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Irã lança proposta de diálogo com o Ocidente

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O governo iraniano apresentou nesta terça-feira, dia 6 de dezembro, uma proposta de diálogo com o “G5+1” (membros do “Conselho de Segurança da ONU” – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido – e a Alemanha) sobre o seu “Programa Nuclear”, mas impôs que quaisquer considerações devem partir desta proposta.

 

O discurso ainda é agressivo em relação ao Ocidente e denota que os iranianos desejam manter a postura de confrontação como forma de não perder o público de radicais islâmicos que internamente apoiam o governo.

Por isso, em sua declaração oficial, o chefe da “Comissão de Segurança Nacional e Política Externa da Câmara Consultiva Iraniana”, Alaeddin Boroujerdi, usou expressões como “respeito mútuo”*, “realidade da situação mundial”*, “princípios reconhecidos internacionalmente”* para definir como devem ser os diálogos e também que não aceitarão “a intimidações e palavras ameaçadoras em suas relações internacionais”*

No entanto, apesar dos discursos, a situação tem ficado tensa para o Governo iraniano, pois novas sanções estão sendo aplicadas (a Austrália decidiu aplicar sanções unilaterais)**, as decisões de fazer a suspensão das importações do petróleo do Irã***, apesar dos riscos que isto representa para a economia mundial****, estão caminhando para serem efetivadas e, após a invasão da embaixada britânica e retirada dos corpos diplomáticos de ambos os países dos territórios respectivos, outras governos europeus decidiram consultar seus embaixadores e estão ameaçando também retirar suas representações, acompanhando a decisão britânica, como são os casos de França, Alemanha, Itália e Holanda*****, o que significa a redução dos diálogos ao menor nível possível e o aumento dos riscos de ações militares.

Teerã começa a temer o retorno das manifestações populares nas ruas, além de ter aumentado o receio de que se cumpram as ameaças de ataques contra as suas “Usinas Nucleares”. De acordo com analista Hamid Farahvashi, citado pelo “Portal G1”, “As sanções estão prejudicando o povo e pode obrigá-lo a voltar às ruas para expressar sua raiva pelo estado da economia”****.

Observadores apontam que o Governo poderá recuar neste momento, aceitando novas considerações e verificações da “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA), tentar formas de conciliação, retomar os diálogos e apresentar pedidos de desculpas informais, para ganhar tempo enquanto aceleram a conclusão de seu Programa.

É uma tática difícil de ser aplicada, pelo grau de conhecimento e graus de exigências que têm as potências ocidentais. No limite, da perspectiva dos observadores, Teerã fará todos os esforços necessários para ganhar tempo, já que há a possibilidade de em aproximados dois anos eles conseguirem o domínio da tecnologia nuclear, caso nada seja feito nestes próximos doze meses. Para os analistas, esta é a sua principal estratégia.

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Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5505398-EI294,00-Ira+envia+propostas+a+Grupo+para+negociacao+nuclear.html 

**Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/australia-anuncia-novas-sancoes-contra-ira-por-programa-nuclear 

***Ver:

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE7B504I20111206

****Ver:

http://economia.ig.com.br/sancoes-ao-ira-podem-levar-petroleo-para-us-250-diz-ministerio/n1597395521981.html

*****Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/12/ira-pede-calma-ao-ocidente-em-meio-crise-diplomatica-com-reino-unido.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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