter as sanções levantadas, mas declara não querer depender dos fornecedores estrangeiros de urânio enriquecido para seus reatores nucleares. Washington, entretanto, não irá levantá-las caso suspeite que o Irã esteja enriquecendo urânio para fabricar armas nucleares[5].

As incertezas quanto aos reais objetivos iranianos permanecem, a saber, se os fins de seu Projeto Nuclear são meramente energéticos e civis (logo, pacíficos), ou se o enriquecimento também será utilizado para fins bélicos e/ou dissuasórios. Dúvidas e inseguranças sobre diversas questões, como o grau de certeza sobre as verdadeiras intenções e possibilidades iranianas; sobre quão longe está o regime de obter um aparato nuclear; sobre qual o grau de transparência do Programa; bem como  acerca de qual a racionalidade do regime (questionada por muitos) aumentam a capacidade dissuasória iraniana e também a percepção de ameaça representada pelo regime[6]. Contudo, cabe lembrar, qualquer Acordo Nuclear que seja estabelecido, por mais avançado que seja, não poderá simplesmente eliminar a tecnologia e know-how obtidos pelas pesquisas e avanços iranianos até este ponto[6].

—————————————————

Imagem: Wikipedia

—————————————————

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Jun-12/259825-russia-relatively-optimistic-after-iran-nuclear-talks.ashx#axzz34QnQVS6x

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/06/09/us-iran-nuclear-idUSKBN0EK1LL20140609

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/06/iran-could-extend-nuclear-talks-with-west-201469214217600794.html

[4] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/06/08/world/middleeast/with-nuclear-talks-sputtering-us-and-iran-plan-meeting.html?_r=0

[5] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-27762147

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-27332513

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.