LOADING

Type to search

Irã exige que aplicativos de mensagem armazenem dados dentro da sua fronteira

Share

Segundo a Reuters, no último domingo, 29 de maio, foi comunicado pela IRNA* a determinação do Conselho Supremo do Ciberespaço do Irã de que, dentro do prazo de um ano, “empresas de mensagens estrangeiras ativas no país são obrigadas a transferir todos os dados e atividades ligadas a cidadãos iranianos para o país, a fim de garantir a continuidade de suas atividades”.

O Irã é um dos lugares em que a censura na Internet é extremamente forte, principalmente em redes sociais, como Twitter e Facebook. Inclusive, em um caso recente, oito usuárias do Instagram foram presas sob alegações de postarem conteúdo “não-islâmico”, ao publicarem fotos em que aparecem sem usar lenços na cabeça, quando a lei Iraniana determina que as mulheres devem cobrir seus cabelos em público.

Essa forte censura ocasionou o fortalecimento e a popularidade de aplicativos e serviços de envio de mensagens criptografadas entre usuários, como o Telegram. Porém, a nova decisão de obrigar as empresas a armazenarem os dados de iranianos dentro da fronteira do país sem dúvida afetará a vida de usuários, que, por razões diversas, desejam ter uma comunicação privada com outros usuários.

No entanto, essa nova medida do Governo iraniano abastece um debate a respeito das origens e locais de armazenamento dos dados, tendo em vista que, atualmente, a empresa provedora dos serviços armazena os dados de seus usuários em seus servidores no país de origem delas. Assim, por exemplo, independente do local onde estejam, usuários do Google têm seus dados armazenados nos EUA, logo, estes dados estão sujeitos às determinações da lei norte americana. Como a grande maioria das gigantes de telecomunicações são norte-americanas, isso garante aos EUA um poder de quase monopólio sobre os usuários de suas empresas, não importando do lugar em que estiverem.

Os dados dos usuários passam a representar, portanto, um pêndulo no quesito “jurisdição do ciberespaço”, balançando entre o país de origem dos usuários que utilizam os serviços e o país de origem da empresa que oferece estes serviços.

———————————————————————————————–                    

* Uma agência de noticias estatal iraniana.

———————————————————————————————–                    

Imagem (Fonte):

https://www.article19.org/data/files/medialibrary/38039/FnMrLQ-IuRqQbv0OIImDqtwInAG-My-285wFHPTocDw.jpg

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!