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Irã retira seu Exército no sudoeste da Síria

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No dia 31 de maio, um acordo entre Irã e Israel foi selado após semanas de tensões entre ambos países na fronteira da Síria com o Estado israelense. Os dois Governos, em conjunto com o russo, pactuaram sobre a retirada do Exército iraniano no sudoeste sírio, e também os de seus aliados, Hezbollah e milícias xiitas. Da mesma forma, foi decidida a permanência única e exclusiva do Exército sírio sobre este território.

Mapa da fronteira de Israel e Síria

De acordo com diversos analistas, esta região é estrategicamente importante para Israel e Irã devido ao interesse sobre o controle das Colinas de Golã. Se por um lado a ocupação israelense de dois terços das Colinas se deve ao fato de a região servir como um tampão que divide Israel e Síria, bem como para fornecer água potável e ter um solo próprio para o cultivo,  por outro lado, para os iranianos, esta terra tem um valor mais simbólico, uma vez que a ocupação de Israel sobre a área é utilizada como justificativa para os discursos contra os israelenses e, consequentemente, reforça o apoio dos demais países no Oriente Médio sobre a causa. 

As novas tensões entre Israel e Irã iniciaram no dia 8 de maio quando, de acordo com o porta voz da Força de Defesa Israelense (Israel Defence Forces / IDF), coronel Jonathan Conricus, 20 foguetes foram lançados em direção ao território de seu país nas Colinas de Golã pela Força Quds, um dos braços da Guarda Revolucionaria Iraniana* (Islamic Revolutionary Guard Corps / IRGC). Ademais, coronel Conricus afirma que quatro foguetes foram interceptados pelo sistema antimísseis e os demais não atingiram as instalações israelenses na região.

Algumas fontes confirmam que o ataque iraniano se deveu ao fato de, aparentemente, Israel ter realizado lançamentos no sudoeste sírio. Em contrapartida, de forma quase instantânea, caças israelenses bombardearam 70 bases iranianas na Síria, as quais, segundo o Ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, foram praticamente destruídas por completo. E reafirmou: “eles devem lembrar que se chover aqui [Israel], lá também choverá”.

Como consequência do conflito, 23 pessoas morreram neste ataque, incluindo cinco soldados sírios e 18 soldados aliados do Irã. Além disso, desde o dia 25 de maio, o Exército sírio está se deslocando para a região sudoeste do país. Se por um lado a ida das tropas de Bashar al-Assad está relacionada ao acordo de retirada do Irã, por outro, o Exército sírio está se preparando para uma operação militar nas cidades de Daraa e Quneitra contra as forças rebeldes locais. Embora temporariamente as tensões entre Irã e Israel sejam estabilizadas, certamente Teerã não irá abandonar suas ambições na região e o conflito entre ambos os países tende a continuar.

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Nota:

* É uma divisão das forças armadas iraniana, criada após a Revolução de 1979.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Israel lança foguetes em direção à infraestrutura iraniana na Síria” (Fonte):

https://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-44063022

Imagem 2Mapa da fronteira de Israel e Síria” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Colinas_de_Gol%C3%A3#/media/File:Golan_Heights_Map.PNG

Tamara Sopelsa - Colaboradora Voluntária

Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES). Dentre as área de interesse estão Segurança Internacional, Geopolítica e estudos sobre o Oriente Médio. Escreve no CEIRI Newspaper sobre o Oriente Médio, particularmente sobre Irã e Iraque.

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