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No dia 19 de abril, o Estado de Israel comemorou 70 anos de existência. Sua comemoração do Dia da Independência foi de acordo com o calendário lunar judaico, cuja data coincide com o dia 5 do mês de Iyar.

Sua história inicia-se em 14 de maio de 1948, com o discurso de David Ben Gurion, que  proclamou o Estabelecimento do Estado de Israel[1] no interior do edifício do museu de Tel Aviv. Era o mesmo dia que findava oficialmente o mandato britânico sobre o território de Israel. O reconhecimento do Estado deu-se pelos EUA naquela mesma noite e pela União Soviética (URSS) três dias depois.

A proclamação baseou-se na Resolução nº 181 da Assembleia Geral das Nações Unidas, votada em 29 de novembro de 1947[2], e foi inspirada na Declaração de Independência dos EUA, definindo o novo Estado judaico como uma democracia baseada em direitos iguais, liberdade, justiça e liberdade religiosa. A Liga das Nações, na ocasião da determinação do Mandato Britânico no território do extinto Império Turco-Otomano, já havia reconhecido a conexão histórica do povo judeu com a Palestina.

Apesar de sempre cercado por críticas, o Estado de Israel prosperou e possui muitas razões para celebrar a data. Foi vitorioso após o ataque massivo e coordenado de vários países árabes[3] que não concordavam com a decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) e se opunham ao estabelecimento de Israel, na chamada Guerra de Independência (1947-1949)[4].

Atualmente, o país é uma democracia liberal em meio à uma vizinhança permeada de autocracias. Resgatou o meio ambiente local combatendo a desertificação e promove uma agricultura sustentável, dotada de tecnologia de irrigação, o que o torna líder mundial em pesquisas de recursos hídricos e exportador dessa técnica. Reutiliza 85% da água que produz e possui a maior planta de dessalinização do mundo, chamada Sorek.

O acelerador de partículas do Instituto Weizmann da Ciência em Rehovot

É considerada a nação mais inovadora do globo, devido a seus centros de inovação e a sua tecnologia em geral, tais como a tecnologia da informação, o que gerou as “startups” israelenses[5], como também pela tecnologia de uso militar. Com um ótimo padrão de qualidade de vida, posiciona-se no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com pontuação muito alta.

As comemorações de 70 anos foram realizadas em todo o país. Uma festa ao longo do litoral, desde Eilat até o Tiberias foi promovida, como também a tradicional celebração no Monte Herzl, em Jerusalém.

Israel, todavia, também enfrenta grandes desafios. Com a celebração de seu aniversário e a aproximação da data prevista para a transferência oficial da embaixada norte-americana para Jerusalém, em 14 de maio de 2018, protestos em Gaza foram promovidos pelo Hamas, ao longo da grade da fronteira com Israel, manifestantes queimaram milhares de pneus e houve confrontos violentos com o Exército israelense.

O aumento significativo das tensões com o Irã poderá configurar um futuro conflito, já que este país vêm supostamente prestando suporte logístico de armamentos e estabelecendo unidades de produção de armas em conjunto com o Hezbollah, organização xiita libanesa, considerada por muitos países como um grupo terrorista.

O terrorismo será sempre uma adversidade a ser enfrentada diariamente. Apesar dos desafios e ataques terroristas, o país ainda pode ser considerado seguro para abrigar judeus de todo o mundo. Resgates famosos de judeus em situação de perigo já foram realizados, como a “Operação Moisés”, em 1984, e a “Operação Salomão”, em 1991, que salvaram judeus etíopes, bem como a “Operação Tapete Mágico”, realizada entre 1949 e 1950, que objetivou resgatar judeus remanescentes do Iêmen.

Tais operações foram necessárias, pois, após a criação do Estado, em 1948, judeus em todo mundo árabe e muçulmano passaram a enfrentar perseguições das mais diversas, o que os obrigou a fugir daqueles países ou a serem resgatados[6].

Atualmente, em uma época de crescente ataques antissemitas, como o praticado por um sírio requerente de asilo na Alemanha, no dia 18 de abril de 2018, e o assassinato de Mireille Knoll, na França, a existência de Israel ainda pode ser a salvação de muitos judeus espalhados pelo mundo.

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Notas:

[1] Sobre os textos legais da proclamação do Estado de Israel, consultar:

http://www.jewishvirtuallibrary.org/analysis-of-israel-s-declaration-of-establishment

[2] Para saber mais sobre a votação:

https://www.youtube.com/watch?v=7e93GLe2SZA,

https://www.youtube.com/watch?v=kWWN2PaEzzM

[3] Líbano, Egito, Síria, Iraque, Transjordânia (atual Jordânia) em conjunto com contingentes de palestinos, sudaneses e voluntários de outros países como Marrocos, Iêmen e Arábia Saudita.

[4] Conhecida pelos palestinos e mundo árabe como “al nakba”.

[5] Exemplos de startups famosas: “Mobileye”, que desenvolve tecnologia de veículos autônomos, e a “Waze Mobile”, desenvolvedora do aplicativo “Waze”.

[6] Resgate dos últimos judeus sírios em Aleppo:

https://edition.cnn.com/2015/11/27/middleeast/last-jews-aleppo-syria/index.html

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Declaração do Estado de Israel 1948” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Declaration_of_State_of_Israel_1948.jpg

Imagem 2O acelerador de partículas do Instituto Weizmann da Ciência em Rehovot” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_e_tecnologia_em_Israel#/media/File:Weizmann_accelerator.jpg

Bianca Del Monaco - Colaboradora Voluntária

Bianca Del Monaco, advogada, mestranda em Direito dos Negócios pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), LL.M em International Crime and Justice na Universidade de Turim (UNITO) e United Nations Interregional Crime and Justice Research Institute (UNICRI), especialista em Relações Internacionais e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), pós-graduação em Direito e Economia do Comércio Internacional da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pós-graduação em Contratos Internacionais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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