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Iraque atua contra o Estado Islâmico na fronteira com a Síria

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A derrocada dos militantes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), em razão das consecutivas vitórias da coalizão internacional, tem permitido ao Exército iraquiano avançar em direção ao norte de seu próprio país. Esta região, que inclui a importante área de Anbar, permaneceu em grande parte dominada há anos pelo Estado Islâmico, e tem retornado gradativamente ao controle do Governo Iraquiano, beneficiado pelos esforços conjuntos com outros países, incluindo os Estados Unidos.

Combate em Qaim durante a guerra do Iraque

Nesse sentido, as Forças Armadas Iraquianas passaram a mover-se em direção a Qaim, cidade que se tornou peça importante na reconquista contra o grupo jihadista. Tal importância, aliás, se dá pelo fato de que esse centro urbano se localiza próximo à fronteira com a Síria, país cuja crise política, caos social e conflito militar de larga escala vêm ameaçando a já frágil estabilidade político-econômica do Iraque. Ou seja, os governantes iraquianos demonstram preocupação, atualmente, não só com o combate ao EI e a votação do Referendo sobre a independência do Curdistão iraquiano, mas também uma possível expansão do conflito sírio para o seu território.

A liberação e o futuro político da cidade de Qaim demandaria, segundo militares envolvidos na operação, menores riscos para as tropas e menos dificuldades do que nas incursões anteriores, em razão da homogeneidade tribal que lá prevalece, o que faz com que se conte com a presença de um menor número de células terroristas inativas que possam perpetrar novos atentados durante a atuação dos militares.

Em contrapartida, a localização geográfica daquele centro urbano e as questões étnicas e políticas que lá se verificam fazem com que muitos residentes vejam a atuação da coalizão internacional e do próprio Exército iraquiano com certa cautela. Como exemplo disso, pode-se citar a preocupação por parte dos residentes daquela localidade quanto ao caso em que o “Irã obtenha uma rota direta através do Iraque até o Líbano e a Síria através de Qaim, isso será um grande problema”.

O avanço das forças iraquianas tem contato com o suporte aéreo da coalizão internacional, a qual tem bombardeado pontos estratégicos, notadamente locais que estariam sendo utilizados pelo EI na região. É interessante notar que as células terroristas têm se dividido e se separado, passando a ocupar diferentes localidades na província de Anbar, cuja proximidade com a Síria pode permitir que eles recebam apoio de células que se encontrem naquele país.

A atual conjuntura geopolítica do Iraque, principalmente em razão do recente Referendo pela independência curda, permite antever pressão internacional quanto ao empenho do Governo Iraquiano em derrotar os terroristas na região, uma vez que o auxílio militar da coalizão internacional poderia estar atrelado à manutenção do território iraquiano integral, ou seja, ao impedimento da independência curda no Iraque.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Dependências militares em QaimIraque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Al-Qa%27im_(town)#/media/File:US_Army_51688_Rule_of_Law_1.jpg

Imagem 2 Combate em Qaim durante a guerra do Iraque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Al_Qaim#/media/File:Op_matador_explosion.jpg

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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