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Irã responde com ameaça ao anúncio de sanções pela Europa

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A “União Européia” (UE) anunciou ontem, segunda-feira, dia 23 de janeiro, que os 27 países membros do Bloco chegaram a um acordo para aplicar novas sanções contra o Irã, baseadas principalmente no embargo às exportações de petróleo persa para a Europa, incluindo a compra e o transporte do produto.

 

De acordo com o divulgado pela mídia internacional, 20% das exportações iranianas destinam-se aos europeus. Deve-se destacar contudo que este número tem sofrido divulgações diferentes ao longo dos últimos três meses, já tendo sido informado também que apenas 11% das exportações iranianas eram destinadas à Europa, podendo isso significar que há abordagens distintas, ou informações erradas. De qualquer forma, não há concordância entre os analistas acerca do real impacto que o embargo pode causar.

Segundo apontam, os iranianos podem substituir as exportações destinadas aos europeus para China, razão pela qual os norte-americanos estão trabalhando junto aos chineses para que busquem caminhos alternativos ao petróleo persa e evitem fornecer ao Governo Ahmadinejad o suporte que daria o tempo que ele deseja ganhar, além de subsidiar fôlego para mais confrontos em relação às demandas de segurança da “Comunidade Internacional” .

O acordo conseguido na Europa foi fechado após concordância da Grécia que tinha posicionamento contrário já que recebe petróleo do Irã em condições especiais, facilitadas, e vive um processo crítico, devido suas buscas de soluções para sair da crise econômica. Segundo divulgado, a concordância grega foi dada após promessa do Bloco europeu de que procurará fornecimento a ela por caminhos alternativos, em condições similares aos que são disponibilizados atualmente pelo Irã. Sabe-se ainda do grande prejuízo que também terão a Espanha e a Itália com as novas sanções, mas houve a aceitação geral e as sanções serão aplicadas. O próprio ministro espanhol das “Relações Exteriores”, José Manuel García-Margallo, mesmo a contragosto declarou que seu país fazia um “grande sacrifício”* para dar apoio ao que foi acertado.

Nas novas sanções estão incluídos: (1) o congelamento dos bens do “Banco Central” iraniano; (2) a proibição do comércio com ouro e demais metais preciosos com este Órgão e vários outros do Irã e, acerca do embargo ao petróleo, (3) serão vetados todos os contratos novos, permitindo o cumprimento dos antigos até 1o de julho de 2012, quando a sanção será total**. A justificativa desta medida é a proteção da economia européia que receberá um tempo para buscar alternativas.

De acordo com analistas, esta é a fragilidade do planejamento europeu, pois, mesmo que o impacto seja grande para os iranianos, o acordo entre os membros da UE deixou para Teerã a possibilidade de dar a primeira tacada, se agir rapidamente cancelando o fornecimento, o que preservará sua estratégia de criar uma crise econômica incontrolável para o mundo, com o fantasma da perda irrecuperável para o Ocidente, mesmo com a vitória no caso de se chegar a guerra.

O correto, na percepção dos observadores, seria primeiro buscar a saída, depois adotar este procedimento, imediatamente com a anúncio da decisão. No limite, deram combustível ao Irã, pois sua tática é continuar blefando para impedir que as grandes potências ajam, possibilitando consiguir o tempo necessário para adquirir o armamento nuclear.

Como a Europa ainda busca uma alternativa ao petróleo persa, ela, em realidade, fica a mercê principalmente da temeridade dos líderes iranianos, numa situação em que, na falta de alternativas para blefar, eles podem arriscar e “pagar para ver” o que fará o Ocidente.

Esta possibilidade foi expressada diretamente pelo ex-ministro da Inteligência, Ali Fallahian, um membro da “Assembléia de Peritos do Irã” (Órgão de primeira grandeza da estrutura do Estado iraniano) que levantou a possibilidade de Teerã responder suspendendo a vendo à Europa para impedir que os europeus tenham tempo de achar alternativas, afetando as economias e aumentando o preço do petróleo, ou seja, interferindo na economia internacional para produzir o caos que está no centro da estratégia de resistência do governo persa. Em suas palavras: “A melhor maneira é parar de exportar o petróleo nós mesmos antes do fim dos seis meses e antes da implementação do plano”***.

Além disso responderam com novas ameaças de fechar os “Estreito de Ormuz”, também com o intuito de gerar temor de caos econômico internacional. Mohammed Kousari, vice-presidente da “Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento” iraniano, declarou que se deveria fechar o Estreito, pois “os EUA e seus aliados não serão capazes de abri-lo. (…) se depois do fechamento do estreito de Hormuz os EUA responderem, no menor tempo possível o Irã desestabilizará o mundo para os americanos e todos os militares serão obrigados a abandonar o Oriente Médio. (…) a experiência demonstrou que a maior parte das sanções ocidentais contra o Irã contribuíram para o progresso da nação iraniana. Se os ocidentais desistirem de comprar o petróleo do Irã, nós o venderemos a outros países, mas se ocorrer alguma interrupção na venda do petróleo do Irã, seguramente fecharemos o estreito de Hormuz”****.

Segundo divulgado, Teerã dará a resposta ao anúncio europeu no dia 11 de fevereiro. Ontem também foi divulgado que a “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA) fará visita ao Irã para tratar do “Projeto Nuclear” com o Governo do país entre os dias 29 (domingo) e 31 (terça-feira) para “resolver todos os problemas substantivos pendentes”***** e adotará no diálogo o espírito conciliador. Nas palavras de representante da AIEA, “A equipe do organismo viaja ao Irã com um espírito construtivo. Esperamos que Irã trabalhe conosco com o mesmo espírito”*****.

Acreditam os analistas que neste encontro Ahmadinejad (Presidente do Irã) buscará argumentos para definir as ações que serão adotadas, ou as justificativas para recuo nas ameaças, já que, pelos elementos disseminados na mídia, Teerã tem condições de trazer uma crise para o sistema internacional, mas não para resistir às investidas, tendo como certa a queda do Governo e a substituição do Regime após a guerra, se ela ocorrer, apesar da catástrofe que representará para o mundo.

Além disso, como apontam os observadores o essência da estratégia iraniana neste momento é ganhar tempo para conseguir completar o seu “Ciclo Nuclear”, apenas isso, para, doravante, entrar com outra capacidade de barganha e em reais condições de preservar o seu atual sistema político, bem como os grupos que estão no poder.

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Fontes:

* Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1038272-ira-diz-que-respondera-sancoes-da-uniao-europeia-em-11-de-fevereiro.shtml

** Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1038141-ue-aprova-embargo-ao-petroleo-do-ira-contra-programa-nuclear.shtml

*** Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ue-proibe-petroleo-iraniano-teera-responde-com-ameaca,826193,0.htm

**** Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1038272-ira-diz-que-respondera-sancoes-da-uniao-europeia-em-11-de-fevereiro.shtml

***** Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1038194-agencia-atomica-da-onu-vai-ao-ira-para-resolver-problemas-pendentes.shtml

Ver Também:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,aiea-pretende-resolver-questoes-substantivas-no-ira,826226,0.htm

Ver Também:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1038266-eua-elogiam-sancoes-europeias-contra-ira.shtml

Ver Também:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1038284-russia-condena-sancoes-da-ue-e-diz-que-trabalha-por-negociacoes.shtml

Ver Também:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1037900-egito-pos-transicao-tende-a-se-aproximar-do-ira-diz-diplomata.shtml

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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