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Israel coloca entraves ao entendimento entre as Potências Mundiais e o Irã

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Na última quinta-feira, 2 de abril, foi assinado em Lausanne, na Suíça, um Acordo Preliminar, no âmbito do dossiê nuclear, entre as potências mundiais (EUA, França, GrãBretanha, Alemanha, Rússia e China) e o Irã. O Documento, denominado Plano Integrado e Ação Conjunta (JCPOA), é considerado a base para um acordo final que deverá ser alcançado até finais de junho[1]. As negociações envolveram a suspensão das sanções contra o Irã por parte dos EUA e da União Europeia e a supervisão do programa atômico iraniano por um período de 25 anos. Ficou decidido que, durante os 10 primeiros anos, o enriquecimento de urânio será interrompido e 95% do material atômico que o Irã possui será destruído ou transferido para outro país. Por outro lado, as mais de 5.000 centrífugas da Usina de Natanz estarão sob o controle da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla, em inglês)[2].

Apesar das potências mundiais considerarem este entendimento como sendo um grande avanço da diplomacia internacional, Israel reagiu desfavoravelmente ao Acordo com o Irã, pois considera que há muitas lacunas no pacto, que poderão colocar em risco Israel e desencadear uma corrida às armas atômicas na região por parte dos Estados sunitas, na medida em que a Arábia Saudita e os países do Golfo Pérsico são cautelosos em relação ao Irã, que é considerado um rival no Oriente Médio[3]. Para o Primeiro-Ministro de IsraelBenjamin Netanyahu, o acerto entre as potências mundiais e os iranianos é “um mau negócio[4], tendo afirmado que o entendimento permite aos persas permanecerem “com uma vasta infraestrutura nuclear[4]. Segundo o Ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, o Irã é um Estado contrário aos “regimes pró-ocidentais no Oriente Médio e em todo mundo[5], pelo que classificou o acordo com as potências mundiais como “uma grande conquista para o Irã e um erro histórico para o Ocidente[5].

A reação negativa ao acerto não preocupa unicamente Israel. A Arábia Saudita também demonstrou apreensão e afirmou que espera que as potências mundiais cheguem a um “acordo definitivo, restritivo[6] com os iranianos[6]. Embora esteja sendo dado por certo este acordo preliminar, ainda há passos a serem acertados definitivamente. O Irã não aceita apenas a suspensão das sanções e, segundo o Ministro Iraniano das Relações ExterioresMohammad Javad Zarif, as sanções serão encerradas e não suspensas[7]. O Ministrotambém afirmou que, a partir do que foi assinado na Suíça, o seu país continuará com o enriquecimento de material atômico em 5.000 centrífugas, na instalação nuclear de Natanz, e 1.000, em Fordow[8].

Verifica-se, no momento, que não somente para Israel, mas também para outros países da região, o Acordo recentemente assinado não elimina, em definitivo, a ameaça nuclear. A manutenção desta situação poderá comprometer a credibilidade do Ocidente enquanto interveniente em negociações de conflitos e de outras questões de difícil resolução no Oriente Médio. Se tal vier a ocorrer, isto acarretará no declínio da diplomacia ocidental, em paralelo com o agudizar das rivalidades regionais.  

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Imagem Usina nuclear de Natanz, Irã” (Fonte):

http://america.aljazeera.com/content/dam/ajam/images/articles/iran_natanz_100913.jpg

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[1] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=204510&cid=19&fromval=1&frid=19&seccatid=32&s1=1

[2] Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,em-troca-de-fim-de-sancoes-ira-aceita-controle-de-programa-nuclear-por-25-anos,1662858

[3] Ver:

http://www.maannews.com/eng/ViewDetails.aspx?ID=760311

[4] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.650594

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Israel-News/Yaalon-Iran-a-terrorist-monster-wreaking-havoc-on-the-Mideast-396265

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/iranianos-celebram-acordo-nuclear-historico-israel-critica/

[7] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=204510&cid=19&fromval=1&frid=19&seccatid=32&s1=1

[8] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=204510&cid=19&fromval=1&frid=19&seccatid=32&s1=1

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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