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Irã não terá corredor iraquiano para transportar armas à Síria

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O Iraque respondeu prontamente à solicitação dos EUA feita ao governo iraquiano para que não permitisse o uso pelo Irã de seu espaço aéreo e terrestre para o transporte de armas à Síria. O Governo estadunidense tem usado o argumento de que o uso deste corredor viola a “Resolução 1.747” do “Conselho de Segurança da ONU” que proíbe quaisquer exportações e armas ao Irã, aplicando sanções a quem o apoiar e realizar.

 

De acordo com a porta-voz do “Departamento de Estado” norte-americano, Victoria Nuland, “Estamos (os EUA) consultando o Iraque sobre os voos de cargas iranianas que atravessam o país rumo à Síria. (…). Estamos (os EUA) lhes explicando que qualquer exportação de armas ou materiais relacionados do Irã a qualquer destino seria uma violação da resolução 1.747 do Conselho de Segurança da ONU. (…). O que estamos dizendo ao Iraque é que se assegure de que não está ajudando e sendo cúmplice de nenhuma forma em uma violação da resolução 1.747, e que não está ajudando a armar o regime sírio, dadas as posturas que o próprio Iraque apoiou na Liga Árabe. (…). Qualquer arma enviada ao regime sírio neste momento será obviamente usada na brutal repressão que o regime está exercendo sobre seu próprio povo”*.

A decisão do governo iraquiano foi informada por meio de nota do porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh, na qual declarou que “O governo iraquiano informou ao governo iraquiano (sic., iraniano) por meio de uma mensagem e do embaixador iraniano no Iraque que não permitirá o uso de seu espaço aéreo ou de seu território para o trânsito de qualquer carregamento de armas para a Síria. (…). Nenhum carregamento de armas ou de munições de qualquer partido ou país passará pelo espaço aéreo ou pelas fronteiras do Iraque e nenhum combatente de qualquer campo terá o direito de passar para a Síria”**.

As suspeitas dos EUA decorrem da identificação de voos sobre o território do Iraque saídos do Irã com destino à Síria, suspeitando da presença de armamentos, apesar dos iranianos afirmarem estar transportando ajuda humanitária**.

As suspeitas decorrem também do fato de Teerã estar confrontando diretamente os governos da Arábia Saudita e Qatar que defenderam publicamente a necessidade de armar os rebeldes sírios contra o governo de Bashar al Assad, tendo sido esta proposta rejeitada por vários Estados, mas que tem levantado suspeitas por parte de vários analistas de que esteja sendo efetivada, uma vez que a situação do país é de uma guerra civil, na qual a Oposiçãoestá sendo massacrada e por isso não se afasta a possibilidade de que esteja ocorrendo algum auxílio aos rebeldes.

Tal suspeita tem sido levantada pelos iranianos que opinaram acerca do atentado ocorrido no último sábado (17 de março), em Damasco, que matou 27 pessoas, acusando indiretamente os sauditas como estimuladores do ato***. Do lado dos antagonistas do Irã, a contraparte de que os iranianos devem estar fornecendo meios de sobrevivência ao governo amigo de Assad se apresenta como viável e provável, sendo isto o indício para norte-americanos e ocidentais exigirem que quaisquer rotas de fornecimentos de armamentos ao regime sírio sejam fechadas.

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Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5669996-EI308,00-EUA+pedem+que+Iraque+impeca+fluxo+de+cargas+IraSiria.html

** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5670378-EI294,00-Iraque+alerta+Ira+sobre+armas+destinadas+a+Siria.html

*** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5670991-EI294,00-Ira+condena+atentados+de+Damasco.html

Ver também:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2012/03/17/interna_mundo,293741/ira-condena-atentados-de-damasco.shtml

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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